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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de março de 2017. Atualizado às 17h06.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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recursos humanos

Notícia da edição impressa de 13/03/2017. Alterada em 13/03 às 17h09min

Mulheres são discriminadas no mercado de trabalho

STOCKVAULT/DIVULGAÇÃO/JC
No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, há pouco a se comemorar quando se olha o topo das hierarquias de poder, tanto no serviço público quanto no privado. Com o avanço feminino no mercado de trabalho, elas respondem atualmente por 43,8% de todos os trabalhadores brasileiros. Mas a participação vai caindo conforme aumenta o nível hierárquico. Elas representam 37% dos cargos de direção e gerência.
Nos comitês executivos de grandes empresas, elas são apenas 10% no Brasil. "Em 2015, eram 4,7 milhões de profissionais, dentre os quais 63% eram homens nos cargos de chefia. A desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres nesta categoria é maior que no mercado de trabalho como um todo", afirma a economista do IBGE Cristiane Soares. Na média, a mulher ganha 76% do salário dos homens. Nos cargos de gerência e direção, essa proporção vai para 68%. Quanto mais altos o cargo e a escolaridade, maior a desigualdade de gênero. As estatísticas mostram, no entanto, que, na média da população, a escolaridade feminina é maior. A mulher tem oito anos de estudo, e o homem, 7,6 anos.
Para Cristiane, a sociedade empurra a mulher a um papel que acaba restringindo suas escolhas profissionais. E a família é outro motivo para frear a subida da mulher no mercado, diz a economista. "Muitas mulheres escolhem carreiras em que podem conciliar trabalho com as tarefas de casa, mãe, esposa, cuidadora. Outras abrem mão da carreira ou dão prioridade para a ascensão do marido, por ele ganhar mais. Há vários aspectos que restringem essa ascensão, inclusive o machismo, pois alguns homens ainda não aceitam a ideia de serem comandados por uma mulher."
No setor público, a situação se repete, mas, como a entrada se dá por concurso público, a distorção é menor no ingresso, porém se intensifica nos graus superiores. Por causa disso, procuradoras de Goiás resolveram promover uma campanha em prol da igualdade e de mais respeito nos ambientes de trabalho. Segundo Fabiana Bastos, procuradora do estado de Goiás, a presença feminina nos espaços de decisão do Judiciário é mínima. "Em Goiás, só 19% dos desembargadores são mulheres. Nos tribunais militares, a participação feminina fica em 16%."
A campanha também visa extinguir os rótulos associados às mulheres no mercado de trabalho. O cartaz da campanha "Menos rótulos, mais respeito" é emoldurado por expressões do tipo "bonita demais para ser inteligente", "histérica", "bonitinha, mas burra", "deve ser a TPM". A procuradora de Goiás Poliana Julião sofreu esse tipo de constrangimento quando era promotora de Justiça em Tocantins.
"Tive alguns dissabores na vivência profissional. A beleza era sempre invocada, como se fosse incompatível com minha capacidade profissional. Escutei coisas como 'você deveria ser modelo, e não estar em um tribunal'. O mérito nunca é conquistado pela sua capacidade profissional." Ela conta que fez uma sustentação oral em um processo difícil em segunda instância e conseguiu reverter a situação em favor do estado. "Foi quando um colega me falou que eu ganhei porque o desembargador me achou bonita. Outro falou que eu tinha conseguido o cargo porque tinha prova oral no fim do concurso. Como se defender de uma ofensa dessa?"
O problema na Justiça, segundo Poliana, é quando as indicações determinam a ascensão na carreira. E isso fica claro ao olhar os números. Entre os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que são indicados pelo presidente da República, há somente duas mulheres. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), dos 33 ministros, seis são mulheres. No Tribunal Superior do Trabalho (TST), há seis mulheres entre os 27 ministros.
Na administração pública, 39,7% são mulheres. O que não acontece no topo. Os cargos comissionados, os chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior) tem uma exclusão sexual clara. No DAS 1, que paga R$ 2.467,90, as mulheres representam 44,9%. Quando se vai para a outra ponta, os DAS 6, com salários de R$ 15.479,92, a participação da mulher cai para 21,7%.
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