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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017. Atualizado às 09h41.

Jornal do Comércio

Política

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Entrevista Especial

Notícia da edição impressa de 13/02/2017. Alterada em 13/02 às 10h44min

Cairoli acredita que Banrisul será privatizado no futuro

"Lasier tem condições para ser um candidato ao governo do Estado"

"Lasier tem condições para ser um candidato ao governo do Estado"


MARCO QUINTANA/JC
Marcus Meneghetti
O vice-governador José Paulo Cairoli (PSD) acredita que o Banrisul vai ser privatizado no futuro. Mas garante que não vai ser durante o governo José Ivo Sartori (PMDB). "O que posso dizer é que, em algum momento, isso vai ser feito", afirmou. A especulação sobre a privatização do banco estatal ganhou força com os desdobramentos da negociação da dívida do Estado com a União.
Diante dos rumores de que o PDT possa deixar a base aliada em março, dificultando a aprovação dos projetos remanescentes do pacote de reestruturação do Estado, o vice-governador disse que o governo deve convidar os deputados estaduais da base aliada a participar dos debates internos, justamente para não perder aliados nas votações importantes. Quanto aos pedetistas, não acredita que saiam do governo.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Cairoli revelou que não pretende concorrer em 2018 a nenhum cargo eletivo, a menos que seja para um cargo no Executivo. Ele considera que o recém-filiado ao PSD, senador Lasier Martins, é um bom nome para concorrer a governador nas próximas eleições.  
Cairoli tem assumido um protagonismo importante dentro do Palácio Piratini, atuando em tarefas de articulação política como, por exemplo, viajar pelo Estado com a Caravana da Transparência para apresentar aos prefeitos e vereadores do Interior os números das finanças gaúchas.
Também participa de debates com o governador para a tomada de decisão. E, mesmo não concordando com todas as posições de Sartori, garantiu: "Mas, no momento que fechamos um acordo, me torno um defensor da decisão do governo como um todo".
Jornal do Comércio - Qual avaliação dos projetos do pacote que foram aprovados no final do ano passado?
José Paulo Cairoli - A Assembleia Legislativa teve a sensibilidade necessária para enxergar que existem fundações e empresas que não têm mais sentido de o Estado ter. Então, a extinção das fundações passou pela nossa visão de ajuste do Estado, que hoje não é voltado para si, é dominado pelas corporações. O Estado, no nosso ponto de vista, tem que ser indutor do desenvolvimento, com regras claras, agências reguladoras fortes etc. Além disso, tem que prestar um serviço de maior qualidade ao contribuinte, na área de segurança, saúde e educação. O que nos surpreendeu foi a não aprovação do duodécimo (do Judiciário).
JC - Entre as matérias que foram apreciadas, uma das mais polêmicas foi justamente a extinção das fundações...
Cairoli - É evidente que uma medida como essa, se não foi feita antes, é porque implica em algum risco político de curto prazo. Tivemos coragem para fazer. É evidente que a negociação é complexa, que a gente vai atingir alguns interesses, que vamos prejudicar algumas pessoas, como os 1.200 servidores que vão ser demitidos. Mas também temos que olhar para os 11 milhões de gaúchos, buscando as condições de pagar em dia os salários dos demais funcionários públicos.
JC - Como estão as negociações para votar os projetos remanescentes do pacote?
Cairoli - O ano legislativo está recém-começando. Os deputados estão escolhendo os membros das comissões parlamentares. Então, esperamos que os projetos sejam votados e aprovados em março. Estamos tendo a cautela que o momento exige. Até porque estamos no meio da renegociação da dívida com a União. Inclusive, técnicos do Tesouro Nacional vieram a Porto Alegre na semana passada e, em duas semanas, acredito que teremos um esboço mais preciso da reforma que vai ser necessária fazer por conta da renegociação. Aí, vamos agir politicamente para aprovar o que for necessário. Sem dúvida, vão surgir coisas novas que a gente vai ter que aprovar, mas já avançamos muito.
JC - Em meio à renegociação da dívida, surgiu a especulação sobre a privatização do Banrisul. Existe essa possibilidade?
Cairoli - Em momento algum passou pela nossa cabeça privatizar o Banrisul. Isso já foi dito pelo governador Sartori, pelo secretário (da Fazenda, Giovani) Feltes (PMDB). O que posso dizer é que, em algum momento, isso vai ser feito. Não sei se no governo seguinte ou em algum outro. Isso é um risco que se tem, mas não no nosso governo. Sabemos o que é negociável e o que não é. Além disso, o Banrisul tem algumas coisas importantes: os recursos ficam 100% no Estado. Conseguimos fazer política sem prejudicar o Banrisul, política de Estado com um banco. Já que existe a gente pode utilizar. Agora se me perguntar, se fosse criar um banco estatal hoje, faríamos um mais voltado a micro e pequena empresa, às pessoas de baixa renda. Talvez teria outro espaço, em vez desse que concorre com outros bancos.
JC - O que o governo gaúcho espera da União durante o processo de renegociação da dívida?
Cairoli - O que a gente espera é que a dívida possa ser diminuída, alongada, com uma carência não só no nosso governo. Não queremos resolver até 2018, queremos que isso se prolongue um pouco mais. Acredito que, se cumprirmos as exigências do governo federal, que são legítimas, conseguiremos abrir espaço para buscar recursos para investimentos específicos no Estado, principalmente em segurança, saúde e educação.
JC - Qual a importância para o governo de retirar a obrigatoriedade do plebiscito da CEEE, CRM e Sulgás, visto que a federalização ou privatização de pelo menos algumas dessas estatais está sendo cogitada na renegociação da dívida?
Cairoli - Entendemos que não tem sentido o Estado ter uma empresa de energia elétrica, uma empresa de gás e uma empresa de mineração. A CEEE, por exemplo, dá um prejuízo equivalente ao valor do orçamento do Legislativo. O Estado não tem capacidade para dar segurança, como pode pensar em ter outras atividades que não são atividades-fim do Estado? E, se fizermos uma enquete, a população vai ser a favor da extinção, venda ou transferência para o governo federal ou empresa privada. Vide o que aconteceu com a CRT, o avanço que teve a área da telecomunicação, sem custo para nós.
JC - A Sulgás, por outro lado, é superavitária...
Cairoli - A Sulgás é, mas a CRM não. A Sulgás é uma empresa enxuta, que dá resultado, mas a tendência, como todas as empresas, é se tornar obsoleta e inviável. O Estado a criou porque não tinha setor privado disposto a investir em uma atividade que não tinha resultado na época. No momento que isso anda, o Estado tem que sair fora. Essa é a visão que tenho. Além disso, não é correto falar só em resultado financeiro. Porque, veja, a Brigada Militar não dá lucro para o Estado, mas é fundamental. Então o que a gente quer é retirar esses recursos, poucos ou não, e transferi-los para as atividades-fim do Estado. Por exemplo, segurança pública.
JC - Um dos partidos da base aliada, o PDT, já se manifestou contrário à retirada da obrigatoriedade do plebiscito para privatizar essas estatais. E a bancada pedetista é importantíssima para a aprovação das propostas de emenda à Constituição. Eles devem decidir, em março, se permanecem ou saem do governo. Acredita que qual será o posicionamento?
Cairoli - Não acredito que o PDT saia. Mas eles estão em uma mudança de posição um pouco delicada. Afinal, participaram do governo passado. É difícil, mas os partidos estão se reinventando. Eles não são um bloco, salvo aqueles partidos mais radicais de esquerda. De qualquer forma, a base do governo, que é o partido do governador, esse está fechado. E o resto vai depender. As outras siglas que estão na base, alinhadas ao conceito, também tem suas dúvidas. Mas não podemos depender disso. E só vamos manter os aliados se fizermos com que os deputados participem das transformações que estamos fazendo. Essas mudanças têm que ser construídas junto com a Assembleia. Por isso, semana passada, o Sartori falou com todos os partidos. Teve uma agenda com cada uma das legendas para mostrar a necessidade e a importância da renegociação da dívida. Então é fundamental que todos os deputados, inclusive, federais, que estão na base ou não, participem.
JC - Nesses dois anos de governo, o senhor teve um protagonismo importante como vice-governador, assumindo por exemplo a divulgação da Caravana da Transparência e algumas questões ligadas à segurança. Qual a avaliação que faz do governo e da atuação como vice?
Cairoli - Acho que o governo tomou medidas olhando sempre para o futuro até agora. A primeira foi a previdência complementar. Uma vez que as previdências do Brasil e do Rio Grande do Sul estão falidas - estamos falando de pouco menos de R$ 8 bilhões de prejuízo em 2016 -, é importante que o funcionário pague sua previdência ao longo do tempo. Outra medida importante foi a Lei de Responsabilidade Fiscal estadual, afinal não podemos transferir para o governo seguinte custos que não cabem no espaço fiscal ou não têm fonte de recursos para custeá-los.
JC - E a sua atuação como vice?
Cairoli - A função do vice é muito alicerçada na posição do governador. O Sartori tem dado o espaço necessário para que eu possa contribuir para a construção do governo. Tenho participado ativamente das decisões importantes do nosso Estado. Trata-se também da relação entre uma pessoa e outra: a aproximação entre mim e o Sartori permite que a gente consiga construir um elo de participação, companheirismo e, acima de tudo, lealdade. Embora não concorde com todas as posições individuais do governador, debato. Mas, no momento que fechamos um acordo, me torno um defensor da decisão do governo como um todo. Então, não é que eu tenha mudado de ideia, mas revi meus posicionamentos diante da realidade do Estado. Tenho uma visão empresarial e estou convencido que devemos ser mais pragmáticos e menos filosóficos.
JC - Pode dar um exemplo de posições que discorda do governador?
Cairoli - Sou radicalmente contra o aumento de impostos e da carga tributária no Estado e no País. Quando o governo propôs o aumento da alíquota de ICMS, em um primeiro momento, fui contrário. Continuo sendo. Aumentar impostos é ruim. Quando tem uma queda na economia, é ainda pior. Mas, depois de um debate interno muito intenso, acredito que tenha sido a medida mais correta, dada a gravidade da situação do Rio Grande do Sul, um Estado que não consegue nem pagar os baixos salários do Executivo. Por isso, a partir do momento que o governo decidiu levar adiante (o aumento do ICMS), fui um defensor. Coloco isso como um ponto importante, porque foi muito duro para mim. Isso nos aproximou (Cairoli e Sartori) ao longo do tempo, pois foi percebido que vim para ajudar, para melhorar a situação do Estado.
JC - Essa foi uma medida que gerou bastante desgaste político...
Cairoli - O que eu vejo de positivo é que não estamos preocupados com o desgaste político. Estamos focados em fazer o que deve ser feito. E o momento de fazer é agora, não daqui um ano ou dois. É isso que me anima como vice-governador, que justifica estar nesse período de quatro anos, dando minha contribuição para esse governo, ajudando a propor medidas a longo prazo.
JC - O senhor, o senador Lasier Martins ou o deputado federal Danrlei de Deus - principais nomes do PSD gaúcho - pretendem se candidatar em 2018?
Cairoli - O Lasier já é senador. O Danrlei é deputado e vai buscar a reeleição. Eu termino o meu mandato no final de 2018. Não sou candidato a cargo eletivo a menos que seja na área executiva. Mas qualquer movimento que se faça agora é intempestivo.
JC - Lasier pode ser um bom nome?
Cairoli - Pode sim, todos podem. Lasier, lógico, é um senador que tem condições para ser um candidato ao governo do Estado.

Perfil

José Paulo Dornelles Cairoli, 64 anos, é natural de Porto Alegre. Formou-se em Engenharia Civil pela Pucrs em 1974. Em março de 1975, ingressou na Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga S.A., como engenheiro auxiliar. Por seis anos, na década de 1980, atuou como diretor-superintendente da Comercial Farroupilha, distribuidora de combustíveis da Ipiranga. Em 1992, com Alceu Collares (PDT) governador, Cairoli foi convidado a assumir a presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), onde permaneceu até abril de 1995. Sua atuação mais expressiva na última década está relacionada à Federasul, onde foi diretor nas gestões 2000-2002 e 2002-2004. No segundo biênio do presidente Paulo Afonso Feijó, 2004-2006, tornou-se vice-presidente, passando a coordenar a Divisão de Desenvolvimento e Economia. Comandou a Federasul de 2006 a 2012. Presidiu a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, em 2013, mesmo ano em que filiou-se ao PSD. Elegeu-se vice-governador em 2014.
 
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