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Porto Alegre, terça-feira, 28 de fevereiro de 2017. Atualizado às 22h49.

Jornal do Comércio

Economia

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tecnologia

Notícia da edição impressa de 01/03/2017. Alterada em 28/02 às 21h46min

Brasil desaponta em ranking global de inovação

América do Norte, Ásia e Europa seguem como destaques mundiais

América do Norte, Ásia e Europa seguem como destaques mundiais


SAM YEH/AFP/JC
Patricia Knebel
O Brasil ficou novamente de fora do ranking anual das 50 Empresas Mais Inovadoras 2016, desenvolvido pelo The Boston Consulting Group (BCG), com base nas respostas de 1,5 mil executivos do todo mundo. Desde 2010, quando a Petrobras foi incluída pela última vez, não há nenhum representante nacional. O ranking é composto por 68% de corporações da América do Norte - um crescimento de 24% em relação a 2013 - 10 da Europa e seis da Ásia. Apple, Google, Tesla e Microsoft mantém os quatro primeiros lugares. A Amazon subiu quatro posições, ocupando o quinto lugar, e Netflix e Facebook entraram pela primeira vez no top 10.
A inovação já foi considerada uma prioridade para 85% das corporações brasileiras, mas em 2016 esse índice teve um declínio de 12%. O estudo do BCG aponta, ainda, que uma tendência não seguida por aqui é o aumento de investimentos, que deverão receber atenção de 56% das empresas, um número baixo se comparado a outros países em desenvolvimento. Na China, por exemplo, 81% dos executivos devem intensificar seu aporte e 94% dos indianos pretendem elevar seus gastos para inovar. "Crescemos, mas na proporção menor que dos outros países em desenvolvimento", relata o sócio do BCG, Heitor Carrera.
Para o especialista, a pesquisa mostra que esse recuo se deu pela crise o que, acredita, é paradoxal. "Em momentos difíceis, as empresas brasileiras olham para os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) como um gasto que pode ser cortado quando, na verdade, é nessas situações que mais dependem da inovação para se superar", acrescenta. Carrera alerta para a importância desse cenário não persistir, pois se empresas deixarem de investir continuadamente em novos produtos e modelos de negócios, o Brasil vai perder competitividade e ficar trás.
Uma nota técnica apresentada em dezembro do ano passado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - com base nos dados da Pesquisa de Inovação (Pintec) 2014 do IBGE - mostra que os esforços das empresas brasileiras tiverem uma queda expressiva no período. O gasto em P&D na indústria chegou a 0,67% de queda em relação a 2011. Já a taxa de inovação teve queda total de receita de 2,12%. "Foi o pior resultado de todas as Pintecs", afirma a técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, Graziela Ferrero Zucoloto.
O que segurou os resultados na época foi a participação do governo. No início da década, cerca de 19% das empresas inovadoras haviam declarado ter recebido algum tipo de apoio governamental. Esse número cresceu para mais de 34% em 2011 e para mais de 46% em 2014. Uma realidade que, porém, mudou muito nos últimos anos. "A ciência e a tecnologia não escaparam da crise. Em 2014, os instrumentos voltados para a inovação eram bem mais completos, envolvendo desde as grandes até as pequenas empresas", relata a analista.
O gerente do departamento de Inovação do Bradesco, Fernando Freitas, comenta que a crise dos últimos anos foi, de fato, muito intensa, mas que as instituições financeiras não podem se dar ao luxo de reduzir os aportes em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). "O setor bancário é o que mais tem atraído investidores para o surgimento de novas empresas e soluções. Por isso, não tivemos como tirar o pé, e nem os nossos concorrentes", observa Freitas.
O Bradesco disponibiliza cerca de R$ 6 bilhões por ano para área de Tecnologia da Informação (TI), e parte disso é canalizado para P&DI - cerca de 25% vai para novos produtos e canais de distribuição. Além das dificuldades conjunturais que frearam os investimentos dos players nacionais recentemente, o sócio do BCG alerta para as questões culturais e do próprio amadurecimento do ambiente empreendedor brasileiro.
Existem diversos polos tecnológicos, como os EUA, Israel e Alemanha, que funcionam como uma espécie de centro magnético de atração de investimentos. Por aqui, isso ainda precisa evoluir. "Somos criativos, mas quando se trata de pegar a criatividade e transformar em inovação, enfrentamos ainda a dificuldade de que a indústria de venture capital ainda é muito recente no Brasil", comenta.

Pesquisa aponta aumento de aportes externos em pesquisa e desenvolvimento

Apesar do recuo dos investimentos, o ranking anual das 50 Empresas Mais Inovadoras 2016 revela que o Brasil acompanha algumas tendências mundiais de inovação, como o uso de ferramentas e fontes de dados para identificar oportunidades externas de inovação. Enquanto a média global para uso de Big Data é de 55%, no Brasil 63% das companhias utilizam grande escala de dados.
Entretanto, apenas 47% das brasileiras usam esses dados para fornecer insumos para inovar, enquanto, no mundo, a média é de 57%. "Os players nacionais estão na frente das demais na adoção de ferramentas de analytics, mas, quando olhamos o quanto dessa informação está sendo revertida para gerar inovação, percebemos que ainda precisamos evoluir", relata o sócio do BCG, Heitor Carrera.
Além disso, outro fator interessante apontado pelo estudo é o crescimento das parcerias externas para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I). As companhias inovadoras de maior sucesso no mundo são as que alcançam um balanço entre inovação interna e externa. São eficientes para identificar as ideias externas e hábeis para trazê-las para dentro. Das corporações ouvidas para o ranking anual das 50 Empresas Mais Inovadoras 2016, do BCG, 45% disseram que realizam parcerias estratégicas com outras instituições, enquanto 54% das brasileiras adotam essa estratégia.
"Esse é um ponto positivo para nós, pois já acordamos para o fato de que nem todas as boas ideias vão nascer dentro de casa", elogia Carrera. Existe hoje, no País, diversas empresas desenvolvendo projetos em colaboração com universidades, parques tecnológicos e, especialmente, com startups. É o caso da Telefonica, Bradesco, Itaú e Votorantim.
A Pesquisa de Inovação (Pintec) 2014 do IBGE, apresentada em dezembro do ano passado, corrobora com essa mudança na composição do investimento em P&D das companhias brasileiras. Esse movimento pode ser visto desde 2008 e mostra que as companhias estão reduzindo o volume de recursos destinados para o P&D interno e ampliado o percentual dedicado à parcerias com institutos de pesquisa e com outras empresas.
O estudo, que envolveu 132.529 empresas nacionais, mostra que o investimento em P&D interno caiu de 0,5% para 0,45% do PIB. "As empresas brasileiras reduziram os esforços de inovação e passaram a contratar. Isso levou a uma queda em todos os gastos relacionados a isso, inclusive de profissionais dedicados a essa área", aponta a técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, Graziela Ferrero Zucoloto.
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