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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017. Atualizado às 21h37.

Jornal do Comércio

Economia

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varejo

Notícia da edição impressa de 14/02/2017. Alterada em 13/02 às 21h50min

Rio Grande do Sul fechou 7.300 lojas em 2016

As quatro filiais da Budha Khe Ri sucumbiram à queda no consumo

As quatro filiais da Budha Khe Ri sucumbiram à queda no consumo


MAURO BELO SCHNEIDER/ESPECIAL/JC
Carolina Hickmann
No ano passado, o varejo nacional teve o pior ano de sua história dada a recessão econômica, movimento seguido pelo setor no Rio Grande do Sul. Pelo segundo ano consecutivo, a relação entre o número de fechamentos de lojas e criação de pontos de venda é negativa para o setor. O saldo desta conta em 2016 é de menos 7.300 estabelecimentos em funcionamento, enquanto em 2015, pior ano para o varejo gaúcho, foram 9.200 negócios fechados, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
"Esta é a realidade em uma economia em recessão como a nossa, em que se perde venda no crediário por causa de taxa de juros", afirma o presidente da Associação Gaúcha do Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer. O Rio Grande do Sul responde por 7,6% do varejo brasileiro, atrás somente de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, e está tecnicamente empatado com o Paraná, que conta com 7,7% dessa fatia. Desde o início da série histórica construída pela CNC, em 2005, somente em 2015 o desempenho de abertura de lojas foi pior do que o do ano passado.
Os dados relativos ao fechamento de postos de trabalho, no entanto, apontam para a possibilidade de o Rio Grande do Sul estar retomando seu potencial no varejo. Na contramão dos números nacionais, o Estado reduziu a queda do número de vagas no varejo em 51%, ao passar de 11,5 mil em 2015, para 5,6 mil no ano passado. No País, houve o aumento de 4% no fechamento de postos de trabalho. Em 2015, cerca de 175 mil vagas deixaram de existir, enquanto em 2016 o número passou para 182 mil.
O economista da CNC Fabio Bentes comenta que os indicadores de queda nas vendas também passam a ser um indicador, à medida que a região Sul registrou, de janeiro a novembro de 2016, uma diminuição de 8,2%. No mesmo período do ano passado, o número era de -11%. "Não dá para afirmar que a região Sul e o Rio Grande do Sul saíram da crise, mas ela está se agravando menos do que o Norte o Nordeste", comenta. No Nordeste, os números fizeram o caminho contrário, enquanto em 2015 o registro foi de 9,7%, no ano passado houve uma queda maior, ao chegar a 13,2%.
"O que existe é uma retomada lenta, gostaríamos que fosse mais célere", alega o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL), Vitor Koch, que lembra que a indústria e a construção civil dão sinais de melhora, da mesma forma o campo, com sua safra recorde. O varejo seria o próximo segmento a sentir os efeitos de novos ventos econômicos, por isso a projeção de Koch é de crescimento de 1,5% a 2,5% em 2017.
A orientação do presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse, é de que os lojistas tentem manter a sua operação, já que proprietários de imóveis que estão alugados muitas vezes oferecem descontos no comércio de rua. "Os próprios shoppings estão facilitando, assim a coisa pode ficar mais fácil", lembra. "O Brasil é um País muito grande, e a economia deve voltar, não ao que era, mas devemos ter crescimento", conclui.
Alguns lojistas, entretanto, preferiram partir para outros investimentos e não aguardar a retomada econômica. Felipe Igansi tinha quatro filiais da Budha Khe Ri até o final de 2015, quando preferiu se desfazer de três delas e transformar a filial da rua Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa da Capital, em Vila do Rock. Ele conta que os valores tabelados dos produtos da marca não estavam mais dentro daquilo que os clientes estariam dispostos a pagar.
"Abri o Vila e passei a vender camisetas por R$ 79,00, e antes vendia a R$ 119,00", recorda. A filial da Lima e Silva foi transformada por uma questão de contrato de aluguel do imóvel. Igansi continuaria com ela apenas se fosse surpreendido. O empresário recorda que em 2014 o fluxo de pessoas por dia em sua loja era de, ao menos, 40. Em 2016 esse número havia caído pela metade. "O mesmo público não queria mais interagir com a possibilidade de consumo", alega. Em 2016, foi preferível optar pela descontinuação da loja e investir em outros negócios. "Era mais interessante no momento do que viver mais dois ou três anos no limite esperando a economia melhorar", explica Igansi, ao comentar que o faturamento não era motivador.
O Rio Grande do Sul está atrás, no número de empresas fechadas, de São Paulo (-30,7 mil), Rio de Janeiro (-11,1 mil), Minas Gerais (-10,3 mil) e Paraná (-8,3 mil), mesmos estados que apresentam uma maior fatia do varejo brasileiro.
 
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