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Porto Alegre, sábado, 07 de janeiro de 2017. Atualizado às 18h11.

Jornal do Comércio

Política

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Operação Lava Jato

07/01/2017 - 19h13min. Alterada em 07/01 às 19h13min

Ex-deputado admite ter recebido dinheiro da Odechecht para campanha de Serra

Agência Globo
O empresário e ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (PSDB) admitiu, segundo o jornal olha de S.Paulo, ter recebido recursos da empreiteira Odebrecht na Suíça para arcar com despesas da campanha de 2010 do então candidato a presidente José Serra (PSDB). O advogado do empresário, Antonio Mariz, confirmou que o cliente dele recebeu dinheiro do partido no exterior.
Segundo Mariz, Coelho costuma emprestar seu avião ao PSDB. Nessa ocasião, o ex-deputado recebeu o ressarcimento depois, em uma conta que ele mesmo indicou. Ainda segundo o advogado, os recursos foram regularizados por meio do programa de repatriação.
Mariz não quis confirmar quanto o ex-deputado recebeu. Ele também disse que não sabe de onde o partido tirou o dinheiro - se veio da Odebrecht ou de outra fonte de recursos. O advogado informou que seu cliente não comentará o assunto antes de prestar explicações à Justiça, se for necessário. As pessoas citadas na delação da Odebrecht só podem ser chamadas a prestar depoimento depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) avaliar se os acordos assinados com executivos da empreiteira cumpriram os requisitos legais. Não há prazo para isso acontecer. Ainda segundo Mariz, parte do dinheiro repatriado é resultado da atividade empresarial de Coelho.
"É um dinheiro pessoal dele, ele é empresário. Parte desse dinheiro é o ressarcimento feito pelo PSDB por despesas que ele teve. Ele emprestou avião na pré-campanha e na campanha presidencial. Os políticos voavam com o avião dele e depois ele era ressarcido. O partido pediu para ele indicar uma conta bancária e depositou. A origem do dinheiro, nós não sabemos qual é. O partido pode ter captado da Odebrecht", afirmou o advogado.
Segundo a Folha de S.Paulo, Coelho foi mencionado na delação premiada da Odebrecht na Lava-Jato como um dos operadores de R$ 23 milhões repassados pela construtora, via caixa dois, para a campanha de Serra. O dinheiro teria sido depositado em uma conta na Suíça.
Ao aderir ao programa de repatriação, os titulares de valores fora do país ficam isentos de responder por crimes como evasão de divisas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O programa não inclui anistia ao crime de caixa 2, o que inviabilizaria o retorno deste dinheiro ao país. Por meio de sua assessoria, Serra, que é ministro das Relações Exteriores, informou que não vai comentar "supostos vazamentos e delações".
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