Desempregado, Lennon começou a fazer desenhos na cabeça do filho. Hoje, atende cerca de 50 pessoas por dia Desempregado, Lennon começou a fazer desenhos na cabeça do filho. Hoje, atende cerca de 50 pessoas por dia Foto: MARCELO G. RIBEIRO/JC

Barbearia da Vila Cruzeiro atende média de 50 pessoas por dia

O Studio Beco 10 foi montado no pátio da casa de Lennon Pacheco

O Studio Beco 10 é uma barbearia localizada na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, e tem um fluxo diário de aproximadamente 50 clientes. O dono do empreendimento é Lennon Pacheco, de 26 anos, que começou a trabalhar sem nenhum tipo de curso no ramo. "Sou autodidata. Caí nessa área por acaso, cortava meu cabelo, do meu filho e do meu pai, mas tudo à máquina zero", lembra. Há dois anos, ele deu os primeiros passos que resultaram na abertura e consolidação da barbearia. Os cortes de cabelo custam R$ 15,00 e a barba é feita por R$ 10,00.
Desempregado e refém da última parcela do seguro desemprego, Lennon improvisou. Em 2013, desenhou no cabelo do filho com gilete algo referente a um funk da época. Para completar a renda, trabalhava com o pai na construção civil, até que foi instigado a abrir seu próprio negócio por um amigo que ficou impressionado com o desenho. "Mas eu falei que aquilo era brincadeira", conta.
O espaço disponível para montar a barbearia era o pátio da casa da família, no beco 10 (incorporado ao nome). Montou a estrutura com madeira, forro e demais sobras de obras. Passados 33 dias do início da adaptação do local, deu vida ao Studio Beco 10. "A princípio, era para ser um galpão, todo de madeira. Mas aí fui fazer o orçamento e ia dar 100 madeiras, a 15 pila cada." Com o recurso que tinha - cerca de R$ 100,00 -, pôde comprar apenas as peças do chão, faltando recurso, inclusive, para pagar o carreto. "Tinha que comprar 10 pregos e só tinha dinheiro para cinco", diverte-se.
O início da empreitada foi difícil. "Atendia um cliente numa semana, na outra dois, na outra cinco e depois dois de novo. Passava o dia sentado no pátio, olhando para o portão", relata.
Uma técnica, porém, deu destaque a Lennon: caricatura. Na Capital, conta, apenas um conhecido barbeiro fazia esse tipo de trabalho, o Babu. Chegou a conhecer o profissional num workshop, mas não conseguiu maior contato. Em casa, pensou numa maneira de chamar a atenção do mentor. A proposta foi simples: fazer a caricatura de Babu em um cabelo. A postagem foi para o Facebook e Babu compartilhou a foto. A agenda, outrora vazia, encheu. "Eu abro às 9h da manhã e tem dia que vamos até 23h, 23h30min", comemora. Para o futuro, além da expansão do negócio com a construção de um segundo piso no atual terreno, Lennon cogita "ir para o asfalto". "Mas esse aqui (no Beco 10) vai ficar", afirma, destacando a importância das raízes do seu empreendimento.
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