Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quarta-feira, 25 de janeiro de 2017. Atualizado às 23h00.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Trabalho

Notícia da edição impressa de 26/01/2017. Alterada em 25/01 às 20h34min

Nível de ocupação cai 4,7% na RMPA em 2016

No ano passado, 50 mil pessoas saíram do mercado de trabalho

No ano passado, 50 mil pessoas saíram do mercado de trabalho


CLAITON DORNELLES/JC
Guilherme Daroit
No ano passado, 83 mil pessoas perderam sua ocupação na Região Metropolitana de Porto Alegre. A queda, que representa 4,7%, é a maior da história da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), iniciada em 1993. Já a taxa de desemprego, que ainda leva em conta outros fatores, finalizou 2016 em 10,7%. O índice, aumento considerável em relação aos 8,7% encontrados em 2015, é o maior desde 2009 e, não fosse a saída dos porto-alegrenses do mercado de trabalho, poderia ter sido ainda maior.
"Quando olhamos para o ano como um todo, o retrato é bastante negativo, com uma deterioração nos indicadores seguindo o que já havia acontecendo desde 2015", analisa Iracema Castelo Branco, economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE). A pesquisadora afirma que, com a queda no emprego, a taxa de desemprego poderia ter passado dos 13%, o que só não aconteceu porque o ano foi marcado também por uma redução na população economicamente ativa (PEA) - conceito que engloba todas as pessoas que estão trabalhando ou procurando trabalho.
Em 2016, 50 mil pessoas saíram do mercado, representando uma queda de 2,6% na PEA da região. Com isso, a taxa de participação, que calcula a parcela da população em idade ativa (PIA, que calcula todos os habitantes com 10 anos de idade ou mais) que efetivamente está no mercado de trabalho, também caiu, a 53,1%, o menor nível da série histórica. A situação seria reflexo principalmente de uma transição demográfica no Estado, na qual os jovens estão adiando a sua iniciação profissional e dedicando-se por mais tempo aos estudos. "A recessão não interrompeu esse processo", salienta Iracema, lembrando que 70% da diminuição da PEA em 2016 se deu nas faixas de idade entre os 16 e os 39 anos.
O que pressiona a taxa, portanto, é a menor oferta de vagas. O movimento é o contrário do visto na década de 1990, período que marcou as maiores taxas de desemprego da série histórica da PEA. Entre 1993 e 2000, por exemplo, enquanto a PEA cresceu 2,91%, a PIA cresceu menos, 2,44%. O maior número de pessoas, portanto, gerava pressão no desemprego mesmo com o número de empregos também crescendo. O auge se daria em 1999, quando o desemprego chegou a 19% na região da Capital.
Outra diferença de agora em relação àquele período é a menor parcela de porto-alegrenses no desemprego oculto. Em 1999, eram 6,9% dos trabalhadores que se encaixavam no conceito, que se refere tanto a quem faz trabalhos esporádicos (os chamados "bicos") mas continua em busca de um emprego, quanto as pessoas que desistem da procura por desalento em relação à oferta de vagas. Em 2016, esse indicador chegou a 1,3%, o maior desde 2011, mas ainda muito longe daqueles patamares. "O desemprego precário cresce com a deterioração das condições de trabalho, mas não acontece de imediato", explica Iracema. A onda de formalização ocorrida entre 2004 e 2014, nesse sentido, ajuda a conter o crescimento uma vez que muitos dos desempregados possuem mecanismos, como o seguro-desemprego, que diminuem a urgência em achar outras fontes de renda.
Em meio a vários indicadores negativos, um possível ânimo pode vir dos resultados apenas de dezembro. No último mês de 2016, o emprego sofreu um movimento reverso do visto durante o ano, com aumento nas ocupações de mais qualidade. Os assalariados com carteira assinada, por exemplo, cresceram 1,8% em relação a novembro. Ao mesmo tempo, os mais precários sofreram redução, com quedas de 6,6% entre os assalariados sem carteira e de 8,1% entre os autônomos.
"É muito cedo, porém, para afirmarmos que chegamos ao ponto de inflexão. Já pensamos em outros momentos que a situação iria melhorar e, depois, não se confirmou", relativiza Iracema. A pesquisadora lembra que desde setembro percebem-se resultados positivos, mas não de forma consistente. Apenas em dezembro, entretanto, a taxa de desemprego caiu dos 10,8% vistos em novembro para 10,7%.

Rendimentos dos trabalhadores estão no menor patamar do século

Outro sinal da deterioração no mercado de trabalho na Região Metropolitana de Porto Alegre vem do rendimento médio dos ocupados, que sofreram queda pelo terceiro ano consecutivo. Em 2016, os trabalhadores ganharam, em média, R$ 1.945,00 por mês. Em dados corrigidos pela inflação, é o menor valor desde 1994. A situação é ainda pior apenas entre os assalariados, cujo rendimento médio de R$ 1.905,00 é o menor de toda a série histórica da PED.
Quando comparado com 2014, início da trajetória de queda, os assalariados perderam 14,9% de seus vencimentos. "Com isso, todos os ganhos dos 10 anos de crescimento entre 2003 e 2013 foram eliminados", analisa a economista da FEE, Iracema Castelo Branco. Além das substituições de trabalhadores por outros de menor salário, a diminuição dos vencimentos sofre impacto também das negociações coletivas, que, em geral, não conseguiram repor a inflação em 2016.
Com menos gente ocupada e salários menores, a massa de rendimentos caiu ainda mais. Apenas em 2016, a massa dos assalariados caiu 13,1%, enquanto a de todos os ocupados sofreu redução de 12,2%. São as maiores retrações de toda a série histórica.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia