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Porto Alegre, quarta-feira, 11 de janeiro de 2017. Atualizado às 21h34.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 12/01/2017. Alterada em 11/01 às 21h03min

Taxa básica de juros cai para 13% ao ano

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central (BC) surpreendeu o mercado e anunciou ontem a redução da taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, para 13,00% ao ano. É o terceiro corte seguido da taxa e o primeiro acima de 0,25 ponto percentual, dentro do atual ciclo de afrouxamento monetário.
A decisão surpreendeu os analistas financeiros, que previam o corte de 0,5 ponto percentual. Essa era a redução projetada pelos economistas ouvidos pelo BC no boletim semanal Focus, divulgado na última segunda-feira, dia 9. A última vez em que a Selic teve queda de 0,75 ponto percentual foi em abril de 2012.
O BC chegou a cogitar reduzir a taxa básica da economia em 0,50 ponto percentual - como a maioria dos analistas previa. O Copom, no entanto, entendeu que a ancoragem da inflação nos próximos dois anos já abre espaço para acelerar o movimento de corte da taxa Selic. Por isso, o BC surpreendeu o mercado financeiro.
"O Copom avaliou a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,25% e sinalizar uma intensidade maior de queda para a próxima reunião", cita o comunicado divulgado pelo BC. "Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária", argumentam os diretores do BC. O Copom explica que, por isso, decidiu estabelecer um "novo ritmo de flexibilização".
Os motivos que levaram a um corte mais amplo dos juros são o declínio da inflação e a demora na recuperação da economia. Na manhã desta quarta-feira, foi divulgado o IPCA de 2016. O índice oficial de inflação, calculado pelo IBGE, ficou em 6,29%. Foi a primeira vez desde 2014 que o índice oficial de inflação ficou abaixo do teto da meta do governo, de 6,5%.
Dados mais fracos da atividade econômica consolidaram nos últimos dias as apostas de corte de pelo menos 0,50 ponto da Selic, como a produção industrial de novembro, que ficou abaixo das expectativas. O indicador, divulgado na semana passada pelo IBGE, cresceu apenas 0,2% na comparação com outubro, contra estimativas de alta de 1,3%.
Além disso, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reforçou, no mês passado, que a autoridade monetária iria intensificar o ritmo de corte da taxa básica de juros em janeiro se a atividade econômica permanecesse fraca, conforme indicou a ata da reunião do Copom de 30 de novembro.
O Copom sinalizou em comunicado que deve manter o ritmo forte de corte de juros nos próximos meses devido à inflação mais baixa e à atividade econômica fraca. "Diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização", afirmou a autoridade monetária.
O BC esclareceu ainda que projeta uma inflação abaixo de 4,5%, que é o centro da meta, para 2017. "As projeções no cenário de referência encontram-se em torno de 4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente. Já no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente", disse o BC no comunicado.

Fundos ganham da poupança na maioria dos casos

As aplicações em renda fixa, como fundos de investimento, ganham da poupança na maioria das situações com a taxa Selic em 13% ao ano. A Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) afirma, porém, que mesmo com a queda de Selic, as cadernetas de poupança vão continuar interessantes frente aos fundos de renda fixa cujas taxas de administração sejam superiores a 2,50% ao ano. Isso porque a poupança, que rende TR (Taxa Referencial) mais 6,17% ao ano, não sofre qualquer tributação. Já os fundos de renda fixa têm incidência de Imposto de Renda sobre seus rendimentos, sendo que a alíquota é maior quanto menor for o prazo de resgate.
Outras aplicações se mantêm atrativas com a Selic a 13% ao ano. Mesmo com remuneração de 80% do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro, taxa de juros nos empréstimos entre bancos), o CDB leva vantagem sobre a caderneta de poupança. Enquanto o rendimento da poupança fica em 7,44% ao ano, o CDB aplicado pelo mesmo período renderia 8,44%.
Se o período for elevado para mais de dois anos, o rendimento anualizado desse CDB subiria para 8,97%, já que a alíquota do Imposto de Renda sobre os juros obedece a uma tabela regressiva que começa em 22,5% e vai caindo gradativamente até alcançar 15%.
Nas LCI/LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, respectivamente), a taxa de retorno fica ainda mais atrativa por causa da isenção de IR para pessoas físicas. Se o investidor conseguir uma taxa de 70% do CDI, a remuneração será de 9,17%. Se a taxa for de 90% do CDI, o retorno sobe para 11,95%.
O Tesouro Selic (título público pós-fixado que segue o juro básico), com custo de 0,3% de custódia e zero de corretagem, tem retorno em até seis meses de 9,84% e de 10,80% acima de 24 meses.
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