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Porto Alegre, quarta-feira, 04 de janeiro de 2017. Atualizado às 20h20.

Jornal do Comércio

Economia

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indústria automotiva

Alterada em 04/01 às 21h24min

Carros de entrada são os que mais caem nas vendas pelo 4º ano seguido

Os automóveis que compõem a menor faixa de preço do mercado, conhecidos como carros de entrada, tiveram em 2016, entre todos os segmentos de veículos de passeio, a maior queda nas vendas, pelo quarto ano seguido, mostram dados divulgados nesta quarta-feira (4), pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Foram 348,7 mil unidades vendidas no ano passado, recuo de 29,8% em relação a 2015, enquanto todo o setor teve retração de 20%.
Embora sejam mais baratos, os carros de entrada (como o Gol, da Volkswagen, e o Palio, da Fiat) têm perdido mais demanda que os demais segmentos porque são voltados aos consumidores de menor renda, que são os mais afetados pela crise econômica. Em um cenário onde o consumidor está desempregado ou com medo de perder o emprego, ele evita pedir um empréstimo ao banco para comprar um veículo. E os bancos, mesmo quando são procurados, evitam aprovar crédito para clientes que podem perder o emprego a qualquer momento.
Não por acaso, desde o início da crise econômica, em 2015, as vendas de automóveis com preços mais altos tiveram quedas menores ou até mesmo subiram. A comercialização dos hatchs pequenos (como o Onix, da GM, e o HB20, da Hyundai), que são uma categoria acima dos carros de entrada, caiu 11% em 2016, e os SUV (como o Renegade, da Jeep, e o HR-V, da Honda), ainda mais caros, recuaram apenas 3,9%.
Com isso, a participação dos carros de entrada no mercado de automóveis caiu de 23,4% em 2015 para 20,6% no ano passado. Na direção contrária, os hatchs pequenos avançaram de 23,5% para 26,3%, e os SUVs, de 14,8% para 17,9%.
Os carros de entrada chegaram a representar, em 2003, 51% das vendas de automóveis no País. No entanto, políticas que foram adotadas durante o período de crescimento econômico, como a valorização do salário mínimo e a expansão do crédito, elevaram o poder de compra das classes mais baixas e contribuíram para que o consumidor procurasse veículos mais sofisticados e, consequentemente, mais caros.
Em razão disso, os hatchs pequenos foram os que mais cresceram, saindo de 11% de participação em 2003 para a liderança em 2016 (26,3%). A redução a zero da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em 2012, também contribuiu. Com a percepção do brasileiro de que poderia comprar um automóvel melhor por um preço mais baixo, as vendas de hatchs pequenos avançaram 24,7% naquele ano, enquanto o mercado de carros de entrada cresceu apenas 2,7%.
Além disso, as montadoras, percebendo que o gosto do consumidor estava ficando mais refinado, passaram a focar menos em lançamentos de carros de entrada e mais nos hatchs pequenos. O movimento se acentuou com a competição de novas marcas que passaram a produzir no Brasil, como a Hyundai e a Nissan. A crise de 2015 só fez com o que o foco fosse alterado para um segmento ainda mais caro, o das SUVs.
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