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Porto Alegre, segunda-feira, 02 de janeiro de 2017. Atualizado às 22h19.

Jornal do Comércio

Economia

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Consumo

Notícia da edição impressa de 03/01/2017. Alterada em 02/01 às 22h39min

Quase 70% das lojas entram em liquidação

Previsão é de que maiores descontos ocorram na 3ª semana do mês

Previsão é de que maiores descontos ocorram na 3ª semana do mês


JONATHAN HECKLER/JC
Adriana Lampert
Janeiro será um bom mês para quem quiser comprar produtos de linha branca, eletrodomésticos, eletroportáteis ou móveis. Grande parte das redes que trabalham com estes itens vai oferecer descontos de até 50%, não somente na Capital, mas também no interior e no litoral gaúcho. Segundo dados do Sindilojas Porto Alegre, 67,5% dos empresários do varejo deverão realizar liquidações durante todo o mês. "A terceira semana terá os maiores descontos aos consumidores", destaca o presidente da entidade, Paulo Kruse.
Na CR Diementz, além dos eletros e móveis, os produtos de cozinha e os aparelhos de ar-condicionado também entram na liquidação de estoque já tradicional da rede, que conta com 79 lojas no Estado. De acordo com o superintendente da empresa, Homero de Toledo, estes artigos tiveram queda de 8% no final de 2016, quando comparados ao mesmo período do ano passado.
"Ventilação e celular venderam bem", pondera o gestor da CR Diementz. Ele sinaliza que a expectativa é de recuperar o desempenho das comercializações que não ocorreram até o dia 15 de janeiro. "No Litoral, está tendo uma boa saída de móveis e colchões, devido às reposições nas casas de praia", avalia. "Sobrou muito produto de linha branca nas lojas", reforça o dirigente do Sindilojas Porto Alegre. Ele avalia que não somente as grandes redes, mas também os pequenos precisam realizar campanhas e promoções neste período. "A maioria não tem capital de giro nem local para armazenar os produtos em grandes estoques", justifica.
Kruse completa que este mês que antecede as liquidações oficiais de fevereiro - quando praticamente 100% dos lojistas realizam campanhas de vendas a preços baixos - é uma "boa hora para comprar, mas vai requerer muita pesquisa" para que realmente valha a pena. "Terá muita variável, pois dependerá muito das grades dos produtos de cada lojista." Nas duas unidades gaúchas da rede Leroy Merlin, os preços deverão cair em até 70% no próximo fim de semana (de 6 a 8 de janeiro), quando ocorrerá o Saldão Solidário.
O diretor da loja de Porto Alegre, Clodoaldo Fraga, explica que - além de queimar estoques - a campanha tem como objetivo reverter 5% das vendas para duas instituições de caridade. "São mais de 40 mil itens, que vão desde torneiras, piscinas de plástico, tapetes, entre outros produtos que estão saindo de linha. É a nossa liquidação de verão", resume Fraga, completando que a expectativa é de que as vendas impulsionem um crescimento entre 8% e 10% em comparação ao primeiro fim de semana de janeiro do ano passado.
Em função de baixa sazonal do movimento do comércio, também os ramos de vestuário e brinquedos devem partir para a estratégia de liquidações nos próximos dias.
No Merckado da Mulher, a promoção de Natal segue firme, com a maioria dos vestidos, blusas, bermudas e outras roupas femininas com preço único de R$ 49,90. "O movimento continua igual, mas estão ocorrendo algumas vendas paralelas às trocas de Natal", afirma a gerente da loja, Tatiane Rodrigues. Segundo ela, a promoção começou no dia 26 de dezembro e permanece até acabar o estoque.
Conforme o consultor de economia da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Eduardo Starosta, quanto mais cedo o consumidor for às compras, melhor. "Os lojistas estavam melhor planejados na compra de produtos, adequados à atual realidade da economia, então as liquidações devem ocorrer durante um período menor", opina. "A maior parte do varejo deve seguir com as promoções", emenda o presidente da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), Vilson Noer. Ele afirma que, em algumas praias, é possível inclusive comprar geladeiras por 50% de desconto, contanto que se entregue a antiga como entrada.
"As grandes redes estão com promoções impactantes, maciças e com muito investimento em mídia, principalmente no Interior", ressalta Noer. "No caso de confecções e calçados, os lojistas estão trabalhando mais na linha promocional, de peças e produtos que estão sobrando e que não tiveram saída no Natal", completa o dirigente lembrando que a época oficial de liquidação na cidade ocorre só no final de fevereiro.

Grandes varejistas aderem para contornar queda de vendas no ano

As grandes redes varejistas também anunciaram liquidações para esta semana a fim de tentar acabar com os estoques de final de ano. As vendas de Natal foram fracas e, nos shoppings, a queda no faturamento foi de 9% neste ano. Para tentar conquistar compradores, são prometidos descontos de até 70% e parcelamentos em prazos que chegam a dois anos. Tudo para tentar estimular o consumo, que cai trimestre após trimestre, segundo dados do PIB. Apesar da oferta de parcelamento sem juros, as grandes varejistas costumam oferecer descontos para pagamento à vista. Na prática, isso indica que os juros da compra a prazo estão embutidos.
Essa também será a primeira liquidação em que lojistas poderão oferecer preços diferentes para pagamentos com dinheiro e cartão. No final de dezembro, o governo publicou uma medida provisória autorizando a diferenciação. Poderá aproveitar melhor a temporada de liquidações quem tiver dinheiro no bolso.
Walmart, Casas Bahia, Pontofrio e Carrefour começaram ontem suas promoções. Na rede de hipermercados Walmart, os produtos terão desconto de até 50% em departamentos como utilidades domésticas, eletroeletrônicos, moda, alimentos e limpeza. Serão oferecidos descontos em todas as bandeiras do grupo, como Big, Bompreço Mercadorama e Nacional.
No Carrefour, serão feitas promoções do tipo compre e ganhe, e clientes com o cartão da loja terão descontos adicionais. Entre as principais ofertas estão eletrodomésticos e eletroeletrônicos em até 15 vezes. No Magazine Luiza, a liquidação ocorre em apenas um dia. Segundo a rede, são mais de 3 milhões de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis, utilidades domésticas e informática em liquidação.
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