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Porto Alegre, quinta-feira, 22 de dezembro de 2016. Atualizado às 23h36.

Jornal do Comércio

Perspectivas 2017

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Mercado de Capitais

Notícia da edição impressa de 23/12/2016. Alterada em 22/12 às 17h51min

Investidores devem levar em conta a queda nos juros

Guilherme Daroit
Se nos últimos a inflação foi a grande norteadora dos investimentos, em 2017 o jogo deve começar a virar. A expectativa de cortes profundos nos juros pode marcar o início da mudança de paradigma para os investidores. "Talvez estejamos chegando ao fim da era da renda fixa no Brasil", diz o sócio da Fundamenta Investimentos, Valter Bianchi Filho. A turbulência política interna e externa pode adiar o movimento. Nesse contexto, os títulos públicos seguem como boas opções.
O sentimento de quebra de uma tendência quase cristalizada no Brasil tem a ver, principalmente, com a esperada redução rápida da taxa Selic. O relatório de mercado Focus prevê que a meta, hoje em 13,75% ao ano, deverá fechar 2017 em 10,5%. A queda na inflação pode acelerar o movimento. "É possível que já no fim do ano que vem a Selic esteja em um dígito", projeta a diretora da Zenith Asset e diretora técnica da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais/Extremo Sul (Apimec-Sul), Débora Morsch.
Confirmada a queda consistente e permanente dos juros, será o fim de um período histórico para os investidores brasileiros. "Os investidores terão que se dar conta de que a partir de agora ou vão precisar correr risco, ou terão de abrir mão de liquidez para ganhar dinheiro", aponta Bianchi. O analista prevê o surgimento de novos produtos que conversem com essa nova situação, como debêntures de infraestrutura, que podem pagar bons retornos, mas sem liquidez no mercado.
Os títulos de dívida pública devem continuar como os investimentos mais seguros em 2017. "Em um mercado volátil, com turbulência, a renda fixa ainda será um bom papel, principalmente para quem não está o dia todo em frente à tela", diz o professor de finanças Ibmec, Ricardo Couto.
A aposta de ouro, mais uma vez, deve ser a NTN-B, título que paga a inflação (IPCA) mais um percentual contratado, com remuneração semestral. O papel, que já teve o maior rendimento entre os principais investimentos em 2016, ainda está sendo ofertado com juro real de 6,3%. "É uma ótima taxa para qualquer lugar do mundo", comenta Bianchi, lembrando que no decorrer do ano, com a queda nos juros, a remuneração do papel deve cair.
Os outros títulos de dívida pública possuem um pouco mais de risco. As chamadas LFTs, que são pós-fixadas, possuem menos atratividade em um momento como esse, de expectativa de baixa nos juros. Já as LTNs, pré-fixadas, são mais vistosas, pois permitem garantir um ganho que, se confirmado o cenário de corte na Selic, estará acima da taxa real.
Outras possibilidades de investimento para o público tradicional da poupança são os fundos simples, desde que se pesquise o histórico de rendimentos da instituição. "No momento atual, com juro real alto, os fundos de renda fixa são as melhores alternativas", recomenda Débora. Investimentos tradicionais, atrelados ao CDI, devem perder terreno. "Quem investe nesses instrumentos deverá ter um ano mais magro do que os anteriores. E, em 2018, se tudo der certo (na macroeconomia), será pior ainda", afirma Bianchi, justificando a sua previsão de fim de uma era.
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