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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de dezembro de 2016. Atualizado às 00h15.

Jornal do Comércio

Panorama

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 21/12/2016. Alterada em 20/12 às 16h49min

Cinema brasileiro é tema de lançamento de livros

Filmes como O bandido da luz vermelha (1968) são tema de livros

Filmes como O bandido da luz vermelha (1968) são tema de livros


URANO FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
O cinema brasileiro nasceu subnutrido: em um País em que a eletricidade no começo do século XX era parca até na capital federal, ele só estourou quando ela se estabilizou. Depois, ele cambaleou um tanto, deglutiu o invasor estrangeiro feito um índio antropofágico, entrou em coma, foi ressuscitado e ainda padece da desconfiança conterrânea.
Três livros recém-lançados esbarram nesse percurso tumultuado: Uma situação colonial? (Companhia das Letras, 544 págs., R$ 79,90), de Paulo Emílio Sales Gomes; A odisseia do cinema brasileiro (Companhia das Letras, 592 págs., R$ 89,90), de Laurent Desbois; e Cinema de invenção (Azougue, 332 págs., R$ 40,60), de Jairo Ferreira.
A organização dos textos de Paulo Emílio, morto em 1977, ficou a cargo de seu ex-aluno, o professor de cinema da USP Carlos Augusto Calil, que assina o posfácio de Uma situação colonial?.
Fundador da Cinemateca e o maior pensador do cinema no Brasil, Paulo Emílio reflete sobre aspectos da produção brasileira em tópicos: entraves da produção, necessidade de criar um acervo para preservação do audiovisual e a emergência do cinema novo - movimento com o qual acabou tendo embates. "Paulo Emílio foi mal lido porque é sutil, complexo", diz Calil. "Esse livro é um roteiro de leitura que ajuda a acompanhar o seu pensamento."
Estão na obra, por exemplo, o ensaio que talvez seja o mais conhecido do teórico paulistano, Cinema: trajetória no subdesenvolvimento, publicado em 1973, que reflete sobre as peculiaridades da produção brasileira e sua "incompetência criativa em copiar". "(O livro) Não é uma lição sobre cinema, é sobre Brasil", conta Calil. "Nele, Paulo Emílio está pensando em problemas brasileiros e que o cinema não foi capaz de resolver."
Publicado originalmente na França, A odisseia do cinema brasileiro faz uma reflexão enciclopédica e cronológica desse percurso, sob o ponto de vista estrangeiro e algo condescendente do pesquisador Laurent Desbois. Ex-colaborador dos Cahiers du Cinéma, o francês radicado no Rio de Janeiro reconstitui uma trajetória que vai da Atlântida, companhia cinematográfica responsável pelas chanchadas dos anos 1940 e 1950, até os primeiros louros internacionais colhidos pelo cinema da retomada, entre os anos 1990 e 2000.
Desbois, que nas páginas não esconde deslumbre com as obras brasileiras, aventa algumas hipóteses para a relativa pouca fama de que o cinema nacional goza lá fora. "Pode ser um complexo de inferioridade", relata. "Não têm ousadia de inventar: imitam os americanos e os europeus e acabam não se impondo."
O que há de visão outsider em Desbois encontra o seu duplo insider em Jairo Ferreira. Jornalista e ex-colaborador da Folha, Ferreira, morto em 2003, foi diretor e roteirista no contexto que ele retrata no livro: o cinema marginal, que floresceu à sombra da ditadura como resposta radical ao cinema novo, cada vez mais alienado do público.
Publicado pela primeira vez em 1986, Cinema de invenção é um inventário pessoal de diretores como Rogério Sganzerla, Ozualdo Candeias e José Mojica Marins. "O movimento era tudo menos organizado", diz o diretor Paulo Sacramento, que organizou a reedição e acrescentou anexos informativos. "Jairo foi quem teve a sacada de organizar aquilo tudo, mas de forma nada acadêmica."
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