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Porto Alegre, quarta-feira, 16 de novembro de 2016. Atualizado às 07h14.

Jornal do Comércio

Economia

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Tecnologia

Notícia da edição impressa de 16/11/2016. Alterada em 16/11 às 08h18min

Novas tecnologias desafiam mercado de trabalho da TI

Era digital traz novas demandas por conhecimentos dos profissionais de TI

Era digital traz novas demandas por conhecimentos dos profissionais de TI


DIVULGAÇÃO/JC
Patricia Knebel
Inteligência artificial, realidade aumentada, blockchain, drones, Internet das Coisas (IoT), robôs, impressão 3D são tecnologias que vão mudar os negócios nos próximos anos. Os impactos serão ainda maiores se pensarmos que vão atingir em cheio o mercado de trabalho, a partir da demanda pela criação de novas categorias profissionais - e do fim de outras.
É mais um desafio para as empresas de Tecnologia da Informação (TI) nessa seara. Isso porque, se por um lado traz oportunidades para a realização de novos projetos e negócios, por outro exige formação rápida dos profissionais, e para tecnologias que ainda são muito recentes.
Aliás, a equação entre a necessidade de mão de obra para a TI e a oferta já não fecha faz tempo. O setor emprega 1,3 milhão de pessoas, de acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Nos próximos quatro anos, o Brasil irá precisar de 750 mil profissionais.
Durante os últimos anos, a balança esteve muito desfavorável para as empresas. A oferta de vagas era enorme e a rotatividade dos profissionais também, comenta o presidente da Associação dos Usuários de Informática e Telecomunicações (Sucesu-RS), Daniel Scherer. Jovens profissionais, em pouco tempo, já se sentiam sêniors e as companhias, consequentemente, precisavam promovê-los constantemente e oferecer melhores salários, sob pena de perdê-los para os concorrentes e prejudicar o andamento de projetos.
"Com a crise econômica, esse cenário mudou. O mercado de trabalho de TI melhorou na medida em que essa situação se estabilizou. Hoje valorizamos quem merece, dentro do tempo certo", comenta.
Se nesse aspecto a situação se acalmou, agora vem a necessidade de preparar todos esses profissionais para as tecnologias que chegam em uma velocidade avassaladora.
"Existem menos profissionais disponíveis do que o mercado precisa e um número ainda menor de pessoas experientes em algumas tecnologias. Então, temos que atuar forte também em formação, contratando pelo conhecimento e pelo potencial", avalia o sócio e diretor responsável pela Gestão de Pessoas e Consultoria da DBServer, Eduardo Meira Peres.
Durante todo o ano, a companhia, sediada no Tecnopuc, precisou gerenciar o fato de ter sempre de 30 e 40 vagas em aberto, mesmo com uma performance de conseguir contratar dez novos colaboradores por mês.
São poucas pessoas disponíveis e muitas empresas disputando os bons profissionais de TI, então, atraí-los tornou-se um exercício de criatividade. A DBServer sabe bem disso e vem realizando uma série de iniciativas interessantes.
Uma delas é a indicação premiável, em que oferece bônus de R$ 1 mil para quem indicar o profissional que conquistar a contratação em algumas vagas. "A indicação pelos colaboradores é a nossa principal fonte de recrutamento e com a vantagem de que costuma ser bastante confiável", comenta.
Treinamentos gratuitos, palestras nas universidades e a realização de Hackathons são algumas das iniciativas realizadas continuamente para que as pessoas conheçam os valores e o ambiente de trabalho da DBServer.
A empresa também tem uma cultura muito voltada para a diversidade - 33% dos seus 400 profissionais são mulheres. "Somos uma empresa centrada nas pessoas e os profissionais sentem isso. Esses dois fui procurado por três jovens que, depois de uma palestra, me falaram que tinham como objetivo de carreira trabalhar na DBServer. Isso é muito legal", diz Peres, orgulhoso.
O desafio de preparar mais pessoas para atuarem em um mercado em efervescência como o de tecnologia vem sendo sentido também pelas instituições de ensino. "Além de conseguir capturar novos talentos para a formação em tecnologia, o mundo acadêmico precisa contemplar de alguma forma o ensino dessas novas tecnologias", analisa o presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), Lisandro Zambenedetti Granville.
Os cursos de computação clássicos dão uma boa base, porém, esses profissionais precisam de cada vez mais conhecimentos que vão além do que o curso convencional oferece. Alguém interessado em atuar na área de games, por exemplo, precisa ter noções também de cinema e design para montar telas dos jogos. E são temas que, no cerne dos cursos de computação, não são tratados. "Alguém tem que conseguir dar conta desse tipo de profissional, que hoje é formado meio reativamente. As oportunidades se apresentam e as pessoas vão se capacitando como dá", observa.

Pesquisa mostra que profissionais querem fazer a diferença

Em postos mais altos, o maior incentivador é o propósito, diz Scherer
Em postos mais altos, o maior incentivador é o propósito, diz Scherer
DIVULGAÇÃO/JC
Os profissionais de TI se motivam ao saber que os produtos e soluções que desenvolvem estão sendo usados pelas pessoas e que podem fazer a diferença para o mundo. Essa foi uma das conclusões de trabalho realizado pelo empresário e presidente da Sucesu-RS, Daniel Scherer, projeto final do seu MBA em Recursos Humanos.
Ele escolheu o tema motivação das equipes de Tecnologia da Informação e Comunicação e ouviu 140 colaboradores de TI, entre CIOs e demais profissionais. O salário (12,2%) foi considerado o principal fator motivador, seguido de reconhecimento (11,5%), ambiente de trabalho (10,9%), respeito (10,6%) e benefícios (10,5%).
Porém, apesar de a pesquisa mostrar que o salário está no topo, a maioria (63%) trocaria seus empregos atuais por outro mais empolgante mesmo com salários menores. "O dinheiro é um fator motivador, mas apenas porque ele é a base da necessidade. Nos postos mais altos, o que mais motiva os profissionais de TI é o propósito", observa Scherer.

Evasão de alunos das faculdades de computação impacta formação de pessoal especializado

Um questão que sempre impacta o mercado de trabalho na área de TI é a lacuna entre o número de pessoas que costuma entrar nas faculdades de computação e as que, de fato, se formam. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), Lisandro Zambenedetti Granville, uma das explicações para isso é a dessincronia entre expectativa dos jovens e a realidade.
"Os alunos tendem a ter visão mais romântica da área e acabam se frustrando. Eles não sabem que precisam primeiramente entender os fundamentos básicos da computação e acham que mal vão começar o curso e já aprenderão como desenvolver aplicativos para smartphones", comenta.
Justamente para aumentar o conhecimento das pessoas sobre esse mercado, uma das bandeiras da SBC é que a computação comece a ser introduzida na educação básica. É uma forma de fazer com que os alunos tenham uma percepção mais correta do que é a computação e assim, tomem uma decisão de carreira mais consciente.
Sem falar que, mesmo que o aluno opte por outra área de atuação, o raciocínio computacional será um conhecimento adquirido que servirá para qualquer outra profissão. "Ao entender como funciona a lógica do pensamento, eles serão melhores profissionais independentemente da carreira que seguirem", defende Granville.
Alguns países, como os Estados Unidos, tem avançado nos projetos de inserção do ensino de computação nas escolas. Por aqui esse processo é mais lento. "No Brasil temos tentado introduzir isso na base curricular nacional, mas os avanços não são rápidos e intensos como a gente gostaria, até porque, existe uma disputa por espaço nas grades curriculares", avalia.
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