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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de outubro de 2016. Atualizado às 14h43.

Jornal do Comércio

Política

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Eleições 2016

Notícia da edição impressa de 31/10/2016. Alterada em 31/10 às 15h46min

Eleição em Porto Alegre teve número recorde de votos nulos, brancos e abstenções

Lívia Araújo
O volume de abstenções, além de votos nulos e brancos, em Porto Alegre no 2º turno do pleito foi recorde: 39,48% do eleitorado optou por não escolher um candidato à prefeitura. Em números absolutos, foram mais eleitores do que os apoiadores de Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que, considerando todo o eleitorado fez 36,6% dos votos; Sebastião Melo (PMDB), 23,9%.
No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, abstenções, brancos e nulos também superaram os votos recebidos pelos prefeitos eleitos.
O número em Porto Alegre se ampliou inclusive em relação ao primeiro turno, que teve 34,8% de "não votos". A parcela do eleitorado que não compareceu às urnas ou rejeitou os nomes disponíveis vem gradualmente crescendo ao longo dos anos na Capital.
Para a presidente do TRE-RS, Liselena Schifino Ribeiro, o número de nulos, brancos e abstenções poderia ter eleito qualquer prefeito no Rio Grande do Sul. Liselena relaciona o crescimento das abstenções a uma crise política no País. "Isso é reflexo da falta de interesse da população na política."
Dos quatro pleitos em segundo turno na Capital nos anos 2000, este é o que apresentou a maior "negação" ao voto. Em 2000, eleição em que Tarso Genro (PT) venceu com 63,5% dos votos válidos, a soma de votos brancos, nulos e abstenções foi de 182.461, correspondendo a 19% do eleitorado da época.
Em 2004, quando José Fogaça (PMDB) conquistou 470.696 votos, a opção pelo "não voto" foi apenas um pouco maior: 19,4% do eleitorado, com 196.079 abstenções, brancos e nulos.
Em 2008, na reeleição de Fogaça, 23,13% do eleitorado ou 240.390 pessoas optaram por votar em branco, nulo ou se abster. O "não voto" cresceu 22,6% em relação a 2004.
Em 2012 não houve segundo turno - José Fortunati (PDT) foi eleito no primeiro turno com 65,2% dos votos válidos.
Em 2016, a marca de nulos, brancos e abstenções no segundo turno subiu vertiginosos 80,4% em relação a 2008.
No Brasil, a soma de brancos e nulos foi de 13,3% em todo o País. Em 2012, o índice foi de 9,2%.
A abstenção no pleito municipal deste ano aconteceu inclusive entre dois ex-presidentes brasileiros: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), respectivamente, não foram às urnas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e em Porto Alegre.
No âmbito legal, são apenas os votos válidos que têm voz para a eleição ou rejeição de um candidato. Porém a diminuição gradual da intenção de voto, ou seja, o aumento do número de pessoas que abrem mão de escolher um candidato específico - dado o contexto de descrença na política representativa - passa justamente a mensagem de que há algo de errado com o sistema político atual no Brasil, e de que este precisa, no mínimo, ser discutido e revisto.
Um dos pontos mais questionados por candidatos e pela população é o sistema de coalizão, presente nas esferas federal, estadual e municipal. O formato reúne partidos diversos em torno de uma candidatura a fim da obtenção de maior divulgação e exposição do cabeça de chapa, e tem como contrapartida inicial a distribuição de cargos no Executivo (os chamados cargos em comissão - CCs) a esses correligionários.
Romper com esse modelo clientelista de indicações políticas, dando espaço a quadros técnicos é uma das iniciativas necessárias para que a população possa voltar a crer na política.
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