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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de outubro de 2016. Atualizado às 08h18.

Jornal do Comércio

Geral

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Saúde

Notícia da edição impressa de 31/10/2016. Alterada em 30/10 às 23h19min

Experiência somática ajuda a aliviar traumas, diz Russell Ira Jones

Trabalhar os sistemas fisiológicos pode mudar comportamentos, afirma Russell Ira Jones

Trabalhar os sistemas fisiológicos pode mudar comportamentos, afirma Russell Ira Jones


JC
Suzy Scarton
O terapeuta e especialista em experiência somática Russell Ira Jones é discípulo de Peter Levine, o idealizador da abordagem que trata e previne os efeitos do trauma.
Norte-americano, Jonas, como prefere ser chamado, mora atualmente em Florianópolis, em Santa Catarina, e foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Trauma, na década de 2000. Oferecendo um tratamento livre de medicamentos e, por consequência, de efeitos colaterais, Jonas explicou ao Jornal do Comércio quais as vantagens em relação à psicoterapia.
Jornal do Comércio - Qual a diferença entre o tratamento somático e a psicoterapia?
Russell Ira Jones "Jonas" - A experiência somática quer dizer "através do corpo". Começa pelo acesso físico, fisiológico, a todos os sistemas, especialmente o sistema nervoso autônomo, responsável por todas as atividades essenciais para a sobrevivência, como respiração, circulação, digestão. Costumamos dizer que essas abordagens vêm de baixo para cima, enquanto a psicoterapia, a psicanálise tradicional é de cima para baixo, atuando no córtex, a sede do entendimento e da razão, e assim entrando em contato com todos os outros sistemas. E a somática aborda pela fisiologia, acessando os sistemas e causando uma reação na parte emocional e psicológica. Nem sempre o que ocorre no corpo causa efeitos no cérebro, e nem sempre o que pensamos ou imaginamos tem influência no corpo. O que tem se comprovado em estudos recentes é que esse trabalho nos sistemas fisiológicos pode mudar o cérebro e alterar comportamentos e hábitos.
JC - A metodologia aplicada também se baseia no diálogo?
Jonas - Sempre há um diálogo, mas a experiência somática não foca os motivos. Nossa parte cognitiva quer saber os motivos pelos quais algo ocorreu, e é possível alcançar essa resposta, mas pode-se levar anos. Preferimos trabalhar com base nas sensações, com o que alguém está sentindo, por exemplo, quando está ansioso ou entra em pânico, e acessando essas emoções aos poucos, devagar, e deixando "descarregar", ou seja, permitindo que o sistema se acalme. Claro que usamos o diálogo para que a pessoa descreva o que pensa ou o lembra, mas a ideia é não se focar os pensamentos. Em vez de provocar as sensações, podendo piorar o trauma, entramos em contato suavemente. É preciso entender a delicadeza com que se deve abordar aquele sobrevivente ao trauma. Se perguntar logo "você lembra do assalto?", a pessoa já entra em congelamento e piora, ou fica com aquilo ainda mais preso dentro de si.
JC - Qual o tipo de trauma mais difícil de tratar?
Jonas - Os mais difíceis são os repetitivos, como crianças que foram abusadas por anos. Isso é mais delicado do que tratar de uma pessoa que sofreu um acidente ou enfrentou uma doença, por exemplo. Depende muito da situação, dos sintomas e das próprias características das pessoas. Há todos os tipos de pessoas com traumas, com sintomas específicos, como ansiedade, dificuldade de sair de casa ou de falar em público, ou medo de dirigir. Esses são sintomas específicos, mas existem aquelas pessoas com problemas mais gerais, com dificuldades em tudo, em se expressar, em digerir alimentos. Nosso sistema é muito bem desenvolvido. O sistema nervoso simpático estimula as reações de fuga, de luta, enfim, respostas às situações de estresse, e o sistema nervoso parassimpático se encarrega de acalmá-las. O que acontece com a pessoa que sofreu um trauma é que o sistema nervoso simpático nunca desliga, e as sensações ficam presas, congeladas. Assim, tratamos de renegociar o trauma, acessando-o aos poucos para que as reações possam ser descarregadas e para que o sistema possa voltar a fluir de forma saudável.
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