Fernanda, do Ritter Hotéis, e os relógios do avô (Renato), com quem aparece abaixo Geração E - Matéria sobre sucessão em empresas, com Fernanda Ritter, herdeira do hotel. Foto: Marcelo G. Ribero

Quando os filhos dão continuidade aos negócios

Como o processo de sucessão acontece na vida de três jovens gaúchos de diferentes regiões do Estado

O ambiente de trabalho de Fernanda Ritter, 26 anos, não traz apenas lembranças profissionais. Ela mantém vivos na mente momentos de folia, quando pulava nas camas e dormia nos cômodos que hoje recebem seus clientes. A jovem, formada em Hotelaria, é até agora a única sucessora interessada em seguir a tradição do negócio familiar de mais de quatro décadas: o Ritter Hotéis, localizado bem em frente à rodoviária de Porto Alegre.
O passado de Fernanda está na lembrança, também, de alguns funcionários que a viram crescer. "Às vezes, essa realidade me assustava. Quando entrei, foi muito difícil. Três pessoas, que estão desde a fundação, me viram na barriga da minha mãe", dimensiona. A imagem de menina, no entanto, vai sendo substituída pela da empreendedora que fez faculdade, trabalhou em uma rede internacional, teve uma experiência na Nova Zelândia e agora cursa pós-graduação. Ou seja, não se trata mais só da filha de Ricardo Ritter, 60.
"Ela trilhou um caminho bem sólido para manter o Ritter uma referência em hospedagem aqui no Rio Grande do Sul", emenda Ricardo, que também teve a missão de assumir a operação, fundada por seu pai e seu tio. Atualmente, a marca é a terceira preferida do ramo na Capital, conforme a plataforma Trip Advisor.
Há três meses, Fernanda é gerente-geral do local, que conta com duas torres, totalizando 237 apartamentos. Diferentemente de seu pai, ela sabe o nome dos 90 funcionários. Isso porque tenta criar uma cultura de humanização em todas as frentes.
Com os clientes e possíveis contratantes dos espaços para eventos, divide as histórias da família e mostra os vários relógios de seu avô espalhados pelos corredores. Quando vê, em meio a tantas narrações, fecha negócios. Com os colaboradores, surge afeto. "A morte que mais senti na vida foi a do seu Santos Divino, que trabalhou aqui desde a abertura. Ele vinha todos os dias, não tinha jeito", lembra.
Cada pedaço do hotel, destaca Fernanda, é como se fosse parte dela. "Saber separar a emoção da razão foi muito difícil. Não gostava quando via desperdício e desinteresse, mas tive que amadurecer essas ideias para ter sucesso profissional", interpreta.
A jovem conhece amigos que estão na mesma situação e que acham que trabalhar com a família pode gerar conflitos. Para ela, no entanto, tudo é uma questão de entendimento. "Por admirar muito meu pai e meu avô, enxerguei isso como desafio, e não como um problema."
Cada geração tem suas características de mercado, e na de Fernanda tem prevalecido a questão de concorrência com novos players, como hostels, flats e Airbnb. Atenta a isso, ela sabe que desde o ano passado já fecharam 10 hotéis em Porto Alegre e que a tradição tem um poder incrível nesse contexto. Cerca de 75% dos hóspedes do Ritter são do interior do Estado, o que a deixa animada sobre o presente e com brilho nos olhos perante o futuro.
Fernanda Ritter com seu avô

Família tranquila com a escolha espontânea

1362528 Sempre juntos: Nicolas e seu pai, Guaraci, tocam a Rota Sistemas de Segurança, em São Borja Foto: JC
Fundada há 17 anos em São Borja, a Rota Sistemas de Segurança tem a missão de proporcionar qualidade de vida e tranquilidade às pessoas. E se depender da vontade de Nicolas Rizzon Pletsch, 24 anos, a família pode ficar tranquila também, pois ele está disposto a continuar essa história de empreendedorismo.
A escolha por assumir a empresa, fundada por seu pai, Guaraci, em 1999, não foi uma questão de acomodação, diz ele. "Voltei pelo crescimento, para ter resultado", garante Nicolas, que morou na Inglaterra para estudar inglês e trabalhou por um ano em uma multinacional do ramo da Tecnologia na Índia antes de virar gerente operacional do negócio na terra natal. A Rota, hoje, tem 52 funcionários e trabalha com monitoramento de casas e empresas - inclusive por sistema remoto. Há clientes no Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. Um dos diferenciais é a inclusão de serviços como alimentação de animais, rega de plantas e recolhimento de jornais enquanto os clientes viajam.
A empresa da família está presente na história de Nicolas desde muito cedo. Formado em Administração de Empresas com ênfase em Sucessão, pela Pucrs, o rapaz lembra que ficava na Rota quando os pais saíam para jantar - já que funciona 24 horas por dia. "Me viram pequeno, e hoje sou chefe da área deles", diverte-se, referindo-se a alguns funcionários.
A irmã de Nicolas, Rachelle, 9, está passando por esse mesmo processo de aproximação com o negócio. "Diz ela que quer ser gerente de marketing. O pai a traz para a empresa todo sábado de manhã, já está sendo instigada", conta Nicolas. Para "ajudar" ainda mais nesse processo, a mãe dos dois, Magda, é gerente administrativa.
E a convivência com as mesmas pessoas em casa e no trabalho gera, sim, discussões, mas a família sabe separar os assuntos. "Eu e meu pai ainda batemos muito de frente, discordamos. Como ele é o fundador, tenho que respeitar a opinião dele, mas acho legal termos discussões, e conseguimos separar bem. Saímos da empresa e, em casa, é como se nada tivesse acontecido", descreve.
Nicolas Rizzon

O gosto pelos cookies está no sangue

1362832 A fábrica de Canela, que viu João crescer, tem uma produção de 500 toneladas de biscoitos por mês Foto: FOTOS Arquivo Pessoal/JC
João Paulo Peres, 25 anos, filho dos fundadores da Dauper Biscoiteria, de Canela, chegou a se perguntar sobre sua importância na empresa. Ele não queria assumir um cargo de gerência sem estar preparado e acabar gerando comentários de que só estava ali "por ser filho do dono". Tanto que, depois de ter crescido em meio ao negócio da família, chegou a sair da corporação - mas só por dois meses.
"Trouxemos um gerente novo, e o pessoal não se adaptou. O gerente industrial pediu para eu voltar, e isso me tranquilizou", conta.
Hoje, João tem confiança para tocar suas responsabilidades na planta de cerca de 7 mil metros quadrados, que deve faturar R$ 65 milhões em 2016, e que cresce entre 25% e 30% ao ano. A história da Dauper, fundada por Ana e Marcio Peres, em 1988, surgiu após o casal ter morado nos Estados Unidos e se apaixonado por cookies. E a empreitada começou com um cliente bastante desafiador: o McDonald's. Por uma década, até o ano 2000, foi fornecedora exclusiva da multinacional no País.
Depois desse período, diversificou a produção terceirizada, incluindo nomes como Nestlé, Unilever, Cacau Show, Pão de Açúcar, Dia, entre outros. São feitas cerca de 500 toneladas de biscoitos por mês. A planta funciona em todos os turnos e emprega 250 pessoas. Há três anos, foi comprada pelo fundo de investimento Innova.
Embora João não tenha trabalhado em outros lugares, a maturidade e a formação em Administração de Empresas o estimularam a abrir um negócio próprio que o aproxima de outra paixão, o campo. As sobras dos biscoitos de Canela são transformadas em ração para gado.
João Dauper

E OS VÍDEOS?

CALMA, CALMA QUE DAQUI A POUCO PUBLICAREMOS NOSSOS CONTEÚDOS MULTIMÍDIAS - QUE ESTÃO SENDO PROCESSADOS. :) #vaitervídeo
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Comentários ( 1 )
  1. Kivale

    ... tá legal a matéria! Sinal de que os descendentes são capazes. Coisa rara. Embora a família RITTER (e agregados) deixe a desejar. O casal/tri atípico _ nem sei ainda como vivem juntos.

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