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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de outubro de 2016. Atualizado às 14h53.

Jornal do Comércio

Seguros & Previdência 2016

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REPORTAGEM ESPECIAL

Notícia da edição impressa de 31/10/2016. Alterada em 31/10 às 15h57min

Lavoura menos exposta ao prejuízo

Totalidade da área agricultável do Brasil segurada não chega a 15%

Totalidade da área agricultável do Brasil segurada não chega a 15%


PEDRO REVILLION/PALÁCIO PIRATINI/JC
Fora das áreas urbanas um segmento em especial exibe tendência de demanda cada vez maior no mercado de garantias para o negócio: o seguro rural. Hoje, de acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) - que recentemente lançou uma cartilha para divulgar e esclarecer o produto, menos de 15% de toda área agricultável do Brasil está segurada. Apesar de haver crescimento da procura, o percentual de usuários ainda é muito pequeno frente ao mercado existente. Mas há evoluções: desde 2006, o número de culturas cobertas no País saltou de 25 para 80. Eram menos de 26 mil agricultores segurados e, hoje, eles somam 118 mil. Além disso, os cerca de 1 milhão de hectares segurados em 2006 evoluíram para 12 milhões em 2015, segundo dados divulgados pelo Sistema da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep), em parceria com a FenSeg e com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
Os dados divulgados pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) sobre o segmento revelam tanto as possibilidades de expansão quanto a pouca penetração no setor. O seguro rural apresentou crescimento nominal de prêmio acentuado de 58,6% de janeiro a junho de 2016, evidenciando maior independência da sua contratação à subvenção do governo, cuja estimativa para 2016 é 60% menor - R$ 400 milhões - que a do ciclo anterior.
Para Antônio da Luz, economista da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), esse percentual de crescimento pelo seguro privado revela apenas uma base muito pequena de adesão. "O crescimento se dá em uma base baixa, por isso é tão expressivo. O maior problema é a instabilidade do governo em fazer sua parte. Uma hora anuncia aporte de R$ 700 milhões para o seguro rural, depois reduz, depois muda de novo. Além do custo, essa falta de estabilidade desestimula e, muitas vezes, impede o produtor de assegurar a sua lavoura", diz o economista.
Presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Wady Cury concorda que é necessária a estabilidade de regras para que o seguro rural possa progredir em um novo horizonte. Segundo ele, às vezes as companhias seguradoras têm dificuldade para realizar um planejamento de operação mais detalhado em curto e médio prazo. "É necessário ter peritos, uma estrutura operacional, e as regras do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em relação ao produto são fundamentais, não só em relação aos valores a serem concedidos, mas, principalmente, em relação ao acesso dos recursos de subvenção, em que momento eles estarão disponíveis para que as companhias possam encaminhar as suas apólices e para saber se esses agricultores tiveram ou não acesso à subvenção", diz Cury. "Tudo isso nos traz grandes desafios. Os valores são importantes, mas para o mercado segurador é fundamental que haja regras estáveis", completa.
Para o diretor executivo da FenSeg, Julio Cesar Rosa, plantar sem garantias é uma aventura perigosa, à qual o produtor não pode se sujeitar. "E a ferramenta é necessária não apenas ao produtos mas ao desenvolvimento do País", ressalta.
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