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Porto Alegre, segunda-feira, 14 de novembro de 2016. Atualizado às 16h24.

Jornal do Comércio

Seguros & Previdência 2016

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Tendências

Notícia da edição impressa de 31/10/2016. Alterada em 08/11 às 12h44min

Sobre rodas seguras

Para Martins, o mercado de bikes é um desafio porque a bicicleta não é um produto emplacado

Para Martins, o mercado de bikes é um desafio porque a bicicleta não é um produto emplacado


Arquivo Pessoal/Divulgação/JC
Ciclista e corretor de seguros, Paulo Renato Martins, 53 anos, dedicou seis meses de pesquisa, visitas a São Paulo e muitos cálculos para chegar a um produto ideal ao seu próprio hobby: pedalar. Apesar do número crescente de bicicletas nas ruas, ainda não fácil achar um seguro para esse bem (e este esporte). O motivo maior, diz o presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio Grande do Sul (Sindseg-RS), Pedro Moreira Garcia, é a dificuldade de se precaver de fraudes no setor. "O mercado de bikes é um desafio, porque a bicicleta não é um produto emplacado, como uma moto ou um carro, que se tenha registro e controle. Então, é muito fácil de simular um roubo, por exemplo. Mas é um produto com grande demanda, e quem tem que achar uma solução para essa dificuldade e encontrar uma forma de viabilizar o produto é o próprio setor", ressalta Garcia, também um ciclista ativo.
Martins, sócio-gerente da Ábaco Seguros, primeiro tentou chegar a uma equação que se torna viável o valor de um seguro para bicicleta para o usuário e para o próprio corretor. Acabou achando que pagaria para trabalhar, dados os riscos. A fraude era o maior risco, diz Martins. "A maioria dos seguros que eu conhecia não cobria quebra do produto. No caso de ter estragado a bicicleta, seria muito fácil simular o crime, se livrar dela e pegar o seguro. Pelo preço, minha margem seria muito pequena, e logo a conta não iria fechar" analisa o sócio-gerente da Ábaco, que não desistiu.
Em procura por sites de grandes companhias com a quais pudesse fechar parcerias, Martins esbarrava sempre no mesmo produto: algo vinculado à bike, como no caso de cobertura a roubo de residências - operado, por exemplo, pela Porto Seguro e que anuncia a proteção da bike como um diferencial -, mas nada específico e mais amplo. Acabou trazendo para a empresa um seguro da Argos, com o qual se identificou, como corretor e como ciclista. Pouco depois de lançar o produto no mercado, teve a própria bicicleta furtada - e ainda não havia feito seguro.
"Estava no supermercado, com a bicicleta em cima do carro e, quando voltei, a tinham levado. E sei de mais casos com o meu. O roubo de bicicleta é alto, todo dia tem relato, apesar de nem tudo ser registrado. O que para o setor é ruim, porque há falta de estatística real", diz Martins.
Entre as consultas que já recebeu para o produto não há apenas casos de pessoas que foram vítimas de crimes, mas também de acidentes. Com as ruas mal conservadas, motoristas desrespeitosos e imprudentes com os ciclistas, poucas ciclovias (e mesmo estas, em más condições), os clientes também têm buscado seguro para possíveis danos físicos do esporte. O empresário conta que recebeu pedidos de cotações, por exemplo, de uma médica que havia caído de bicicleta, porque a roda prendeu em um buraco. "A manutenção das vias é um fator de risco enorme. Essa médica que me procurou chegou a ficar de cadeira de rodas por tempo, devido à gravidade do caso."
Conforme Martins, o mercado para o setor de seguros, no entanto, está não apenas no grande público amador, que cresce dia a dia, mas também no esportista. Ele explica que, enquanto uma bicicleta comprada para lazer custa até R$ 5 mil, os equipamentos para profissionais vão a R$ 10 mil. Em caso de necessidade de uso, o ciclista pagará um taxa de franquia equivalente a determinado percentual do patrimônio assegurado e avaliado por vistorias e fotos. O profissional, diz Martins, costuma ter menos danos do que o ciclista que pedala por hobby, já que o atleta costuma cuidar melhor do equipamento. Aos usuários comuns os riscos devem seguir em alta, avalia o empresário. "Recentemente, a prefeitura de Porto Alegre ainda reduziu o número de quilômetros de ciclovias previsto para fazer na cidade. É uma pena, porque tem cada vez mais gente pedalando nas ruas, por hobby e como meio de locomoção mesmo."

Inexistência de norma e perigo no ar

Drones são usados para monitoramento de áreas
Drones são usados para monitoramento de áreas
AGÊNCIA PREVIEW/JC
Os veículos aéreos não tripulados (vants), ou drones, como são mais conhecidos, também estão na mira das seguradoras, assim como cada vez mais nas mãos dos brasileiros. Em agosto deste ano, o tema chegou a ser assunto de destaque durante o 5º Encontro de Resseguro do Mercado Segurador. Na ocasião, foi realizado um painel com a participação do vice-presidente e gerente de aviação da seguradora especializada em seguro de aviação XL Catlin, Tony Trost.
Usados para lazer e para trabalho (como de monitoramento, até mesmo em áreas rurais), os drones são silenciosos, leves e fáceis de usar. Devido à versatilidade e ao preço acessível, multiplicam-se e impõem desafios regulatórios para sua operação com segurança, abrindo um grande mercado em potencial para o setor segurador, de acordo com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).
Cabe à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a regulamentação, que em 2015 propôs uma norma em que, para operações civis, o piloto deve ser maior de 18 anos e contratar um seguro com cobertura de danos a terceiros. Já os órgãos de segurança pública e defesa civil poderão operar aeronaves guiadas a distância em qualquer área sob sua responsabilidade, também necessitando de seguro com cobertura de danos a terceiros. Mas, apesar do incentivo à contratação de seguro na proposta da Anac, a inexistência de norma publicada é uma das razões para que muitas seguradoras ainda não tenham entrado nesse mercado, apesar de a procura ter aumentado.

Cuidado com os danos a terceiros

Outro segmento bastante adaptado às novas realidades é o seguro de Responsabilidade Civil, com amplo leque de produtos. O principal objetivo é a proteção do patrimônio do cliente caso ele venha a ser responsabilizado, judicialmente ou por meio de reclamação direta, por ter causado danos materiais, corporais ou morais involuntários a terceiros.
Conforme o diretor de marketing do Sindicato dos Corretores de Seguros do Rio Grande do Sul (Sincor-RS), André Thozeski, Além da responsabilidade civil profissional, esse tipo de seguro deve ser cada vez mais aceito como apêndice de seguros convencionais, como de residência. Enquanto o seguro profissional pode ser feito por trabalhadores com habilidades bem específicas e regulamentadas (como advogados, dentistas, contadores e até proprietários de cartórios), há modalidades que protegem, por exemplo, o dono de uma residência com cachorro, para o caso de ataque do animal a outros.
"Por pouco dinheiro a mais no seguro de residência, o consumidor também pode ter essa proteção", explica Thozeski. Ainda seguindo o exemplo do cão que causa danos a terceiros, o caso pode ser ainda mais grave se o ataque for a um profissional da saúde, por exemplo. Se ele ficar impossibilitado de trabalhar, como no caso de um cirurgião, o consumidor terá um custo alto a pagar por perdas desse trabalhador.
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Comentários
Ivan Netto 14/11/2016 16h08min
O nome do presidente do Sindicato das Seguradoras está errado na matéria... O Pedro Moreira Garcia é diretor da entidade. O presidente é o Guacir de Llano Bueno.