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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de outubro de 2016. Atualizado às 08h58.

Jornal do Comércio

Economia

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Investimentos

Notícia da edição impressa de 31/10/2016. Alterada em 31/10 às 09h59min

Após três anos no vermelho, Bovespa deve crescer com investidores pessoa física

Até o fechamento de sexta, o Índice Bovespa acumulava ganhos de 48,35% em 2016

Até o fechamento de sexta, o Índice Bovespa acumulava ganhos de 48,35% em 2016


Miguel Schincariol/AFP/JC
A Bovespa deve encerrar 2016 com um retorno positivo depois de três anos no vermelho, e essa perspectiva já começou a atrair pessoas físicas para a renda variável. Até o fechamento da última sexta-feira, o Índice Bovespa acumulava ganhos de 48,35% em 2016.
Assim, em um ano, a participação de investidores individuais no volume total de recursos negociados na Bolsa passou de 12,8% para 19%, segundo dados de setembro. Porém, no mesmo período, o número de contas cadastradas nessa categoria teve um comportamento inverso e recuou 0,32%.
Esse movimento é interpretado como o início de uma discreta migração para a renda variável. "Desde maio, o investidor moderado está optando por alocar um pouco mais de seus recursos na Bolsa", afirma o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido. Ele explica que o afastamento e o desfecho do processo de impeachment de Dilma Rousseff motivaram essa busca.
O corte nos juros - o primeiro em quatro anos -, as reformas fiscais em discussão no Congresso e o otimismo quanto à melhora da economia influenciam o apetite maior pela aplicação. No entanto, para o sócio-diretor da Easyinvest Márcio Cardoso, a renda fixa continua atraente. "Ainda temos uma Selic de 14% ao ano", destaca.
"O perfil desse investidor é o de quem está na casa dos 30 anos e busca complementar sua renda", diz Raphael Figueredo, analista da corretora Clear. A simplificação do acesso às plataformas de negociação e o volume de informações divulgadas sobre investimentos também favorecem a busca por aplicações além do Tesouro Direto, completa Figueredo.
A estratégia de antecipar os movimentos do mercado fez com que o servidor público Daniel Pontoni vendesse boa parte de suas ações neste mês. Ele, que se cadastrou em uma consultoria de investimentos e definiu metas para seus ganhos, vinha adquirindo papéis de empresas de vários setores desde o final do ano passado e aproveitou boa parte da alta do Ibovespa neste ano. "Estácio e Kroton foi uma novela. Investi em ambas as empresas de educação antes da fusão e vendi as ações depois, na alta", exemplifica.
Esse comportamento está longe do usual, pois o público costuma ser atraído nos movimentos de alta. "Uma perda de 5% representa pouco para quem já ganhou quase 50% no ano. Mas para quem acabou de entrar, é significativa", diz Marcos Navarro, planejador certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (Ibcpf). Para quem deseja investir na Bolsa, ele recomenda comprar aos poucos produtos que acompanham o rendimento do Ibovespa, como o Exchange Traded Fund (ETF), que reproduz o comportamento da carteira de ações do índice.
"A Bolsa ainda está muito barata em termos históricos", diz o administrador de investimentos Fábio Colombo. Mais ganhos, porém, dependem dos cenários político e econômico.
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