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Porto Alegre, segunda-feira, 31 de outubro de 2016. Atualizado às 08h13.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

Notícia da edição impressa de 31/10/2016. Alterada em 31/10 às 00h29min

Petroquímica nacional vive expectativa de mudanças

Petrobras e Odebrecht podem se desfazer de suas ações na companhia

Petrobras e Odebrecht podem se desfazer de suas ações na companhia


BRASKEM/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
O assunto mais comentado nos bastidores da cadeia do plástico atualmente é a possível venda da Braskem. A Petrobras, uma sócia relevante da empresa, já confirmou que pretende sair do setor petroquímico. Também há rumores de que o controlador da companhia, o grupo Odebrecht, poderia seguir pelo mesmo caminho. A Odebrecht possui 50,1% do capital votante e 38,3% do capital total da Braskem; e a estatal tem, respectivamente, 47% e 36,1%, sendo o restante diluído entre outros parceiros.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), Edilson Deitos, argumenta que, hoje, há um cenário de vultosos negócios no Brasil, como foi o caso da compra da participação da Camargo Corrêa na CPFL Energia pela chinesa State Grid. Se acontecer a alienação da Braskem, o dirigente espera que isso ocorra antes que a companhia venha a sofrer eventuais reveses financeiros.
Deitos recorda que a empresa é a principal fornecedora de resinas do mercado nacional e que qualquer contratempo impactaria fortemente a cadeia do plástico. O presidente do Sinplast-RS acrescenta que os transformadores de maior porte podem recorrer à importação de matéria-prima, contudo os menores não teriam essa capacidade. O dirigente chama a atenção para a importância do setor do plástico, que gera cerca de 350 mil empregos no País, sendo 13 mil no Rio Grande do Sul.
Sobre possíveis interessados na Braskem, Deitos, que estava na semana passada na feira K (principal evento do setor do plástico), realizada em Düsseldorf, diz que, na Alemanha, debateu-se muito o "apetite" dos investidores chineses nos mercados de diversos países. Um empresário que atua no segmento e prefere ficar anônimo aponta, assim como os chineses, a Dow Química como uma companhia capaz de adquirir uma importante fatia da Braskem. A fonte enfatiza que a Odebrecht apresenta dificuldades de caixa e por isso deverá vender sua participação. Além disso, acrescenta que outro problema enfrentado pela empresa é o fato de ser uma das investigadas dentro da Operação Lava Jato.
O empresário salienta ainda que uma possível venda da Braskem, apesar de não acabar com a concentração de mercado, poderá diminuir o que chama de política agressiva quanto aos preços de resinas termoplásticas. A fonte espera que a saída da Petrobras da Braskem acarrete uma negociação mais transparente quanto ao contrato de matéria-prima entre as companhias (nafta petroquímica fornecida pela estatal). Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Braskem informou que a companhia não irá se pronunciar sobre esses rumores, até porque o assunto diz respeito aos acionistas.

Empresa deverá sofrer valorização com negociação, aponta MaxiQuim

Para João Luiz Zuñeda, perfil da fornecedora de resinas mudará
Para João Luiz Zuñeda, perfil da fornecedora de resinas mudará
JC
Qualquer negociação envolvendo a Braskem, seja somente a alienação da participação da Petrobras ou o envolvimento da parcela da Odebrecht, significará uma das maiores transações feitas no Brasil. O diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado João Luiz Zuñeda lembra que a Odebrecht tem na Braskem uma companhia sólida e, dentro dos ativos do grupo, é um dos mais rentáveis, devido ao ciclo de alta da petroquímica.
"Vender a melhor parte, a não ser por um preço muito bom, acho um pouco complicado", avalia. Porém, quanto à Petrobras se desfazer da sua participação, o consultor pensa que é uma decisão encaminhada. Para Zuñeda, essa movimentação alterará o perfil da Braskem. O diretor da MaxiQuim destaca que, se a estatal se desfizer da sua participação, mesmo com a Odebrecht mantendo a sua, a empresa terá "uma nova cara". Nesse contexto, a saída da Petrobras fará com que a gestão mude, com o novo sócio sendo mais atuante nas decisões do que a estatal.
Zuñeda frisa que a integração da petroquímica no Brasil, com a formação da Braskem conduzida por Odebrecht e Petrobras, implicou a concentração do setor, e isso valorizou a participação da estatal na companhia. "A Braskem é um belo negócio, tanto para quem quer sair como para quem quer ficar", considera. O consultor estima que a participação da Petrobras na Braskem custe algo próximo a R$ 15 bilhões. Zuñeda recorda que a Braskem possui ativos no Brasil e no exterior, como nos Estados Unidos, México e Europa, e que também está entre os 10 maiores produtores petroquímicos no mundo.
Para o diretor da MaxiQuim, não há, no momento, grupos nacionais com potencial para comprar grandes participações na Braskem. O analista vê fundos de investimentos internacionais com essa capacidade. Zuñeda afirma ainda que um possível desmembramento da Braskem para vendê-la, com a alternativa de dividir os comandos dos polos petroquímicos do País, seria um retrocesso para o setor.
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