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Porto Alegre, terça-feira, 13 de setembro de 2016. Atualizado às 00h59.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Notícia da edição impressa de 13/09/2016. Alterada em 12/09 às 21h44min

Yuan desvalorizado preocupa todas as economias

Quem apostasse que a China seria, neste século XXI, a balança que levaria, para cima ou para baixo, a economia mundial de acordo com seu apetite por commodities, provavelmente seria ignorado ou mesmo motivo de risos. Porém, é o que está acontecendo e beneficiando ou trazendo prejuízos, como aconteceu com o Brasil.
Na primeira década do século XXI, a China buscava produtos primários, valorizando muitos daqueles que o Brasil produzia e com vantagem. Os preços globais subiram, e o nosso País amealhou em torno de US$ 360 bilhões em reservas cambiais, um colchão monetário que tem servido como suporte à paralisia econômica interna e externa por que estamos passando desde 2014.
Atualmente, o problema ainda é a China, pois alguns afirmam que os investidores que ignoram a desvalorização do yuan nos últimos meses podem estar cometendo um erro bastante perigoso, de acordo com estrategistas da State Street Global Advisors.
Acontece que dirigentes chineses aproveitaram o enfoque da mídia sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, conhecida como Brexit, e outros eventos, como a Olimpíada no Rio de Janeiro e as eleições nos Estados Unidos, para, lentamente, guiar para baixo a cotação do yuan frente ao dólar e também a uma cesta de moedas globais, sem que isso tenha levantado as sobrancelhas em investidores ao redor do mundo.
Para os analistas, o movimento pode ser uma versão aperfeiçoada da desvalorização do yuan de 2015, que causou tumulto nas finanças ao redor do mundo. A aparente falta de preocupação, contudo, pode ser um erro. A China está utilizando um yuan mais fraco para impulsionar sua economia e postergar o aparentemente inevitável acerto de contas com a enorme montanha de dívida pública e privada amealhada ao longo da última década, que o governo deixou sair do controle.
Justamente por ser usada para mascarar problemas associados com a perigosa sobrealavancagem da economia chinesa, a depreciação constante do yuan é um risco maior ao mundo do que o Brexit, ainda segundo os especialistas. Análise da mesma State Street Global Advisors afirma que os chineses, em junho de 2016, tiraram proveito do plebiscito que optou pela saída da Grã-Bretanha da União Europeia e, silenciosamente, implementaram uma desvalorização de 1% da moeda local em relação ao dólar, o maior movimento em um único dia desde 11 de agosto de 2015, quando o mercado global entrou em polvorosa.
Essa desvalorização pode sinalizar uma deterioração mais acentuada da segunda maior economia do mundo. Ela pode ser uma tentativa de segurar um Produto Interno Bruto (PIB) que está em desaceleração ao exportar deflação e proteger suas vendas ao exterior.
Ao enfraquecer o yuan, Pequim adia a busca de uma forma sustentável de desalavancagem. Atualmente, a relação entre dívida corporativa e Produto Interno Bruto (PIB) na China é de 160%, a maior do mundo. No ano passado, 44% do total de bônus emitidos foram utilizados para pagar títulos mais antigos. Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o potencial de perdas em caso de calotes das empresas pode ultrapassar 7% do PIB.
Por isso, o Brasil tem que agir de maneira cautelosa em suas políticas econômico-financeiras. Com a queda nas importações, temos um superávit em torno de US$ 35 bilhões em 2016, o que cobre o déficit nas transações externas. No entanto, internamente, a paralisia da economia deixou um rastro de 11 milhões de desempregados, uma tragédia social com precedentes apenas na quebra mundial dos anos de 1929/1930, segundo analistas econômicos.
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