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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de setembro de 2016. Atualizado às 22h38.

Jornal do Comércio

Panorama

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EM CENA

Notícia da edição impressa de 22/09/2016. Alterada em 21/09 às 17h00min

Espetáculo Luiz Lua Gonzaga volta a Porto Alegre com nova montagem

Grupo Magiluth apresenta O ano em que sonhamos perigosamente

Grupo Magiluth apresenta O ano em que sonhamos perigosamente


RENATA PIRES /DIVULGAÇÃO/JC
Michele Rolim
Após três anos desde seu último espetáculo, Luiz Lua Gonzaga, o grupo pernambucano Magiluth volta a Porto Alegre com sua nova montagem, O ano em que sonhamos perigosamente. A peça tem sessões hoje e amanhã, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra (Érico Veríssimo, 307), durante a 23ª edição do Porto Alegre em Cena. Os ingressos custam R$ 20,00.
O Magiluth esteve na Capital com dois outros espetáculos - Ato (2009) e Viúva, porém honesta (2013). Com uma trajetória iniciada em 2004, atualmente, o grupo é um dos mais importantes da cena teatral pernambucana e é apontado pela crítica especializada com um dos grandes grupos jovens do País.
O ano em que sonhamos perigosamente tem direção de Pedro Wagner - este também assina o texto, ao lado de Giordano Castro. A montagem tem como ponto de partida o livro homônimo do filósofo esloveno Slavoj Zizek. "A obra dele falava de pessoas e de uma era em que existia um espírito grande de revolta, mas sem força para imprimir alguma revolução. Foi isso que me atraiu", explica Wagner.
Ele dirige uma peça do grupo após uma pausa de cinco anos. Em 2010, Wagner realizou O torto, espetáculo responsável por alterar a estética até então proposta pelo Magiluth. O torto apostava no despojamento de cena, na qual a precariedade dos elementos impulsionava os atores ao jogo teatral.
Como na obra de Zizek em foco atualmente, o espetáculo refletia sobre a onda de movimentos contestatórios que surgiram no mundo nos últimos anos. Pode-se citar Occupy Wall Street, a Primavera Árabe e a Revolução Laranja na Ucrânia. Mesmo que distintos em suas expressões e questionamentos, de alguma maneira estes movimentos reverberaram no Brasil em junho de 2013. Mesmo caso, ainda, do Ocupe Estelita, que questiona e combate a especulação imobiliária em Recife.
Há outros paralelos com o discurso apresentado na obra de Zizek e utilizados para construir O ano em que sonhamos perigosamente: os pensamentos do francês Gilles Deleuze, reflexões a partir das obras cinematográficas dos gregos Yorgos Lanthimos (vencedor do Prêmio do Júri em Cannes este ano com A lagosta) e Athina Rachel Tsangari (de Attenberg - inclusive, uma cena do filme surge no espetáculo). "Esses diretores, a partir do núcleo familiar e das relações interpessoais, abordam a situação sóciopolítica da sociedade", afirma Wagner.
Assim como Lanthimos utiliza conflitos familiares para abordar o colapso nacional grego, O ano em que sonhamos perigosamente utiliza o próprio "fazer teatral" para questionar o momento político atual.
No palco, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Mário Sergio Cabral e Lucas Torres realizam uma montagem aberta a múltiplas interpretações. "Cinco homens buscam novas formas e composições para construir algo belo, algo que ainda não se sabe o nome. A ação, por si mesma e em si mesma, não muda. As pessoas sim", cita o texto de apresentação.
O ano em que sonhamos perigosamente foi contemplado com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014 de montagem. A dramaturgia é fruto do projeto Jogo Magiluth: Manutenção de Pesquisa, selecionado pelo Funcultura 2013/2014, e ainda recebe apoio do Centro de Formação e Pesquisa Apolo-Hermilo.
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