Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, sexta-feira, 05 de agosto de 2016. Atualizado às 13h25.

Jornal do Comércio

Colunas

COMENTAR | CORRIGIR
Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 05/08/2016. Alterada em 05/08 às 13h29min

Antônio Chimango faz cem anos

Antônio Chimango - Poemeto Campestre, de Amaro Juvenal

Antônio Chimango - Poemeto Campestre, de Amaro Juvenal


DIVULGAÇÃO/JC
Antônio Chimango - Poemeto Campestre, de Amaro Juvenal (Editora Belas Letras, 238 páginas, com apoio do Ministério da Cultura e Banrisul), no ano de seu primeiro centenário de vida, ganhou uma nova, bela e diferenciada edição encadernada, editada e apresentada pelo professor e escritor Luís Augusto Fischer.
Um dos maiores clássicos da literatura gaúcha, escrito pelo político, escritor, jornalista e médico Ramiro Barcellos, com o uso do pseudônimo Amaro Juvenal, cruza seu primeiro século com muitas edições, muitos estudos e obras a respeito e com adaptação musical por Martin Coplas. O poemeto também foi adaptado para apresentação pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e apresentado, em forma de opereta, no Theatro São Pedro, com música de Arthur Barbosa e libreto de Alpheu Godinho.
Considerada a poesia mais conhecida e popular do Rio Grande do Sul, em vista de seu conteúdo político e histórico impactante, de sua forma literária primorosa, da importância de seu autor, dos fatos e personagens históricos que a envolvem, Antônio Chimango, nesta edição anotada, seguida de ensaios clássicos de Raymundo Faoro, de Augusto Meyer e novas abordagens por Fausto J.L. Domingues, José Francisco Botelho e Michel Thierry Le Grand, mostrará aos leitores que já conhecem a obra e aos que conhecerão, fotos e ilustrações de outras edições e detalhado histórico do poemeto.
Elaborado entre 1910 e 1915, em razão de uma briga política contra seu primo Antônio Augusto Borges de Medeiros (1863-1961), então presidente do estado e ali retratado como Antonio Chimango, o poemeto tomou tamanho, rumo e imortalidade que, por certo, Ramiro Barcellos nunca imaginou. Fosse apenas um forte panfleto político, talvez a história fosse outra. A questão é que a complexa personalidade de Barcellos dialogou com a literatura, a política, a história, e deu excelência literária ao poema, que fica ainda mais valorizado com essa cuidadosa edição do professor Fischer, elaborada com base em extensas pesquisas e com o apoio de especialistas em obras deste porte.
Juntamente com esta edição histórica, foi lançado Antônio Chimango - Poemas, crônicas, discursos e polêmicas de Ramiro Barcellos - Volume 2 (Belas Letras, Banrisul e Ministério da Cultura, 262 páginas) que reúne, pela primeira vez em livro, os textos de exuberante verve satírica de Barcellos, com estudos de Sérgio da Costa Franco, Gunter Axt e Luís Augusto Fischer. Os textos permitem, sem dúvida, ver o brilho da personalidade multifacetada de Ramiro Barcellos e conhecer um quadro altamente significativo da história, da política, da gestão pública e da economia de nosso País cem anos atrás.
Estão de parabéns o Ministério da Cultura, o Banrisul, o professor Fischer e os demais colaboradores da obra.

lançamentos

  • Se for para chorar que seja de alegria (Global, 182 páginas), de Loyola Brandão, apresenta crônicas sobre bares, ruas de São Paulo, seus mistérios e lições. Com seus encontros, desencontros, sempre contemplados com sensibilidade, humor e inteligência por Loyola, que há dias recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.
  • Dicionário de gastronomia (Matrix Editora, 552 páginas, R$ 99,90), da tecnóloga em gastronomia Myrna Corrêa, formada pelo Iesb-Brasília, onde vive. Alimentos, técnicas, personagens ilustres, utensílios, contextos histórico-geográficos e muito mais estão na alentada obra da autora que já teve aulas com Roberta Sudbrack, Luciano Boseggia e Laurent Suaudeau.
  • Primeiras lições de vida (Ed. do autor e mun.de Bento Gonçalves, 252 páginas), do consagrado professor e advogado Alzir Cogorni, traz, com muita emoção, verdade e texto bem escrito em português e talian, suas memórias e vivências em Bento Gonçalves. Narrativa plena de amor, saudade, superação e esperança no futuro. Homenagem muito merecida aos imigrantes italianos.

Nem todas as respostas, mas muitas perguntas boas

Pensando bem... um olhar original a respeito de religião, liberdade, violência, educação, história, ciência, comportamento e política (Editora Contexto, 304 páginas, R$ 49,90) do filósofo e jornalista da Folha de S. Paulo Hélio Schwartsman é, antes e acima de tudo, um saudável e necessário contraponto aos "sábios" que, com frequência, especialmente nas redes sociais, andam fornecendo respostas prontas para todos os problemas do País e do mundo, com base em fé ideológica, religiosa ou de qualquer outro tipo.
Bacharel em filosofia e jornalismo, Schwartsman já ocupou diversos cargos na Folha e, entre 2008-2009, foi fellow na Universidade de Michigan. A Editora Contexto, do historiador Jaime Pinsky, como se sabe, há 29 anos é especialista em ciências humanas e volta-se para a universidade e para o público geral.
Os textos de Schwartsman, em geral, são curtos - o que já é uma grande qualidade -, mesmo quando tratam de grandes temas. O primeiro trabalho da antologia trata de prostituição, novo moralismo e posições de parte das feministas e militantes de direitos humanos sobre o tema.
O último texto trata de alimentação, verdades dietéticas e opiniões exageradas sobre alimentos, saúde e a complexa ciência da nutrição.
Sem deixar de opinar sobre milhões de assuntos, notícias, livros, filmes e acontecimentos, Schwartsman, ao fim e ao cabo, procura não ser dogmático e, muito menos, é dos que pretendem apresentar verdades definitivas sobre temas como o terrorismo, a democracia, o preconceito, a demografia do Prêmio Nobel, o valor do diploma e outras dezenas de assuntos que todos os dias tomam conta de nossas mentes pós-modernas.
Schwartsman sabe mais do que ninguém que filosofar, acima de tudo, é perguntar. E sabe que não sabemos e nunca saberemos tudo. O que até é muito bom, caso contrário a vida e o mundo seriam muitos chatos e destituídos dos mistérios e das aventuras de todos os dias.
O autor apresenta alguns dados, muitas informações, fornece opiniões rápidas e claras sobre humor, limites do humor, liberdade de expressão, racionalidade e irracionalidade humanas, discos voadores, problemas educacionais, pátrio poder, homossexualidade, família, crime, violência, polícia e outras dezenas de tópicos. Schwartsman pergunta, responde, informa e, muitas vezes, deixa uma pergunta para que a conversa continue.
Os leitores mais atentos e perspicazes é óbvio que constatarão que o autor tem algumas verdades mais consolidadas, algumas crenças menos abaladas e, como todos nós, carrega uma história, uma cultura, muitas leituras e pontos de vista que vão chegando, ficando, mudando, indo e voltando.
Falando de violência, por exemplo, Schwartsman, com certo otimismo, entende que as sociedades de hoje são menos violentas e mais prósperas do que eram nos primórdios e mesmo em épocas nem tão remotas. Mas mesmo com esse pensamento reconfortante, ele acha que temos que manter a vigilância, que sempre estamos perigosamente perto da barbárie.

a propósito...

O espírito dos textos de Hélio Schwartsman, pensando bem, foi publicado em livro em momento adequado. Com nossas crises econômica, política e social, mais a queda do governo Dilma e o esgotamento dos modelos político-econômicos e a escassez de grana, ética, líderes e ideias, melhor pensar em perguntar o que realmente está acontecendo, sem buscar verdades prontas e acabadas. Levaremos tempo, teremos de nos esforçar, as perguntas ainda serão muitas, mas algumas respostas virão, com certeza. Elas sempre vêm. Antes e depois de novas, intermináveis questões, que a história nunca acaba. (Jaime Cimenti)
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia