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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de julho de 2016. Atualizado às 19h27.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 15/07/2016. Alterada em 14/07 às 16h49min

Maquiavel no mundo atual

Poder & Manipulação - como entender o mundo em 20 lições extraídas de O Príncipe de Maquiavel (Faro Editorial, 174 páginas), do jornalista, filósofo e pesquisador Jacob Petry, brasileiro radicado nos Estados Unidos, profundo apaixonado pela natureza do comportamento humano, em síntese, não oferece apenas uma nova tradução do clássico de Maquiavel, mas apresenta seus ensinamentos num contexto adaptado ao mundo atual.
Petry é autor de livros de sucesso como O óbvio que ignoramos, A lei do sucesso e Singular e grandes erros, esses últimos escritos em coautoria.
O Príncipe, de Maquiavel, é um dos pilares em torno dos quais se criou a cultura contemporânea ocidental e hoje segue sendo estudado nas universidades de todo o mundo, tendo influenciado grandes filósofos e dado origem à ciência política moderna. Os 20 capítulos do clássico de Maquiavel vêm acompanhados das análises de Jacob Petry e mostram por que, por séculos, pessoas de prestígio e sucesso profissional leram o livro, um dos mais influentes de todos os tempos, em busca de estratégias para aumentar seu discernimento e poder.
Napoleão Bonaparte, Winston Churchill, Franklin Roosevelt e Henry Kissinger, entre centenas de outras personagens de nosso tempo, assumiram publicamente o valor da obra e seu uso prático como um manual para se posicionar adequadamente no jogo do poder.
Esta edição de O Príncipe, além de apresentar nova tradução, é uma obra original, revelando o que está por trás dos fatos e eventos de nossa realidade contemporânea. A obra ainda faz uma análise objetiva das 20 estratégias mais importantes do clássico para que o leitor, com elas, se defenda de pessoas manipuladoras e possa usá-las como ferramentas para agir com mais segurança, astúcia e ousadia perante a vida.
Como nos fazer amados ou desprezados? Como implantar mudanças? A arte de lidar com os adversários e de não depender de outras pessoas. Como obter prestígio e se manter no topo, se reinventando constantemente, eliminando o medo e a insegurança? Essas lições e outras mais os leitores vão encontrar no volume, baseado na obra de Maquiavel, originalmente publicada em 1532 e que, até hoje, permanece importante, pois as atitudes descritas nela continuam presentes em todos os setores da humanidade.
Enfim, a publicação permitirá ao leitor conhecer e compreender a filosofia e as estratégias reais que moldam o mundo moderno e agir de modo mais consciente, com vistas a evitar manipulações de outros e ir atrás dos próprios objetivos.

lançamentos

Livro - Revista do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Ateliê Editorial e USP, 390 páginas), editada por Marisa Midori Deaecto e Plinio Martins Filho, tem textos de Carlos Guilherme Motta, Jean Pierre Chauvin e muitos outros sobre livrarias, leituras, livros, memória, bibliomania, Machado de Assis e tópicos de interesse de leitores.
O conto do anu (160 páginas, AGE Editora) tem contos do escritor Ademir Furtado, autor do romance Se eu olhar para trás, com linguagem caudalosa, cristalina, narra a angústia do peão Idalino, que expõe sua vida e seu amor para o patrão numa envolvente conversa de galpão. Os textos têm referências remetem à cultura gaúcha.
Jimo - 60 anos - Uma história de amor e sucesso (Ideograf, 146 páginas) tem textos, criação, entrevistas, edição, pesquisa e coordenação da jornalista Erika Hanssen Madaleno. Comemora os 60 anos da famosa e vitoriosa empresa gaúcha e as mais de seis décadas da relação de amor e trabalho de Julio e Ieda Morandi, fundadores.

Shakespeare conversa com Cervantes

Tinham dito que Shakespeare e Cervantes haviam falecido na mesma data (23 de abril de 1616), depois foram ver que não era bem assim, mas acabou ficando mais ou menos assim e estamos comemorando os 400 anos da morte de cada ou os 800 do passamento dos dois. Esse negócio de datas, no fundo, não tem muita importância, mas acaba tendo e precisamos de uns marcos para não desmarcar muito a memória e como pretexto para homenagens, comemorações, bebemorações etc.
Consta que Shakespeare e Cervantes se encontraram dia desses lá por cima e rolou uma conversa:
- E aí, Bardo, somando nossos aniversários de falecimento dá 800 anos, que tal?
- Pois é, mas estamos bem, não é? Nunca imaginei tanta imortalidade.
- Nem eu. Imagina, dizem que o Dom Quixote, que muitos chamam de "a bíblia da loucura", é o romance mais importante de todos.
- Não posso me queixar também, Miguelão. Minhas 38 peças e meus sonetos andam por aí, na boca do povo, nos palcos e nas universidades. O julgamento do tempo e dos leitores é o mais importante. No fundo, Miguel, a vida é uma simples sombra que passa. É uma história contada por um idiota cheia de ruído e de furor e que nada significa.
- Bah, profundo. Mas prefiro ficar pensando aí nuns sonhos impossíveis, numas batalhas. A vida é sonho; e os sonhos, sonhos são, como disse o outro. Que tu estás achando desse lance do Mercado Comum Europeu?
- Sei lá, ser ou não ser, eis a questão. Mas sempre disse que se você quiser ser, é melhor ser discreto. Complicado esse lance do MCE, nacionalismos, melhor pensar em dramas, ciúmes, amor, dinheiro, vinho, sexo e comida boa. Esse negócio de política e economia é complicado.
- É verdade. Falando em complicado, me mata uma curiosidade, desculpa te perguntar, mas esse negócio que não foi tu que escreveu a tua imensa obra, que foi o Francis Bacon, o Christopher Marlowe, o William Stanley ou o Edward de Vere, para não falar de uns outros? A galera anda falando na internet.
- Olha aí, Galego, deixa esse lance para lá, não te mete. Não vou terminar com esse mistério, que dá bastante Ibope. Tipo o mistério da Capitu do nosso colega Machado de Assis, brasileiro genial, que nunca revelou o segredo. Isso para não falar daqueles leros meio ininteligíveis e enigmáticos do danado do Joyce. Não insiste que não falo desse assunto nem sob tortura e nem na presença de meus 30 advogados. Adoro advogados.
- Tá bem, tá bem, William, foi mal, sorry. Vamos mudar de assunto, não vamos nos estressar. Quem sabe a gente fala de futebol. Que tu estás achando do futebol espanhol, hein? Vocês inventaram o futebol e a gente reinventou, não achas, brother?
- Acho que vocês têm que se cuidar com os vizinhos portugas, que estão batendo um bolão. Até a Torre Eiffel ficou verde e vermelha depois do jogo aquele. Argh, tenho que reconhecer que os franceses são elegantes, mesmo depois de derrotados.
 

a propósito...

- Mas olha, Bardo, quero te dar os parabéns. Não tem para ninguém. Se foi tu que escreveu tudo ou não, não importa, quero nem saber. Em literatura é sempre meio assim, um copia do outro, um vai emendando a história do outro. Alguns criam alguma coisa diferente, tá certo.
- É verdade, Miguelão. Parabéns para ti também. Nós dois, Camões, Dante, Goethe e mais o Machado, os russos e uns e outros somos o time principal. Mas esse negócio de número um ou dois, de cânone e tal, sou contra. Literatura não é corrida de cavalo, não tem o melhor, o maior. Nem nós dois.
- Concordo, colega. Não estou nem aí para essa imortalidade, que era melhor se tivessem me dado em vida. Fui. 
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