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Porto Alegre, segunda-feira, 27 de junho de 2016. Atualizado às 00h41.

Jornal do Comércio

Geral

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Patrimônio histórico

Notícia da edição impressa de 27/06/2016. Alterada em 26/06 às 21h40min

Restauração de obras na Redenção termina em julho

Trabalho no busto de José Faibes Lubianca é acompanhado pelo autor

Trabalho no busto de José Faibes Lubianca está sendo acompanhado pelo autor original do monumento, Mario Cladera


MARCO QUINTANA/JC
Isabella Sander
A restauração dos monumentos do Parque da Redenção, em Porto Alegre, está na fase final. Até a metade de julho, todas as 20 obras contempladas estarão em seus devidos lugares, de cara nova. Na sexta-feira, o escultor contratado para restaurá-las, Luiz Henrique Mayer, trabalhou no busto do médico José Faibes Lubianca, situado próximo à avenida Osvaldo Aranha. Essa foi a única escultura a ter a restauração acompanhada pelo autor original da obra, Mario Cladera.
"Não tenho dúvidas de que as características originais do busto serão respeitadas. Estou muito feliz, pois fazia tempo que a obra estava danificada. Essa ação é um passo que se dá na cidade no sentido de cuidar não só do patrimônio do parque, mas de outros espaços", define Cladera.
Para o autor da escultura, o patrimônio cultural da Capital se encontra muito danificado. "Parece que a população está com uma baixa autoestima, não gosta de si própria e não gosta, por consequência, das coisas boas que tem na cidade, aí não cuida de seu patrimônio arquitetônico", lamenta. Cladera sugere a criação, por parte do poder público, de uma política mais clara e incisiva em relação à educação para o cuidado patrimonial.
O projeto está sendo financiado pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), que angariou doações entre seus associados. Essa é a segunda etapa das restaurações que, em 2014, abrangeram 12 monumentos da Redenção. Dos 20 restaurados agora, 19 permanecerão em seus locais originais - somente o Gaúcho Oriental, atualmente instalado em frente ao viaduto da avenida João Pessoa, será transferido para o eixo central do parque, junto ao chafariz.
Além da revitalização, o Sinduscon-RS promoverá um seminário entre engenheiros e arquitetos associados sobre como transcorreu o processo, e lançará um caderno de restauro até o final de agosto. "É um caderno técnico, com as fotografias de todas as obras antes e depois da intervenção, explicando o que foi feito e qual a técnica usada. Isso é importante para estudantes universitários e para a própria história de Porto Alegre", enfatiza o coordenador do projeto na entidade, Zalmir Chwartzmann.
Sobre possíveis projetos em outros espaços da Capital além da Redenção, Chwartzmann demonstra incerteza. "Por enquanto, estamos trabalhando no parque, onde ainda há coisas para fazer. O futuro, só Deus sabe. Não sabemos se daqui a cinco anos não precisaremos voltar para a Redenção e recuperar tudo de novo, ou se já poderemos focar em outros lugares. Estamos indo devagar", relata.

Escultor chega a trabalhar 20 horas diárias na intervenção

O escultor Luiz Henrique Mayer, contratado para restaurar as obras, está desde maio com uma rotina intensa, que chega a 20 horas diárias de trabalho, para cumprir com o prazo estabelecido no projeto. Devido à falta de moldes das esculturas originais, algumas estão recebendo uma releitura do artista, a partir de fotografias da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc), do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo e de acervos pessoais.
O processo envolve a modelagem da escultura, a confecção do molde e de uma cópia deste em gesso, a realização do acabamento e a produção de um novo molde para fazer a réplica em resina e pó de bronze. Os monumentos originais eram feitos de bronze, mas o material foi trocado para evitar furtos. Dos sete bustos restaurados nesta etapa, somente um não tinha sido furtado.
"O único autor original com quem conseguimos contato foi o Mario Cladera, que está me dando grande apoio na conclusão da obra. Isso é muito importante, pois supre a falta de moldes e me deixa tranquilo de que estou mantendo as características originais do busto", destaca o restaurador.
Segundo Mayer, a maioria das empresas que fez os trabalhos em bronze nas esculturas já encerrou as atividades há muito tempo e, por isso, faltam referências, imagens e a conservação de modelos originais e em gesso, tornando necessário fazer releituras, e não cópias. "As cópias só seriam possíveis se houvesse um modelo ou os moldes dos monumentos, que só consegui de três dos bustos", aponta.
O restaurador leva cerca de uma semana para finalizar cada escultura. "É um trabalho pesado, intenso, e a parte mais difícil é deixar uma restauração razoável. Nos esforçamos muito para fazer isso, pois o prazo é curto. Tentamos buscar todas as referências antes de iniciar a parte prática, mas, mesmo assim, algumas fontes fotográficas estão chegando só agora", observa.
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