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Porto Alegre, quinta-feira, 09 de junho de 2016. Atualizado às 19h34.

Jornal do Comércio

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Antônio Hohlfeldt

Teatro

Notícia da edição impressa de 10/06/2016. Alterada em 09/06 às 18h30min

Cara e coragem: Geraldo Lopes e Carlos Konrath

Há cerca de um mês, um concerto comemorou os 40 anos de existência da Opus Produções. Idealizada, criada e dirigida, ainda hoje, por Geraldo Lopes, que depois recebeu a parceria de Carlos Konrath, a Opus significou, a partir de 2 de maio de 1976, a existência de uma estrutura verdadeiramente profissional para a apresentação de shows, espetáculos de dança e peças teatrais na cidade de Porto Alegre.
Tenho acompanhado a Opus desde sua criação. Lembro daqueles primeiros tempos em que Lopes, amante da música erudita e dos grandes conjuntos de balé internacional, insistia em trazer este tipo de espetáculo à cidade: perdia dinheiro, além de incomodar-se com a necessidade de criar toda uma infraestrutura capaz de, inclusive, liberar a alfândega para instrumentos musicais e cenários, ou liberar passaportes, caso de artistas da então União Soviética (estávamos ainda na ditadura...), mas Lopes não desistia. Tinha sorte quando lotava os espetáculos, quase sempre no Salão de Atos da Reitoria da Ufrgs, mas mesmo um sucesso destes não chegava para pagar todas as despesas como hotel, alimentação, montagem de cenários, deslocamento de artistas, equipe técnica etc. Para equilibrar as finanças da nova empresa, Geraldo Lopes também produzia espetáculos de grandes artistas da música popular. Estes, sim, vinham para duas ou três performances, apresentavam-se em espaços como o Gigantinho, e isso capitalizava a empresa.
Os tempos passaram. A parceria com Carlos Konrath deu certo. Hoje, a Opus não apenas traz produções (ou faz a produção local, como se diz, desses espetáculos), mas passou a tornar-se idealizadora, parceira e operadora de grandes espaços culturais. Em 2007, assumiu o projeto do Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre, maior espaço cultural em um shopping no Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil. O ambiente é multiuso, de sorte que pode abrigar recepções, na medida em que se afastam as poltronas e rebaixa-se o palco, show grandiosos, espetáculos circenses etc. Sua posição, no interior do shopping, vincula-o diretamente à Livraria Cultura e à Cervejaria Dado Bier, o que faz uma combinação exemplar para quem quer aproveitar para ir ao teatro/passar no supermercado/comprar algum livro/jantar.
A experiência deu tão certo que o projeto se expandiu. Sucessivamente, a Opus, ainda uma vez junto com o Grupo Zaffari, aliou-se ao Bradesco e criou o mais completo espaço de artes cênicas do Brasil, em São Paulo, sobre o qual, aliás, há cerca de dois anos, já escrevi, nesta mesma coluna. O mesmo grupo de arquitetos que idealizou a reforma do Theatro São Pedro, a Monserrat Arquitetos Associados, e o próprio teatro do Bourbon Country, desenvolveu aquele projeto. Seguiu-se o teatro Riachuelo, na capital Natal (Rio Grande do Norte), em 2010, quebrando a ideia de que no Nordeste não adianta fazer este tipo de investimento. A aliança, ali, ocorreu com o Grupo Guararapes, e é o maior espaço cultural do Nordeste. Em seguida, a Opus voltou para o Sul e, com a então recém-autorizada universidade, criou o Teatro Feevale, em Novo Hamburgo (isso, em 2011).
Hoje, a Opus responde, ainda, pela programação do Auditório Araújo Vianna, de Porto Alegre, junto ao grupo Oi, atendendo a edital que a Secretaria Municipal de Cultura da cidade instituiu; comanda o teatro Bradesco, do Rio de Janeiro, o teatro Riomar do Recife e o teatro Riomar de Fortaleza, ambos localizados em shopping centers, o que garante a segurança dos frequentadores das programações culturais apresentadas.
A estratégia continua a mesma do início: mesclar espetáculos de alta qualidade e caros investimentos com espetáculos mais populares e de maior alcance de público, o que garante o equilíbrio orçamentário da empresa. A Opus, neste momento, é reconhecida nacional e internacionalmente como uma empresa séria e de confiança. A articulação da programação entre todos estes teatros, por outro lado, facilita e barateia custos, de modo que viabiliza ingressos mais baratos. Mais que isso, a Opus tem a iniciativa de inúmeros espetáculos gratuitos, junto a escolas e comunidades carentes, atingindo dezenas de milhares de espectadores.
Certamente, ao olhar para trás, Geraldo e Carlos, junto com seu grupo de colaboradores, podem se orgulhar. O Brasil entrou verdadeiramente nas grandes rotas de espetáculos internacionais graças a estes dois empreendedores.
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