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Porto Alegre, quinta-feira, 09 de junho de 2016. Atualizado às 19h36.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 10/06/2016. Alterada em 09/06 às 19h34min

Amor e suspense na era nazista

O livro é a sexta obra lançada pelo autor durante sua carreira

O livro é a sexta obra lançada pelo autor durante sua carreira


Divulgação/JC
O romance inacabado de Sofia Stern (Record, 256 páginas), livro do escritor e advogado carioca Ronaldo Wrobel, nascido em 1968, é sua sexta publicação. Ele já publicou três romances, um livro de contos e uma obra infantojuvenil. Traduzindo Hannah (Record, 2010) foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria melhor livro do ano e já foi lançado em oito países.
O romance inacabado de Sofia Stern é um instigante thriller repleto de amor e suspense que se passa no contexto histórico dos anos posteriores à Primeira Guerra Mundial (1914-1918) até 1938, na Alemanha, e em acontecimentos no Brasil, Suíça e Alemanha nestes últimos anos. Na trama bem urdida e narrada que nos leva à era nazista para contar uma história de amor, Ronaldo, que vive em Copacabana com a avó, Sofia Stern, nascida na Alemanha em 1919 e fugida para o Brasil na véspera da Segunda Guerra, recebe um telefonema de uma juíza alemã.
Na contramão de boa parte da literatura brasileira contemporânea, com autores muitas vezes preocupados com jogos verbais, piruetas linguísticas e viagens ególatras intermináveis, Wrobel nos apresenta um texto cristalino, bem-estruturado; e se preocupa, acima de tudo, em contar bem uma história, uma ótima história, com elementos de História e com alta sedução narrativa. O autor é rigoroso com elementos históricos, referências de datas, tempos, e nos envolve no seu universo com muito talento. Em entrevistas, aliás, Ronaldo Wrobel tem ressaltado o papel do escritor, a força narrativa e a importância da História nos romances. O prazer de ler, somado a toques de cultura e erudição, como se vê, está garantido. O romance é um vira-página.
A justiça alemã está às voltas com um processo que pode tornar Wrobel multimilionário. Para isso, ele precisa ir até lá e defender seus direitos. Mas as coisas não são tão simples assim.
A partir de descobertas em um diário, Wrobel reconstitui a juventude da pacata avó e sua conturbada amizade com uma jovem chamada Klara. Sofia, a avó, foi uma cantora de cabaré malquista pelo regime nazista porque descendia de judeus e católicos. Paixões, inveja, traições, dinheiro e a morte de Klara, em 1938, são peças do passado que vão se revelando e se encaixando. Outros fatos vêm à tona, e Wrobel se depara com uma série de dilemas. Ele vai ter de escolher entre ficar rico ou fazer justiça. O resto o leitor vai descobrir.

Lançamentos

Michelangelo - Arquiteto e escultor da Capela dos Médici (WMF Martins Fontes, 154 páginas), do arquiteto, artista plástico e professor Sérgio Ferro, publicado na França em 1998, reflete sobre o trabalho de Michelangelo e sobre as circunstâncias de criação, liberdade e a respeito das formas escultóricas e arquitetônicas.
Ação afirmativa ao redor do mundo - Um estudo empírico sobre cotas e grupos preferenciais (É Realizações Editora, 110 páginas), do professor e economista Thomas Sowell, da Universidade Stanford, reflete sobre ação afirmativa e políticas governamentais nos Estados Unidos, Índia, Malásia, Sri Lanka e Nigéria, mostrando prós e contras.
Pândegas & Galhofas - Um maluco perdido nos anos 80 (Vidráguas, 144 páginas), novela do jornalista e escritor Paulo Motta, é, como escreveu Auber Lopes de Almeida no prefácio, "ter 20 e poucos anos nos deliciosos anos 80, numa idade de inconsequências, poderia resultar em passar a noite no xadrez ou enfrentar um ex-noivo ciumento". Por aí.

Paris, o amor, o Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados deveria ser o Dia do Amor. Amor ao próximo, aos amigos, colegas, conhecidos, parentes, amor às coisas, à natureza, às ideias, às artes e ciências e tal. Aliás, até já existe o Dia do Amor, com menos Ibope e vendas que o Dia dos Namorados. O amor é mais importante que os namorados. O amor é mais importante que tudo. Deve ganhar no final. Senão, a vida não valeu a pena. Qualquer tipo de amor. Até amor por pedras, tornando-as esculturas ou não, vale.
Amor tem tudo a ver com Paris, a Cidade Luz, e sexo tudo a ver com a língua francesa, a melhor para dizer 'eu te amo' e otras cositas calientes. Língua italiana é tipo música, inglês é mais business, alemão é tecnologia e português um código secreto. Em Paris, os namorados se animam a deixar cadeados simbólicos fechados nas pontes, esperando velhos amores românticos eternos, medievais. Jovens acreditam mais em amores românticos. Os que permanecem jovens também. Noivas de nacionalidades, aparências e idades variadas tiram fotos na frente da Notre Dame, sonhando que aqueles momentos se tornem eternos como as torres da catedral.
Caminhando de mãos dadas pelas aleias, parques e avenidas largas, pelas charmosas ruelas, curtindo um passeio de barco pelo Sena ou um vinho, uma baguete com queijo no entardecer, na beira do rio, ou nos encantadores Jardins de Luxemburgo, os namorados, depois, ainda poderão brincar de Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir no Café de Flore ou no Les Deux Magots. Mas eles não pensarão em casamento aberto, poliamor e outros papos complicados para um início de namoro. Não, naqueles momentos, pelo menos, nada de falar de outras pessoas, de altas crises e filosofanças existenciais. Só brincar de pensar, só pensar em brincar. Jantar leve, mas temperado, sobremesa provocante, café e licor energizantes para dois. Aí mais tarde, na hora certa, a porta ou a cortina vai se fechar e a câmera vai mostrar apenas as ondas do mar, como nos filmes antigos.
A manhã seguinte será de luz, amplos espaços, céus e horizontes, petit déjeuner e croissants espreguiçadíssimos, sem hora para terminar e passeios sem roteiro, tempo e guia pelo Marais, com direito a encontros ocasionais, compras absolutamente impulsivas, lances imprevisíveis e - ninguém é de ferro - descanso na Place des Vosges antes do almoço.
Almoço não muito longe, poucos quarteirões, ali na Rue des Rosiers, preço bom, falafel, hummus, shawarma, pita, kafta e outras gostosuras orientais no L'As du Fallafel ou no Mi-va-mi, concorrente da frente, que colocou uma placa botando marra dizendo que é o melhor da rua...
Os namorados vão caminhar um pouco para a digestão e, quem sabe, ali perto, irão ao Museu Carnavalet, fundado em 1880, que conta a história da França, desde as origens até os dias de hoje. Dizem que os franceses são os italianos mal-humorados, mas, claro, isso é brincadeira. Aliás, foram os italianos que ensinaram os franceses a cozinhar tão bem. Os franceses e as outras torcidas. O que é o estudo, né?

A propósito...

Paris tem milhões de atrações. Cada dia mais. Uma das maiores é a sala dos Van Goghs no Museu D'Orsay. O prédio, por si só, é obra de arte. Deve ser a melhor coleção do gênio, que só vendeu um quadro em vida, e cujas obras, hoje, valem milhões de dólares. Arte pura, amor à arte, tons amarelos loucos. Não se sabe ao certo se Van Gogh cortou sua orelha por amor, se calou por amor. O certo é que foi grande namorado das cores, das telas, tintas, dos pincéis, das pessoas, objetos, estrelas, girassóis e paisagens simples, dos amarelos de Arles, da luz e que amou a pintura com a intensidade, a entrega, o desespero, a alegria, a loucura e com tudo mais que só os verdadeiros namorados são capazes de viver.
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