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Porto Alegre, segunda-feira, 16 de maio de 2016. Atualizado às 22h41.

Jornal do Comércio

Economia

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Tecnologia

Notícia da edição impressa de 17/05/2016. Alterada em 16/05 às 21h52min

Soluções criativas e inovadoras para a saúde ganham força no Brasil

Englert (e) e Beck criaram a Grow Plus, que reúne parceiros da iniciativa privada, universidades e médicos

Englert (e) e Beck criaram a Grow Plus, que reúne parceiros da iniciativa privada, universidades e médicos


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Patricia Knebel
A analogia é com os antigos pagers usados pelos médicos no passado, mas a forma de aproximar médicos e pacientes é bem moderna. Das mãos de uma startup carioca nasceu o Beep, um aplicativo que mistura conceitos consagrados por sistemas como Uber e Tinder (match) para oferecer um segmento de mercado de cuidados com a saúde (healthcare).
O ambiente reúne profissionais da saúde e pessoas que buscam atendimento, especialmente quem precisa de uma consulta em horários não comerciais e que teriam como única opção enfrentar as superlotadas emergências dos hospitais - mesmo que o problema seja uma simples dor de garganta.
O usuário cadastrado no Beep identifica os profissionais disponíveis, por especialidade e localização, bipa e a solicitação de consulta é enviada. Se o profissional aceitar a chamada, vai até a residência do paciente e faz o atendimento. A cobrança é feita no cartão de crédito e o deslocamento do profissional ocorre via Uber - a Beep firmou parceria com o app de transporte.
"Estamos usando a tecnologia para oferecer uma melhor experiência da medicina para médicos e pacientes", comenta o fundador da companhia, Vander Corteze. Segundo ele, essa também é uma nova opção de remuneração para os profissionais da saúde, especialmente aqueles que usam os plantões nos hospitais para aumentar a renda. O empreendedor tem experiência nessa área - é médico e diretor executivo do Grupo BR Med, que conta com 11 clínicas em três estados e emprega 300 pessoas.
Mas, como garantir que os profissionais presentes nesse marketplace são bons médicos? Corteze explica que, para cada especialidade, foi escolhido um curador, um médico com credibilidade no mercado. Eles recebem os cadastros dos interessados, avaliam e liberam para a ativação no sistema. A Beep já contabiliza mais de 700 médicos cadastrados em São Paulo e Rio de Janeiro. Em recente visita a Porto Alegre, no mês passado, Corteze se reuniu com médicos da Capital. O objetivo: começar a montar uma base de profissionais locais para operar na cidade.
A startup é um exemplo de uma realidade cada vez mais comum no Brasil: a intersecção da tecnologia com a saúde. Um estudo realizado recentemente pela Juniper Research aponta que o número de usuários de serviços de saúde nos dispositivos móveis - o mHealth - deverá ultrapassar os 157 milhões em 2020, mais que triplicando os 50 milhões de 2015. E esse mundo dos aplicativos é apenas uma área onde a tecnologia está presente.
"As oportunidades nesse segmento são gigantes. Existem muitos processos na medicina que precisam ser melhorados e as startups são uma opção importante para a criação de soluções que gerem valor para a saúde", analisa o cofundador da Grow Plus, Cristiano Englert.
A empresa é uma venture builder, perfil de operação que visa alocar recursos de forma inteligente em startups já existentes e com potencial de crescimento. "Reunimos diversos parceiros da iniciativa privada, médicos e universidades para montar um ambiente focado em incentivar novos projetos inovadores nessa área", comenta ele, que é médico.
A Grow Plus faz um trabalho de pós-aceleração, ou seja, o foco são operações que já estão no mercado e faturando com algum produto ou serviço. "Ajudamos esses players a identificar as barreiras de crescimento, montar a estratégia e acompanhamos essa jornada", relata o CEO e cofundador da empresa, Paulo Beck.

Wearables, robótica e telemedicina são áreas que demandam criatividade

O mercado de tecnologia para saúde é abrangente e promissor. As oportunidades estão, especialmente, em áreas como health care, telemedicina, paciente (toda parte de doenças crônicas), wearables, robótica (impressoras 3D, próteses) e registros eletrônicos de saúde.
Para o CEO e cofundador da Grow Plus, Paulo Beck, as empresas, das mais tradicionais às startups, precisam pensar em projetos disruptivos. "O desafio é gerar valor por meio de inovações para que os novos produtos e serviços possam melhorar a qualidade da saúde e reduzir custos", avalia.
E é em busca dessa ideias que o Health Plus, iniciativa da Grow Plus, vai investir até
R$ 300 mil por startup de saúde. Em breve, a empresa realizará workshops em São Paulo, Recife, Porto Alegre e Curitiba. O objetivo é conhecer novos projetos e cadastrar 120 startups no Brasil. Dessas, serão escolhidas no máximo 10, que depois serão avaliadas e poderão receber investimentos.
Para compartilhar experiências, desenvolver soluções e atrair novos investidores na área da tecnologia da saúde, a Grow Plus tem realizado eventos como II Meetup Health Plus, que aconteceu em Porto Alegre. Um dos participantes foi o suíço Immo Oliver Paul, fundador e CEO da Carenet, player que integra informações móveis de saúde geradas, por exemplo, a partir de wearables, smartphones e medidores.
Ele comenta que estes dispositivos, como pulseiras e relógios inteligentes, estão se modernizando. Se antes monitoravam o número de passos dados, os mais novos conseguem por exemplo, fornecer dados sobre os níveis de estresse monitorando a resistência galvânica da pele, respiração e pulso. "As novas gerações dos gadgets estão agregando sensores e aumentando as funcionalidades oferecidas. O grande desafio ainda para o Brasil é tornar o custo mais atrativo", constata.
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