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Notícia da edição impressa de 19/02/2016

Amor e ressentimento, utopia e distopia

DIVULGAÇÃO/JC

O amor de olhos fechados (356 páginas, R$ 59,90, É Realizações Editora, tradução de Petro Sette-Câmara), do grande filósofo, professor e escritor francês Michel Henry (1922-2002), em síntese, é um denso romance que trata com delicadeza e profundidade sobre amor, ressentimento, utopia e distopia. Como pano de fundo, os marcantes acontecimentos de Maio de 1968, que incendiaram Paris e tiveram repercussão mundial, com reflexos até nossos dias.
Michel Henry nasceu na Indochina Francesa, atual Vietnã, então colônia da França. Aos 17 dias de vida perdeu o pai, que era oficial da Marinha francesa. A mãe, pianista, transferiu-se para a França em 1929, com Henry e o filho mais velho. Ainda jovem estudante, Henry descobriu sua paixão pela filosofia, que mais tarde transformaria em profissão. Em 1943, participou da Resistência Francesa e, em 1945, concluiu seus estudos filosóficos em Paris com o trabalho A felicidade de Espinosa. Doutorou-se pela Universidade de Lille e, entre 1960 e 1987, foi professor titular de filosofia na Universidade de Paul Valéry, em Montpellier.
O amor de olhos fechados narra a história de uma cidade que se tornou famosa por ser um polo cultural, mas que, aos poucos, é invadida por uma onda revolucionária, bárbara, que destruirá tudo à sua frente. A cidade de Aliahova, antigo reduto de comerciantes, voltou-se para o conhecimento e ganhou fama como centro cultural, como caldeirão de inteligência e de vida, capaz de aceitar as diferenças de origem, de estilo de vida e de riqueza entre seus habitantes.
Sahli, estudante estrangeiro, sem dinheiro, com sede de saber e a misteriosa Deborah, apaixonada por sua cidade natal, vão protagonizar a história no momento em que a universidade local, de repente, começa a ter seus mestres contestados e a ver comitês de estudantes que pretendem controlar tudo. Velhos métodos de ensino e seus praticantes são tomados pelo descrédito público. Os distúrbios universitários são apenas o início de uma grande revolução social em que todo o poder, todo o conhecimento, todos os bens serão aniquilados em nome de uma nova ordem. Sahli e Deborah vão testemunhar essa metáfora do mundo contemporâneo e sobreviverão.
A obra, ao mesmo tempo em que trabalha as duas forças que dirigem o mundo - o amor e o ressentimento -, pinta com cores fortes a transformação de uma utopia em uma distopia. A veia filosófica do autor e sua visão estética estão bem presentes no enredo, que funciona, aliás, como um bom meio de transmissão delas. O indivíduo humano será a única força capaz de enfrentar a barbárie? Esta é uma das questões centrais do romance, em meio aos processos totalitários que esmagam e criação espiritual.

Hora de organizar o Carnaval

No clássico samba Plataforma, do Aldir Blanc e do João Bosco, os versos são bonitos e adequados aos anos de chumbo: não põe corda no meu bloco/não vem com teu carro-chefe/não dá ordem ao pessoal/não traz lema nem divisa/que a gente não precisa/que organizem nosso Carnaval...não põe no meu...
Na real, passado mais um "tríduo momesco", precisamos, urgente, organizar nosso Carnaval e esse País, nesse restinho de ano que sobrou. O Carnaval das Superescolas S.A. da Sapucaí, como sempre, estava bem organizado e no final deu samba, sambão, com a minha Mangueira verde-e-rosa na cabeça. Ela não é a escola que ganhou mais títulos, mas para mim é a mais tradicional na música. Estou esperando trocadilhos mais criativos. Chega de dizer que o cara chorou ou que sorriu quando a mangueira entrou. Criatividade, galera!
No nosso país do Carnaval, nunca tantos falaram tanto, deram tantas opiniões, tão livremente, nunca tantos se movimentaram tanto e nunca tanta coisa aconteceu, na política, economia etc., como nestes últimos tempos. Todo mundo se tornou, tipo assim, jornalista, dando pitacos, informações, interpretações e fazendo comentários sobre tudo e todos. Antes era todo mundo técnico de futebol. Agora todo mundo é presidente, governador, prefeito e deputado. Todos querem se jogar na mesma piscina e aí é preciso organizar o carná. É bom ver esse clima de liberdades diversas, de democracia, imprensa livre e ver o País botando a boca no trombone. Mas precisamos nos organizar para que a festa seja boa para todos, como já disse o nosso querido ancestral português. Vamos nos organizaire! Falou o Manoel, temeroso de não aproveitar devidamente a festa.
Milhões fizeram Carnaval de rua, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Muitos municípios, especialmente no Ceará, resolveram usar o dinheiro da festa em outras atividades. Ótimo, festa popular, genuína, verdadeira, sem gastança exagerada de grana pública ou privada. O verdadeiro e antigo Carnaval é esse, de rua, de janela, popular, sem grandes organizações e donos. Nas ruas de Ipanema e Copacabana, em especial, houve exageros nas ruas, xixi, assaltos, sujeira etc. É preciso repensar. Não é bom para ninguém, isso. E não deixa de ser uma metáfora nacional. Carnaval, liberdade, alegria, música, bebida com moderação(?), mas, bom pensar, mesmo nesses dias é preciso um mínimo de ordem e civilidade.
Pensando bem, nada em exagero é bom. Nem Carnaval, chocolate, sorvete, pizza, batata frita, Nutella e campeonatos do Inter.

Lançamentos

Cabeça de mulher olhando a neve (Edições Besourobox, 136 páginas), do escritor e administrador cultural Jéferson Assumção, autor de mais de 20 livros, com linguagem criativa e ousadias temáticas e toques surrealistas. Tabajara Ruas, na apresentação, escreve: a grande novidade literária, o grande susto, o prazer imediato e misterioso que todo leitor espera está finalmente aqui.
Corrupção - Disfunções de governo - Repensar o Estado de ontem, hoje e sempre (AGE Editora, 208 páginas) do advogado, escritor, poeta, remador de competição master e piloto de planador Plinio Paulo Bing, fala, com força, fundamento e clareza, sobre democracia, povo, eleições, Estado, política, corrupção, administração pública, ética e outros temas candentes de nossa atualidade.
Entrevista com o Caudilho: um cowboy no pampa, (Martins Livreiro Editora, 118 páginas), do advogado gaúcho Cassiano Fuga Cunha, narra a presença do jornalista e cowboy americano Ambrose Bierce no RS em 1893, em meio à Revolução Federalista, quando veio entrevistar Gaspar Martins e Júlio de Castilhos e foi escoltado por um piquete gaúcho comandado pelo Capitão Vidoca Cunha.

A propósito...

Essa conversa de Carnaval mostra que já não há livros ou explicadores para entender ou explicar o Brasil como antes. Estamos carnavalizados. Brasil rural, industrial, interiorano, urbano, litoral, serra, mar, está tudo embolado, todo mundo falando tudo, toda hora, ao mesmo tempo, bem alto. Tomara que a gente consiga organizar nosso Carnaval sem lança-perfume e briga demais. Tomara que o bloco da Corte Federal não atravesse o samba. O samba, a bossa nova, são o que a gente tem de melhor. São Pixinguinha nos proteja e guarde! Melhor não alterar o samba tanto assim. A rapaziada pode perder a paciência e pegar outros instrumentos ao invés dos musicais.

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