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Tecnologia Notícia da edição impressa de 25/01/2016. Alterada em 24/01 às 21h56min

A difícil tarefa de resistir aos bips do celular

GARY KUMAHARA/DIVULGAÇÃO/JC
Pesquisador Larry D. Rosen revela que medo de desapontar amigos transforma pessoas em 'rapid responders'

Patricia Knebel

Ele é reconhecido como um perito internacional quando o assunto é a psicologia da tecnologia. Nos últimos 25 anos, o pesquisador Larry D. Rosen, professor emérito da California State University, Dominguez Hills (EUA), e seus colegas, já examinaram as reações à tecnologia de mais de 30 mil pessoas em 22 países. Descobriam, por exemplo, que o medo de desapontar os amigos e conhecidos do mundo virtual e real faz com que nos tornemos cada vez mais "rapid responders". Ou seja, sentimos quase uma obrigação de responder imediatamente os e-mails e mensagens recebidas. O uso equilibrado da tecnologia facilita diversas atividades do dia a dia. O excesso gera ansiedade, afeta a qualidade do sono e das próprias relações humanas. Direto de São Diego, na Califórnia, onde mora, Rosen respondeu algumas perguntas para o Jornal do Comércio. Autor de cinco livros sobre esse tema, ele se prepara para lançar em 2016 o The distracted Mind. Mesmo com todo o seu conhecimento, Rosen admite que gostaria de seguir mais de perto os seus próprios ensinamentos. "Já consegui parar de usar o meus eletrônicos horas antes de deitar, tento não reagir visceralmente aos bips e vibrações do celular e deixá-lo longe em situações sociais. Mas, muitas vezes me encontro buscando desculpas para verificar as mensagens", admite.
Jornal do Comércio - Em seu livro iDisorder, você fala sobre as alterações na capacidade do nosso cérebro de processar informações e da nossa capacidade de nos relacionarmos com o mundo devido ao seu uso diário da tecnologia. Quais são essas alterações?
Larry D. Rosen - O cérebro está sempre mudando a partir dos inputs externos e internos que recebemos. O que está acontecendo agora é que algumas áreas estão sendo submetidas a um uso excessivo e, com isso, ele passa a produzir substâncias químicas que provocam determinados comportamentos. Em nosso trabalho, nos concentramos em algumas questões. A primeira é a parte do cérebro responsável pela tomada de decisões - incluindo questões como se devemos prestar atenção a algo ou ignorar. É chamada de córtex pré-frontal e controla o fluxo de informação no cérebro. Quando usamos tecnologia em excesso, essa área requer mais energia para tomar essas decisões e deixa menos energia disponível para o pensamento mais elaborado. O segundo aspecto diz respeito à substâncias químicas envolvidas nas nossas emoções - e, nos nossos estudos, nos concentramos naquelas que envolvem a dependência e a ansiedade. Essas substâncias estão nos levando ao uso excessivo de algumas tecnologias para termos a sensação de prazer ou para nos sentirmos menos ansiosos.
JC - O que está por trás da compulsão por checar a cada segundo as mensagens e quais as consequências disso?
Rosen - Essa compulsão se baseia quase inteiramente na necessidade de eliminarmos do nosso cérebro as substâncias químicas que fazem com que a gente sinta ansiedade. Claro que existe um certo prazer envolvido em olhar as mensagens, mas a ansiedade é a força motriz disso. A causa raiz dessa ansiedade ainda não é claramente compreendida, mas está relacionada ao medo que sentimos de desapontar as pessoas por não dar atenção às suas comunicações. Para evitar isso, passamos a agir um pouco como os cães de Pavlov e nos tornamos "rapid responders". (esse termo vem do século 20, quando o médico russo Ivan Pavlov criou um treinamento em que tocava uma sineta sempre que os cachorros eram alimentados. Com o passar o tempo, os animais criaram uma associação do som com a comida. Mesmo que o prato estivesse vazio, os cães salivavam só de ouvir a sineta). Temos que mostrar a nós mesmos e aos nossos amigos que isso não é saudável e tentar sair lentamente desse comportamento.
JC - Como superar o domínio da tecnologia?
Rosen - Existem algumas coisas bem simples que podemos seguir. A primeira delas é não ficar mais de duas horas seguidas usando tecnologia, pois isso sobrecarrega todos os nossos sentidos. Precisamos de uma pausa curta 10-15 minutos a cada duas horas ou mais para redefinir e acalmar o nosso cérebro. Estar em contato com a natureza, meditar e ouvir música são algumas das atividades não tecnológicas que podemos fazer. Em segundo lugar, precisamos ter uma boa noite de sono, o que envolve remover toda tecnologia de comunicação do quarto algumas horas antes de deitar e fazer atividades que sejam calmantes, como ler um livro e ouvir música (com os aplicativos de comunicação desligados). Na medida em que os gadgtes que usamos para falar com as pessoas não estão sendo utilizados, nosso cérebro consegue relaxar e produzir as substâncias químicas necessárias para induzir o sono. Em terceiro lugar, precisamos exercitar a ação de não responder imediatamente os e-mails e mensagens que recebemos por e-mail e pelas redes sociais.
JC - Uma das tendências do mundo digital são os wearables, em que a tecnologia está no próprio corpo, como em um relógio ou óculos. Por outro lado, existe um movimento crescente na direção do slow, o que inclui ficarmos mais off-line. Você acredita que é possível mudar este cenário de uso intensivo da tecnologia?
Rosen - Eu espero que sim, mas acho que o pêndulo está ainda balançando para longe disso. Estamos apenas começando a entender que está acontecendo. De fato, os wearables fazem com que a gente verifique de forma ainda mais intensa as mensagens, sem nem mesmo precisar tirar o celular do bolso e desbloqueá-lo. Mas, o fato desses dispositivos não estarem vendendo tão bem pode indicar que estamos ficando sobrecarregados.
JC - Como seria um uso saudável da tecnologia?
Rosen - Um uso saudável implica em verificarmos os nossos gadgets em horários específicos e, lentamente, irmos deixando de lado essa necessidade de estarmos constantemente conectados. Mas, estamos muito longe desse objetivo. O que ainda vejo hoje são noites mal dormidas, o empobrecimento da qualidade das relações e um sentimento constante de ansiedade. Isso fica claro quando ouvimos relatos de pessoas que sentem a vibração do celular no bolso mesmo sem que estejam recebendo uma notificação, quando levam o aparelho na mão e não no bolso para se certificarem de que não vão perder nenhuma mensagem ou que ficam em pânico se não conseguem localizar o telefone.

Teste


O pesquisador Larry D. Rosen, professor emérito da California State University, desenvolveu uma técnica chamada Tech Break para que as pessoas treinam o hábito de se desconectarem da necessidade de chegar as mensagens a cada segundo.
  1. Verifique as mensagens nos seus dispositivos eletrônicos (computador, smartphone ou tablet) durante 1 minuto.
  2. Defina o temporizador do seu gadget por 15 minutos e vire ele de cabeça para baixo na sua frente.
  3. Quando der o alerta, cheque todas as mensagens durante um minuto e volte a acionar o temporizador.
  4. Repita o procedimento até que você se sinta confortável (menos ansioso) e, em seguida, aumente o tempo para 20-25-30 minutos.
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