A atriz
Carmen Silva,
87 anos de idade, mal tem tempo de vir a Porto Alegre nos
dias de folga, pois as gravações da novela
em que ela está trabalhando estão ocorrendo
praticamente em tempo real. Há duas semanas, a atriz
pelotense veio na sexta-feira, mas foi chamada de volta
no sábado, para gravar domingo, no Rio. Por sua contribuição
artística, atriz que faz a personagem dona Flora
na novela Mulheres Apaixonadas, que nos capítulos
desta semana resolveu se internar num asilo de velhos, é
uma das homenageadas do Prêmio Melhores Mulheres.
Carmen Silva foi a escolhida na categoria Expressão
Nacional.
Com 64 anos de carreira, a atriz tem demonstrado na novela
que talento não tem idade. Através de dona
Flora e de Leopoldo (Oswaldo Louzada), a novela discute
a situação dos idosos do País. Quando
recebeu o convite, Carmen não sabia que a repercussão
das situações vividas pelo casal seria tão
grande. Ela, inclusive, têm recebido muitas cartas,
incentivando e elogiando seu trabalho. "As pessoas
respeitam os idosos: elas sabem que não perdemos
os nossos valores, e muito menos nosso talento, apenas
porque atingimos uma certa idade".
Carmen também acredita que tem um comportamento
semelhante ao de sua personagem da novela, que passa uma
energia contagiante e muita disposição.
Ela faz os serviços domésticos em casa -
"gosto de trabalhar, de estar em contato com os jovens,
trocando idéias e experiências" - e
nos últimos anos atuou em peças de teatro,
filmes e comerciais de tevê em Porto Alegre.
Em sua carreira, Carmen Silva também recebeu muitos
prêmios e o maior deles foi o Molière, em
1975, por Mais quero Asno que me carregue, do que Cavalo
que me derrube. Um ano antes antes, em 1974, ela viveu
outro grande sucesso na televisão, na novela Os
Ossos do Barão, como integrante de outro casal
(ele era Paulo Gracindo), prestes a viver num asilo de
idosos. "As pessoas não podem perder o gosto
pela vida porque chegaram a uma certa idade. Devem encontrar
alguma maneira de se sentirem úteis. Manter a alegria
de viver, sempre, e isso independe da idade que se tem".
É o que Carmen faz vivendo um grande sucesso na
novela Mulheres Apaixonadas.
A escritora que poucos conhecem
O lado escritora de Carmen Silva, do qual poucos se lembram,
é uma das marcas mais fortes de sua carreira. O
grande público a conhece de sua participação
como atriz em mais de 15 produções de televisão,
como a novela Locomotivas (1977), que marcou época
por ter mais de 90% de audiência. Seu trabalho no
radioteatro, dos anos 40 ao 60, foi resgatado no livro
que lançou no ano passado Comédias do Coração
e outras peças para rádio e TV (AGE Editora).
Como lia muito bem, a carreira de Maria Amália
Feijó começou em Pelotas mesmo, na Rádio
Cultura, onde chegou a contracenar com Barbosa Lessa.
O nome artístico, Carmen Silva, foi escolhido para
que a mãe não ficasse sabendo de suas participações
teatrais. "Artista era muito desmoralizado na época",
diz no livro Bem Lembrado. Logo Carmen se transferiu para
Porto Alegre, trabalhou no Teatro de Emergência
e depois foi para São Paulo. Por intermédio
de Dias Gomes e Janete Clair ela trabalhou nsa rádios
Tupi, América e Record. Nunca escreveu novelas,
mas escrevia programas românticos, cômicos
e para crianças. Chegou a escrever 60 programas
em um mês.