Porto Alegre, Terça-Feira, 2/12/2008

 
 
Melhores Mulheres
 
 
A atriz Carmen Silva, 87 anos de idade, mal tem tempo de vir a Porto Alegre nos dias de folga, pois as gravações da novela em que ela está trabalhando estão ocorrendo praticamente em tempo real. Há duas semanas, a atriz pelotense veio na sexta-feira, mas foi chamada de volta no sábado, para gravar domingo, no Rio. Por sua contribuição artística, atriz que faz a personagem dona Flora na novela Mulheres Apaixonadas, que nos capítulos desta semana resolveu se internar num asilo de velhos, é uma das homenageadas do Prêmio Melhores Mulheres. Carmen Silva foi a escolhida na categoria Expressão Nacional.

Com 64 anos de carreira, a atriz tem demonstrado na novela que talento não tem idade. Através de dona Flora e de Leopoldo (Oswaldo Louzada), a novela discute a situação dos idosos do País. Quando recebeu o convite, Carmen não sabia que a repercussão das situações vividas pelo casal seria tão grande. Ela, inclusive, têm recebido muitas cartas, incentivando e elogiando seu trabalho. "As pessoas respeitam os idosos: elas sabem que não perdemos os nossos valores, e muito menos nosso talento, apenas porque atingimos uma certa idade".

Carmen também acredita que tem um comportamento semelhante ao de sua personagem da novela, que passa uma energia contagiante e muita disposição. Ela faz os serviços domésticos em casa - "gosto de trabalhar, de estar em contato com os jovens, trocando idéias e experiências" - e nos últimos anos atuou em peças de teatro, filmes e comerciais de tevê em Porto Alegre.

Em sua carreira, Carmen Silva também recebeu muitos prêmios e o maior deles foi o Molière, em 1975, por Mais quero Asno que me carregue, do que Cavalo que me derrube. Um ano antes antes, em 1974, ela viveu outro grande sucesso na televisão, na novela Os Ossos do Barão, como integrante de outro casal (ele era Paulo Gracindo), prestes a viver num asilo de idosos. "As pessoas não podem perder o gosto pela vida porque chegaram a uma certa idade. Devem encontrar alguma maneira de se sentirem úteis. Manter a alegria de viver, sempre, e isso independe da idade que se tem". É o que Carmen faz vivendo um grande sucesso na novela Mulheres Apaixonadas.

A escritora que poucos conhecem

O lado escritora de Carmen Silva, do qual poucos se lembram, é uma das marcas mais fortes de sua carreira. O grande público a conhece de sua participação como atriz em mais de 15 produções de televisão, como a novela Locomotivas (1977), que marcou época por ter mais de 90% de audiência. Seu trabalho no radioteatro, dos anos 40 ao 60, foi resgatado no livro que lançou no ano passado Comédias do Coração e outras peças para rádio e TV (AGE Editora).

Como lia muito bem, a carreira de Maria Amália Feijó começou em Pelotas mesmo, na Rádio Cultura, onde chegou a contracenar com Barbosa Lessa. O nome artístico, Carmen Silva, foi escolhido para que a mãe não ficasse sabendo de suas participações teatrais. "Artista era muito desmoralizado na época", diz no livro Bem Lembrado. Logo Carmen se transferiu para Porto Alegre, trabalhou no Teatro de Emergência e depois foi para São Paulo. Por intermédio de Dias Gomes e Janete Clair ela trabalhou nsa rádios Tupi, América e Record. Nunca escreveu novelas, mas escrevia programas românticos, cômicos e para crianças. Chegou a escrever 60 programas em um mês.

 
 


 
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