Porto Alegre, Terça-Feira, 2/12/2008

   
Destaques 2002


Nelson Jobim comandou a maior eleição com urna eletrônica do mundo
 
A personalidade forte e ao mesmo tempo tranqüila na condução, sem maiores incidentes, da maior eleição eletrônica do mundo, conferiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, que na época presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o mérito do sucesso ocorrido na eleição de 2002. O advogado gaúcho de Santa Maria, antes de ocupar os altos postos do poder judiciário nacional agiu, nesse caso, com conhecimento de causa por ter exercido, também, mandatos políticos, bem como cargos de primeiro escalão do governo federal, como o ministério da Justiça, de 1995 a 1997, na primeira gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Jobim foi deputado constituinte e reelegeu-se permanecendo no Congresso, onde conviveu com o companheiro de partido e hoje governador do Estado, Germano Rigotto, até 1995. Chegou ao Supremo Tribunal Federal em abril de 1997, na vaga aberta por Francisco Rezeck. Depois de ter sido substituto e vice do TSE assumiu a presidência do tribunal em junho de 2001 para dirigir a maior eleição da história do País e a maior eleição do mundo, com utilização de urnas eletrônicas.
Por sua proximidade com o meio político, foi duramente criticado. Muitos utilizando-se de má fé, outros de ignorância de argumentos, buscaram relacionar as amizades conquistadas durante a vida pública de Jobim com a função pública como jurista, que assumia as altas responsabilidades no delicado processo do ano passado, que culminou com a vitória do candidato petista à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva.
A disciplina, o sangue-frio e a paciência conferiram a Jobim as condições necessárias para evitar o confronto com os seus críticos. Ao contrário, sempre expressou, através da imprensa, as suas posições sem temer conseqüências. Assim foi quando recusou pedido do ex-governador do Paraná e senador reeleito Roberto Requião (PMDB) para impedir a realização da convenção do PMDB. Também quando enfrentou as críticas do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, que buscava desacreditar a segurança da eleição eletrônica. Mostrou dados, percentuais, e insistiu na qualidade do serviço que seria prestado pelo TSE, sem medo de errar. Os problemas como o travamento de algumas urnas eletrônicas e as longas filas constatadas em algumas seções eleitorais serviram de base para aprimorar o modelo para a eleição de 2004.
Seguindo a tradição de polemizar, Jobim antecipa que vai defender o fim da lei que obriga o voto impresso a partir das próximas eleições municipais. Para Jobim, a urna eletrônica não tem meio termo. “Ou funciona e registra o voto do eleitor, ou enguiça e precisa ser substituída pela votação manual”, afirma. O ministro lembra, inclusive, que o voto só é computado após a confirmação do eleitor que vê na tela da urna o político para o qual destina o seu voto. Ele também descarta a hipótese de que hackers possam invadir o sistema da urna, pois ela não funciona em rede e, é, a rigor, um eletrodoméstico eleitoral ligado a uma tomada elétrica.
Crítico da implantação do financiamento público de campanha nos moldes em que hoje é feita a escolha dos candidatos, sob a forma da lista aberta, Jobim diz que se o Congresso adotar esse sistema, deve substituir a lista aberta pela fechada.
 
 

 
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