A personalidade forte e ao mesmo tempo
tranqüila na condução, sem maiores incidentes,
da maior eleição eletrônica do mundo,
conferiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),
Nelson Jobim, que na época presidia o Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), o mérito do sucesso ocorrido na
eleição de 2002. O advogado gaúcho
de Santa Maria, antes de ocupar os altos postos do poder
judiciário nacional agiu, nesse caso, com conhecimento
de causa por ter exercido, também, mandatos políticos,
bem como cargos de primeiro escalão do governo federal,
como o ministério da Justiça, de 1995 a 1997,
na primeira gestão do presidente Fernando Henrique
Cardoso.
Jobim foi deputado constituinte e reelegeu-se permanecendo
no Congresso, onde conviveu com o companheiro de partido
e hoje governador do Estado, Germano Rigotto, até
1995. Chegou ao Supremo Tribunal Federal em abril de 1997,
na vaga aberta por Francisco Rezeck. Depois de ter sido
substituto e vice do TSE assumiu a presidência do
tribunal em junho de 2001 para dirigir a maior eleição
da história do País e a maior eleição
do mundo, com utilização de urnas eletrônicas.
Por sua proximidade com o meio político, foi duramente
criticado. Muitos utilizando-se de má fé,
outros de ignorância de argumentos, buscaram relacionar
as amizades conquistadas durante a vida pública de
Jobim com a função pública como jurista,
que assumia as altas responsabilidades no delicado processo
do ano passado, que culminou com a vitória do candidato
petista à presidência, Luiz Inácio Lula
da Silva.
A disciplina, o sangue-frio e a paciência conferiram
a Jobim as condições necessárias para
evitar o confronto com os seus críticos. Ao contrário,
sempre expressou, através da imprensa, as suas posições
sem temer conseqüências. Assim foi quando recusou
pedido do ex-governador do Paraná e senador reeleito
Roberto Requião (PMDB) para impedir a realização
da convenção do PMDB. Também quando
enfrentou as críticas do presidente nacional do PDT,
Leonel Brizola, que buscava desacreditar a segurança
da eleição eletrônica. Mostrou dados,
percentuais, e insistiu na qualidade do serviço que
seria prestado pelo TSE, sem medo de errar. Os problemas
como o travamento de algumas urnas eletrônicas e as
longas filas constatadas em algumas seções
eleitorais serviram de base para aprimorar o modelo para
a eleição de 2004.
Seguindo a tradição de polemizar, Jobim antecipa
que vai defender o fim da lei que obriga o voto impresso
a partir das próximas eleições municipais.
Para Jobim, a urna eletrônica não tem meio
termo. Ou funciona e registra o voto do eleitor, ou
enguiça e precisa ser substituída pela votação
manual, afirma. O ministro lembra, inclusive, que
o voto só é computado após a confirmação
do eleitor que vê na tela da urna o político
para o qual destina o seu voto. Ele também descarta
a hipótese de que hackers possam invadir o sistema
da urna, pois ela não funciona em rede e, é,
a rigor, um eletrodoméstico eleitoral ligado a uma
tomada elétrica.
Crítico da implantação do financiamento
público de campanha nos moldes em que hoje é
feita a escolha dos candidatos, sob a forma da lista aberta,
Jobim diz que se o Congresso adotar esse sistema, deve substituir
a lista aberta pela fechada. |