Um dos três maiores fabricantes
de silos do mundo, o Grupo Kepler Weber, que nasceu em Panambi,
passou em três anos de um prejuízo de R$ 40
milhões para um lucro líquido de R$ 14,1 milhões
alcançado em 2002. O resultado ajuda a confirmar
a posição da companhia que detém sozinha
65% do mercado nacional de armazenagem de cereais. O desempenho,
na avaliação do presidente da empresa, Othon
dEça Cals de Abreu, é conseqüência
dos investimentos em tecnologia e da atenção
oferecida aos clientes. Além das posições
internas, o sucesso do agronegócio interfere diretamente
no nossa colocação no mercado, ressalta
o dirigente.
Amparado nas expectativas otimistas que cercam o setor agrícola
em 2003, Abreu acredita em um crescimento entre 15% e 20%
nas vendas do grupo, que atingiram R$ 284,4 milhões
no ano passado. A grande aposta no mercado externo também
faz parte da estratégia de sucesso da Kepler, que
foi agraciada com o prêmio Destaques JC na categoria
Agronegócio pelo Jornal do Comércio. Do total
das vendas realizadas no ano passado, 15% tiveram como destino
diferentes portos do mundo. Além da liderança
nacional, a Kepler detém 36% do mercado argentino,
70% do chileno e 90% do uruguaio.
O mais recente projeto anunciado no mercado internacional
pela companhia é a instalação de uma
planta industrial para armazenagem de soja nos Emirados
Árabes. A negociação, que durou oito
meses, envolve US$ 3,06 milhões.
Em 2004 a Kepler vai iniciar as obras da nova unidade fabril
da empresa em Campo Grande (MS). A fábrica, que vai
demandar investimentos de R$ 85 milhões, deverá
ter capacidade para transformar 80 mil toneladas de aço
ao ano. O empreendimento ainda abrigará 500 novos
postos de trabalho, gerando 5 mil empregos indiretos em
2005, quando deve ser concluído. A Região
Centro-Oeste tem um grande potencial de produção
que deve ser explorado, assim como todo o Brasil, que é
a última fronteira agrícola do mundo,
salienta Abreu.
Em busca de novas posições no mercado, a Kepler
Weber passou por reestruturações, iniciadas
em 1996 quando o controle acionário foi adquirido
por instituições do mercado financeiro e de
investimentos da América Latina. Hoje 1,6 mil funcionários
da empresa participam dos resultados e contam com um plano
de previdência complementar.
Em 2002, o grupo investiu R$ 14,4 milhões. Desse
total, R$ 9 milhões foram direcionados para a nova
unidade de galvanização a quente em Panambi.
O segundo maior segmento que recebeu investimentos (R$ 2,3
milhões) foi o de máquinas e equipamentos
para modernizar o parque fabril também em Panambi.
Para este ano, o presidente da empresa espera uma redução
nos preços do aço, que foi reajustado em mais
de 90% entre o ano passado e o começo de 2003. Há
um desequilíbrio entre a queda do dólar e
a manutenção dos altos valores do aço.
Isso indica que precisamos ter cuidado para não colocarmos
em risco a nossa competitividade, complementa Abreu.
A Kepler nasceu em maio de 1925, como uma pequena ferraria
localizada em Neu-Würtemberg, hoje município
de Panambi. Além do segmento que garante a liderança
da companhia na armazenagem (secadores de grãos,
máquinas de limpeza, silos metálicos e transportadores),
a empresa fabrica equipamentos para unidades sementeiras,
maltarias, cervejarias, fábricas de alimentos, instalações
portuárias, estruturas metálicas para sistemas
elétricos e telecomunicação, e peças
e serviços de galvanização.
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