Porto Alegre, Quarta-Feira, 20/8/2008

 
 
Casa Augusto - Uma história de família
 

A história da Casa Augusto está intimamente ligada à família Hecktheuer. Nascido na Alemanha em 1862, o sapateiro Augusto Hecktheuer, aportou em terras brasileiras ainda jovem, na segunda metade do século XIX. Em 1886, na cidade de Rio Grande, casou-se com Mathilde Maseberg e naturalizou-se brasileiro. Empreendedor, em 20 de março de 1892, abriu a loja Augusto Hecktheuer, na antiga Rua do Rosário (hoje avenida Vigário José Ignácio, bem no centro da Capital), vendendo couro no varejo e produtos usados na fabricação e conservação de calçados, atividade com que permanece até hoje.
Em 17 de março de 1893, nasceu Augusto Hecktheuer Filho. Aos 23 anos, o primeiro descendente da família nascido em solo brasileiro, passa a ser sócio da loja do pai. Em 26 de julho de 1916, a empresa troca de razão social pela primeira vez e passa a se chamar Augusto Hecktheuer & Filho.
Muito ligado a atividades sociais, políticas e comunitárias, Augusto Filho fez parte de uma comissão que discutiu a implementação do salário mínimo no Estado. Ao lado da atuação sócio-empresarial, foi um apaixonado por obras de artes, principalmente esculturas. Hoje, as peças adquiridas por Augusto Filho embelezam os lares de vários de seus descendentes. “A trajetória de meu pai é um testemunho da vocação de organização comunitária que caracteriza a imigração alemã e sua descendência”, comenta com orgulho o filho e atual diretor da empresa, Augusto Eurico Hecktheuer. Com a morte do fundador, em 1929, a loja mudou sua razão social mais uma vez, surgindo a Augusto Hecktheuer Filho.
A história da terceira geração da família Hecktheuer no ramo comercial iniciou em 1949. Nascido em 4 de agosto de 1928, o atual diretor Augusto Eurico é economista, formado na Ufrgs em 1950. Cinco anos mais tarde, na mesma universidade, concluiu o curso de pós-graduação em Administração de Empresas. Um ano antes de começar a trabalhar ao lado do pai, onde fazia um pouco de tudo, desde atendimento a compras e vendas no interior, ele passou por um período de experiência na empresa Construções Metalúrgicas. Eurico salienta a importância do ‘estágio’ pois acredita que para ter sucesso e continuidade, uma empresa familiar necessita de profissionais capacitados. “Senão vira um oba-oba, onde o sujeito, só porque é da família, tem lugar garantido. Isso acaba quebrando a empresa”, diz. Em 27 de dezembro de 1951, pela última vez a empresa muda a razão social para Augusto Hecktheuer & Cia. Ltda. O nome fantasia Casa Augusto, utilizado até hoje, entra em cena somente em 1970.
Assim como o pai, há vários anos Augusto Eurico é membro de diversas entidades, tendo sido vice-presidente do Sindilojas de Porto Alegre em meados da década de 1990. Hoje é diretor-financeiro substituto do Sindicato. Fora do trabalho, a paixão do seu Eurico, que completará 76 anos em agosto, é o iatismo, modalidade em que chegou a disputar competições nacionais e internacionais integrando equipes brasileiras. Também foi presidente da Federação de Vela e Motor do Rio Grande do Sul e do Conselho Deliberativo do Clube Veleiros do Sul.
Desde o início, a família Hecktheuer morava no prédio que fica em cima da loja. “Praticamente nos criamos aqui dentro”, diz Erica, irmã de Eurico, que fez um curso de decoração na Alemanha em 1936. Depois disso, ficou responsável por organizar a vitrine da loja.

Artigos de couro são os principais produtos

Localizada no Centro de Porto Alegre, a Casa Augusto trabalha com venda no varejo. “Estamos entre as poucas empresas que vendem couro legítimo, não sintético, na Capital”, afirma Augusto Eurico Hecktheuer, diretor da empresa e neto do fundador, Augusto Hecktheuer. Acompanhando as mudanças do mercado, além do couro, a loja vende tecidos, plásticos, espumas, lonas, estofamento e produtos para conservação de calçados, totalizando aproximadamente 300 itens, entre eles materiais de baixo custo, como tecidos sintéticos. Trabalha também com a venda de E.V.A., material usado em artesanato.
A diretoria da empresa é formada atualmente pelo próprio Augusto Eurico, a esposa dele, Cecília Hecktheuer, a irmã Erica Maria Luiza Hecktheuer e pelo antigo funcionário Delcio Blankenheim, que trabalha na loja desde 1950 e há mais de 30 anos se tornou um dos sócios do negócio. “Ele é um profundo conhecedor de couro e esteve sempre ao nosso lado”, afirma Eurico.
Há 55 anos à frente da empresa, Eurico diz estar sempre com um pé atrás no que se refere a crises financeiras. “Acho que teremos um pequeno aumento do consumo no segundo semestre desse ano”. Falando em crises, ele lembra de crises pontuai, algumas registradas nos balancetes da empresa, caso da Revolução Federalista de 1893 e das duas Guerras Mundiais. “Minha família não chegou a sofrer perseguição por causa dos conflitos, mas outros descendentes de alemães enfrentaram muitos problemas”, conta.
A economia recessiva dos últimos anos somada ao avanço da globalização, causaram algumas dificuldades à Casa Augusto. “Houve um desvio de consumo para a internet e telefonia, e os clientes reduziram as compras”, diz. Por outro lado, as dificuldades levam as pessoas a cuidar melhor do que possuem, ao invés de adquirir novos produtos. Tanto que os principais itens vendidos pela loja são aqueles destinados à conservação de estofamentos e calçados. Segundo Eurico, a Casa Augusto tem uma clientela entre 2.500 e 3 mil pessoas por mês.

Augusto Hecktheuer & Cia. Ltda. – Casa Augusto (1892)

Fundador:
Augusto Hecktheuer

Diretoria atual:
Augusto Eurico Hecktheuer
Erica Maria Luiza Hecktheuer
Delcio Blankenheim
Cecília Terezinha Pereira Hecktheuer

 
 

 
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