A história da Casa Augusto está intimamente
ligada à família Hecktheuer. Nascido na
Alemanha em 1862, o sapateiro Augusto Hecktheuer, aportou
em terras brasileiras ainda jovem, na segunda metade do
século XIX. Em 1886, na cidade de Rio Grande, casou-se
com Mathilde Maseberg e naturalizou-se brasileiro. Empreendedor,
em 20 de março de 1892, abriu a loja Augusto Hecktheuer,
na antiga Rua do Rosário (hoje avenida Vigário
José Ignácio, bem no centro da Capital),
vendendo couro no varejo e produtos usados na fabricação
e conservação de calçados, atividade
com que permanece até hoje.
Em 17 de março de 1893, nasceu Augusto Hecktheuer
Filho. Aos 23 anos, o primeiro descendente da família
nascido em solo brasileiro, passa a ser sócio da
loja do pai. Em 26 de julho de 1916, a empresa troca de
razão social pela primeira vez e passa a se chamar
Augusto Hecktheuer & Filho.
Muito ligado a atividades sociais, políticas e
comunitárias, Augusto Filho fez parte de uma comissão
que discutiu a implementação do salário
mínimo no Estado. Ao lado da atuação
sócio-empresarial, foi um apaixonado por obras
de artes, principalmente esculturas. Hoje, as peças
adquiridas por Augusto Filho embelezam os lares de vários
de seus descendentes. “A trajetória de meu
pai é um testemunho da vocação de
organização comunitária que caracteriza
a imigração alemã e sua descendência”,
comenta com orgulho o filho e atual diretor da empresa,
Augusto Eurico Hecktheuer. Com a morte do fundador, em
1929, a loja mudou sua razão social mais uma vez,
surgindo a Augusto Hecktheuer Filho.
A história da terceira geração da
família Hecktheuer no ramo comercial iniciou em
1949. Nascido em 4 de agosto de 1928, o atual diretor
Augusto Eurico é economista, formado na Ufrgs em
1950. Cinco anos mais tarde, na mesma universidade, concluiu
o curso de pós-graduação em Administração
de Empresas. Um ano antes de começar a trabalhar
ao lado do pai, onde fazia um pouco de tudo, desde atendimento
a compras e vendas no interior, ele passou por um período
de experiência na empresa Construções
Metalúrgicas. Eurico salienta a importância
do ‘estágio’ pois acredita que para
ter sucesso e continuidade, uma empresa familiar necessita
de profissionais capacitados. “Senão vira
um oba-oba, onde o sujeito, só porque é
da família, tem lugar garantido. Isso acaba quebrando
a empresa”, diz. Em 27 de dezembro de 1951, pela
última vez a empresa muda a razão social
para Augusto Hecktheuer & Cia. Ltda. O nome fantasia
Casa Augusto, utilizado até hoje, entra em cena
somente em 1970.
Assim como o pai, há vários anos Augusto
Eurico é membro de diversas entidades, tendo sido
vice-presidente do Sindilojas de Porto Alegre em meados
da década de 1990. Hoje é diretor-financeiro
substituto do Sindicato. Fora do trabalho, a paixão
do seu Eurico, que completará 76 anos em agosto,
é o iatismo, modalidade em que chegou a disputar
competições nacionais e internacionais integrando
equipes brasileiras. Também foi presidente da Federação
de Vela e Motor do Rio Grande do Sul e do Conselho Deliberativo
do Clube Veleiros do Sul.
Desde o início, a família Hecktheuer morava
no prédio que fica em cima da loja. “Praticamente
nos criamos aqui dentro”, diz Erica, irmã
de Eurico, que fez um curso de decoração
na Alemanha em 1936. Depois disso, ficou responsável
por organizar a vitrine da loja.
Artigos de couro são os principais produtos
Localizada no Centro de Porto Alegre, a Casa Augusto
trabalha com venda no varejo. “Estamos entre as
poucas empresas que vendem couro legítimo, não
sintético, na Capital”, afirma Augusto Eurico
Hecktheuer, diretor da empresa e neto do fundador, Augusto
Hecktheuer. Acompanhando as mudanças do mercado,
além do couro, a loja vende tecidos, plásticos,
espumas, lonas, estofamento e produtos para conservação
de calçados, totalizando aproximadamente 300 itens,
entre eles materiais de baixo custo, como tecidos sintéticos.
Trabalha também com a venda de E.V.A., material
usado em artesanato.
A diretoria da empresa é formada atualmente pelo
próprio Augusto Eurico, a esposa dele, Cecília
Hecktheuer, a irmã Erica Maria Luiza Hecktheuer
e pelo antigo funcionário Delcio Blankenheim, que
trabalha na loja desde 1950 e há mais de 30 anos
se tornou um dos sócios do negócio. “Ele
é um profundo conhecedor de couro e esteve sempre
ao nosso lado”, afirma Eurico.
Há 55 anos à frente da empresa, Eurico diz
estar sempre com um pé atrás no que se refere
a crises financeiras. “Acho que teremos um pequeno
aumento do consumo no segundo semestre desse ano”.
Falando em crises, ele lembra de crises pontuai, algumas
registradas nos balancetes da empresa, caso da Revolução
Federalista de 1893 e das duas Guerras Mundiais. “Minha
família não chegou a sofrer perseguição
por causa dos conflitos, mas outros descendentes de alemães
enfrentaram muitos problemas”, conta.
A economia recessiva dos últimos anos somada ao
avanço da globalização, causaram
algumas dificuldades à Casa Augusto. “Houve
um desvio de consumo para a internet e telefonia, e os
clientes reduziram as compras”, diz. Por outro lado,
as dificuldades levam as pessoas a cuidar melhor do que
possuem, ao invés de adquirir novos produtos. Tanto
que os principais itens vendidos pela loja são
aqueles destinados à conservação
de estofamentos e calçados. Segundo Eurico, a Casa
Augusto tem uma clientela entre 2.500 e 3 mil pessoas
por mês.
Augusto Hecktheuer & Cia. Ltda. – Casa Augusto
(1892)
Fundador:
Augusto Hecktheuer
Diretoria atual:
Augusto Eurico Hecktheuer
Erica Maria Luiza Hecktheuer
Delcio Blankenheim
Cecília Terezinha Pereira Hecktheuer