Porto Alegre, Quarta-Feira, 20/8/2008

 
 
Gerdau - A gigante brasileira da siderurgia
 

Em 102 anos de história, o Grupo Gerdau construiu um império de aço. Da modesta Fábrica de Pregos Ponta de Paris, comprada pelo pioneiro João, em 1901, foram muitas as aquisições que transformaram a empresa na maior produtora de aços longos do continente Americano. Fiel à tradição de crescer comprando, acaba de ampliar a presença no mercado norte-americano com a aquisição da Potter Form & Tie, anunciada em fevereiro. A aquisição, consolidada pela subsidiária Ameristeel, envolve as seis unidades da Potter nos estados de Illinois, Wisconsin e Iowa e dá à Gerdau a liderança no fornecimento de vergalhões e outros produtos para a indústria de concreto no meio-Oeste dos EUA. “A globalização nos empurrou para fora de nossos limites territoriais; não teríamos mais como crescer, se ficássemos operando apenas no Brasil”, explica o presidente do Grupo, Jorge Gerdau Johannpeter, bisneto do patriarca.
Ao longo do tempo, o Grupo conquistou espaço entre as principais organizações multinacionais do mundo. É a mais jovem das empresas centenárias gáuchas e de longe a mais rica, constituindo o maior conglomerado industrial com sede no Rio Grande do Sul e um dos maiores do Brasil. Administrado pela quarta geração, opera usinas siderúrgicas no Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Estados Unidos e Uruguai. Com capacidade instalada de 14,4 milhões de toneladas de aço por ano, participa do desenvolvimento da economia brasileira, apoiando uma centena de projetos sociais e científicos, inspirados na gestão pela qualidade, conceito que envolve o mercado, os colaboradores, os acionistas e a comunidade. “Nenhuma empresa consegue se desenvolver, se tiver torcida contra”, ensina Johannpeter.
O Grupo é formado por duas companhias de capital aberto no Brasil (a Metalúrgica Gerdau S.A. e a Gerdau S.A.) e é das poucas empresas brasileiras a ter ações negociadas no exterior. A Gerdau S.A. é listada nas bolsas de valores de São Paulo, Nova Iorque e Madri (Latibex). Na Bovespa, as ações da companhia movimentaram R$ 2,5 bilhões, em 2003, com a realização de 103.599 negócios. Os ADRs negociados na NYSE somaram US$ 315 milhões, equivalentes a uma média diária de US$ 1,2 milhão. Na Bolsa de Valores de Madri, as ações preferenciais da empresa marcaram presença diária nos pregões em 2003, período em que foram movimentados cerca de 3,1 milhões de euros.
No exercício de 2003, os investimentos em atualização tecnológica e expansão das unidades somaram US$ 295 milhões. Desse valor, foram destinados US$ 229 milhões (78% do total) para as plantas industriais localizadas no Brasil, US$ 59 milhões (20% do total) para as unidades na América do Norte e US$ 6,8 milhões (2% do total) para as usinas situadas nos demais países da América do Sul.

Tudo começou com uma fábrica de pregos

O grupo Gerdau nasceu da visão empresarial e da capacidade de trabalho de Johann Heinrich Kaspar Gerdau, ou, simplesmente, João Gerdau. Imigrante alemão, veio de Hamburgo em 1869, desembarcando no Porto de Rio Grande com 20 anos de idade. Instalou-se na Colônia de Santo Ângelo (atual cidade de Agudo), onde inicialmente investiu no comércio, transporte e loteamento de terras. Mais tarde, em 1884, fundou uma casa comercial em Cachoeira do Sul.
Em busca de novas oportunidades, João Gerdau mudou-se com a esposa Alvine Gerdau e os três filhos, Hugo, Walter e Bertha, para Porto Alegre. Na capital, comprou a Fábrica de Pregos Pontas de Paris, em 1901, marco da criação do Grupo Gerdau. Em seguida entregou a administração ao filho Hugo, então com 25 anos. Educado nos maiores centros industriais da Europa, Hugo visitou várias vezes a Europa e os Estados Unidos em busca de novas tecnologias no processo metalúrgico. Com a abundante produção de pregos, o Rio Grande do Sul deixava de depender da importação.
Em 1909, Hugo casou-se com Tilly Bins e da união nasceram Helda e Liselotte. Cinco anos depois, tornou-se um dos sócios-fundadores da Companhia Geral de Indústrias, que deu origem aos fogões Geral e, em 1930, participou ativamente da criação do Centro de Indústrias Fabril do Estado do Rio Grande do Sul, berço da Federação das Indústrias (Fiergs). Três anos mais tarde, a Fábrica de Pregos Hugo Gerdau expandiu a produção com a construção de uma nova unidade em Passo Fundo.
A entrada de Curt Johannpeter na família Gerdau é o marco de um audacioso caminho nos negócios da empresa. Nascido na Alemanha em 1899, Curt Johannpeter fez carreira na área financeira. Em 1922, ingressou no Banco Alemão Transatlântico, subsidiário do Deutsch Bank e, em 1930, já ocupava o cargo de inspetor para as filiais em Portugal, Espanha e países da América Latina. Neste mesmo ano, em viagem ao Brasil, conheceu a jovem Helda Gerdau, filha de Hugo, com quem casou e teve quatro filhos: Germano, Klaus, Jorge e Frederico.
Em 1946, Curt assumiu a direção da Gerdau e comandou uma fase decisiva de expansão dos negócios. Dois anos após a sua entrada, a Fábrica de Pregos Hugo Gerdau comprou a Siderúrgica Riograndense e o grupo iniciou sua bem sucedida trajetória na siderurgia. A direção de Curt nos negócios foi decisiva na modernização e impulso profissional. Trouxe para a Gerdau os valores familiares, mostrando que o respeito às pessoas é um dos fatores essenciais para o sucesso de uma organização. Seu talento para os negócios, aliado à tradição empreendedora da família Gerdau foram os ingredientes para a busca incessante da satisfação dos clientes e, como decorrência, do sucesso empresarial. Atualmente, o grupo é comandado pela quarta geração da família.

Faturamento alcançou R$ 15,1 bilhões em 2003

O faturamento de R$ 15,8 bilhões do Grupo Gerdau em 2003 cresceu 42% sobre os R$ 11,1 bilhões do ano anterior. Do volume, as operações no Brasil responderam por 57%, as unidades na América do Norte por 39%, e as empresas no Chile, Uruguai e Argentina por 4%.
Em 2003, o grupo exportou 3,2 milhões de toneladas de aço a partir do Brasil, volume 70% maior do que em 2002, o que gerou receitas de US$ 787 milhões, um crescimento de 125%.
As unidades na América do Norte comercializaram 69% a mais em 2003, atingindo 5,1 milhões de toneladas, devido à fusão das operações do Grupo Gerdau na região com as da Co-Steel, concluída em outubro de 2002. As empresas na Argentina, Uruguai e Chile venderam, juntas, 416 mil toneladas, volume 18% maior. No total, o Grupo Gerdau comercializou 12,1 milhões de toneladas, o que representa um acréscimo de 33% em relação a 2002. Em laminados, a produção total atingiu 9 milhões de toneladas, uma expansão de 31%. A laminação é a etapa industrial onde o aço é beneficiado e transformado em produtos com maior valor agregado, como vergalhões, barras, perfis e fio-máquina.
Como resultado desse cenário, o lucro líquido – desconsiderados os ajustes no valor de R$ 334 milhões decorrentes da integração operacional entre a Gerdau S.A. e a Aço Minas Gerais S.A. (Açominas) – evoluiu 18%, alcançando R$ 923 milhões. A integração entre as duas companhias foi realizada em novembro, quando passaram a operar sob o nome Gerdau Açominas.

Formar cidadãos e premiar os talentos

Os mais de 100 projetos sociais do Grupo Gerdau no Brasil beneficiam milhares de brasileiros, desde crianças e jovens de baixa renda até cientistas de importantes universidades do País. Em 2003, foram investidos mais de R$ 21 milhões em projetos comunitários, a maioria em iniciativas que tem como meta a difusão do conhecimento. Aí se incluem desde projetos em escolas e universidades, até aqueles ligados à educação para o empreendedorismo, para a pesquisa científica, para o voluntariado e para a qualidade total.
Além disso, o Grupo Gerdau participa de projetos nas áreas da cultura, saúde, esportes e de campanhas de mobilização social. Em parceria com colaboradores, desenvolveu o Fundo Pró-Infância dos Profissionais Gerdau, projeto de abrangência nacional voltado para atender crianças e adolescentes carentes, em situação de risco, dependentes químicos ou portadores de necessidades especiais. Os projetos apoiados pelo Fundo Pró-Infância atenderam 13,4 mil crianças e adolescentes.
O Prêmio Jovem Cientista, criado pela Gerdau, é reconhecido como uma das maiores premiações da América Latina na área da inovação e da pesquisa. Já Prêmio Gerdau Melhores da Terra, de abrangência internacional, estimula o desenvolvimento de novos produtos e ao aprimoramento da qualidade de máquinas e equipamentos para a agricultura. O Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade, criado a partir da experiência da Gerdau, é um dos maiores movimentos pela implantação do gerenciamento da qualidade total no Brasil.

Reciclar para preservar o meio ambiente

Líder em reciclagem na América Latina, a Gerdau utiliza a sucata como principal insumo, juntamente com o ferro gusa e o ferro esponja, reaproveitando mais de 9 milhões de toneladas por ano, no Brasil e no exterior. Fogões e refrigeradores velhos, partes de veículos, resíduos industriais, móveis, latas de aço e outros objetos obsoletos para a sociedade são matéria-prima para a empresa. Uma tonelada de aço produzida com sucata consome apenas um terço da energia utilizada para gerar a mesma quantidade de aço a partir do minério de ferro.
A Gerdau atua diretamente na compra de sucata nas indústrias, por meio de uma estrutura especializada, com pessoal treinado e equipamentos sofisticados. Sua área de engenharia de sucata está preparada para avaliar, orientar e implantar processos de captação que atendam às necessidades de seus fornecedores.
A empresa opera com depósitos localizados em pontos estratégicos do País e com centros de reciclagem em todas as unidades industriais que utilizam sofisticados equipamentos para o processamento de sucata. Um deles, o Mega Shredder, que opera desde 1999 na Gerdau Cosigua (RJ) é capaz de triturar 300 carros por hora.

Grupo Gerdau (1901)

Fundador: Johann Heinrich Kaspar Gerdau
Diretor-Presidente:
Jorge Gerdau Johannpeter
Diretores Vice-Presidentes:
Frederico C. Gerdau Johannpeter - Vice-Presidente Sênior:
Carlos J. Petry - Vice-Presidente Sênior:
André B. Gerdau Johannpeter
Cláudio Gerdau Johannpeter
Domingos Somma
Osvaldo B. Schirmer

 
 

 
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