Em 102 anos de história, o Grupo Gerdau construiu
um império de aço. Da modesta Fábrica
de Pregos Ponta de Paris, comprada pelo pioneiro João,
em 1901, foram muitas as aquisições que
transformaram a empresa na maior produtora de aços
longos do continente Americano. Fiel à tradição
de crescer comprando, acaba de ampliar a presença
no mercado norte-americano com a aquisição
da Potter Form & Tie, anunciada em fevereiro. A aquisição,
consolidada pela subsidiária Ameristeel, envolve
as seis unidades da Potter nos estados de Illinois, Wisconsin
e Iowa e dá à Gerdau a liderança
no fornecimento de vergalhões e outros produtos
para a indústria de concreto no meio-Oeste dos
EUA. “A globalização nos empurrou
para fora de nossos limites territoriais; não teríamos
mais como crescer, se ficássemos operando apenas
no Brasil”, explica o presidente do Grupo, Jorge
Gerdau Johannpeter, bisneto do patriarca.
Ao longo do tempo, o Grupo conquistou espaço entre
as principais organizações multinacionais
do mundo. É a mais jovem das empresas centenárias
gáuchas e de longe a mais rica, constituindo o
maior conglomerado industrial com sede no Rio Grande do
Sul e um dos maiores do Brasil. Administrado pela quarta
geração, opera usinas siderúrgicas
no Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Estados Unidos
e Uruguai. Com capacidade instalada de 14,4 milhões
de toneladas de aço por ano, participa do desenvolvimento
da economia brasileira, apoiando uma centena de projetos
sociais e científicos, inspirados na gestão
pela qualidade, conceito que envolve o mercado, os colaboradores,
os acionistas e a comunidade. “Nenhuma empresa consegue
se desenvolver, se tiver torcida contra”, ensina
Johannpeter.
O Grupo é formado por duas companhias de capital
aberto no Brasil (a Metalúrgica Gerdau S.A. e a
Gerdau S.A.) e é das poucas empresas brasileiras
a ter ações negociadas no exterior. A Gerdau
S.A. é listada nas bolsas de valores de São
Paulo, Nova Iorque e Madri (Latibex). Na Bovespa, as ações
da companhia movimentaram R$ 2,5 bilhões, em 2003,
com a realização de 103.599 negócios.
Os ADRs negociados na NYSE somaram US$ 315 milhões,
equivalentes a uma média diária de US$ 1,2
milhão. Na Bolsa de Valores de Madri, as ações
preferenciais da empresa marcaram presença diária
nos pregões em 2003, período em que foram
movimentados cerca de 3,1 milhões de euros.
No exercício de 2003, os investimentos em atualização
tecnológica e expansão das unidades somaram
US$ 295 milhões. Desse valor, foram destinados
US$ 229 milhões (78% do total) para as plantas
industriais localizadas no Brasil, US$ 59 milhões
(20% do total) para as unidades na América do Norte
e US$ 6,8 milhões (2% do total) para as usinas
situadas nos demais países da América do
Sul.
Tudo começou com uma fábrica de pregos
O grupo Gerdau nasceu da visão empresarial e da
capacidade de trabalho de Johann Heinrich Kaspar Gerdau,
ou, simplesmente, João Gerdau. Imigrante alemão,
veio de Hamburgo em 1869, desembarcando no Porto de Rio
Grande com 20 anos de idade. Instalou-se na Colônia
de Santo Ângelo (atual cidade de Agudo), onde inicialmente
investiu no comércio, transporte e loteamento de
terras. Mais tarde, em 1884, fundou uma casa comercial
em Cachoeira do Sul.
Em busca de novas oportunidades, João Gerdau mudou-se
com a esposa Alvine Gerdau e os três filhos, Hugo,
Walter e Bertha, para Porto Alegre. Na capital, comprou
a Fábrica de Pregos Pontas de Paris, em 1901, marco
da criação do Grupo Gerdau. Em seguida entregou
a administração ao filho Hugo, então
com 25 anos. Educado nos maiores centros industriais da
Europa, Hugo visitou várias vezes a Europa e os
Estados Unidos em busca de novas tecnologias no processo
metalúrgico. Com a abundante produção
de pregos, o Rio Grande do Sul deixava de depender da
importação.
Em 1909, Hugo casou-se com Tilly Bins e da união
nasceram Helda e Liselotte. Cinco anos depois, tornou-se
um dos sócios-fundadores da Companhia Geral de
Indústrias, que deu origem aos fogões Geral
e, em 1930, participou ativamente da criação
do Centro de Indústrias Fabril do Estado do Rio
Grande do Sul, berço da Federação
das Indústrias (Fiergs). Três anos mais tarde,
a Fábrica de Pregos Hugo Gerdau expandiu a produção
com a construção de uma nova unidade em
Passo Fundo.
A entrada de Curt Johannpeter na família Gerdau
é o marco de um audacioso caminho nos negócios
da empresa. Nascido na Alemanha em 1899, Curt Johannpeter
fez carreira na área financeira. Em 1922, ingressou
no Banco Alemão Transatlântico, subsidiário
do Deutsch Bank e, em 1930, já ocupava o cargo
de inspetor para as filiais em Portugal, Espanha e países
da América Latina. Neste mesmo ano, em viagem ao
Brasil, conheceu a jovem Helda Gerdau, filha de Hugo,
com quem casou e teve quatro filhos: Germano, Klaus, Jorge
e Frederico.
Em 1946, Curt assumiu a direção da Gerdau
e comandou uma fase decisiva de expansão dos negócios.
Dois anos após a sua entrada, a Fábrica
de Pregos Hugo Gerdau comprou a Siderúrgica Riograndense
e o grupo iniciou sua bem sucedida trajetória na
siderurgia. A direção de Curt nos negócios
foi decisiva na modernização e impulso profissional.
Trouxe para a Gerdau os valores familiares, mostrando
que o respeito às pessoas é um dos fatores
essenciais para o sucesso de uma organização.
Seu talento para os negócios, aliado à tradição
empreendedora da família Gerdau foram os ingredientes
para a busca incessante da satisfação dos
clientes e, como decorrência, do sucesso empresarial.
Atualmente, o grupo é comandado pela quarta geração
da família.
Faturamento alcançou R$ 15,1 bilhões em
2003
O faturamento de R$ 15,8 bilhões do Grupo Gerdau
em 2003 cresceu 42% sobre os R$ 11,1 bilhões do
ano anterior. Do volume, as operações no
Brasil responderam por 57%, as unidades na América
do Norte por 39%, e as empresas no Chile, Uruguai e Argentina
por 4%.
Em 2003, o grupo exportou 3,2 milhões de toneladas
de aço a partir do Brasil, volume 70% maior do
que em 2002, o que gerou receitas de US$ 787 milhões,
um crescimento de 125%.
As unidades na América do Norte comercializaram
69% a mais em 2003, atingindo 5,1 milhões de toneladas,
devido à fusão das operações
do Grupo Gerdau na região com as da Co-Steel, concluída
em outubro de 2002. As empresas na Argentina, Uruguai
e Chile venderam, juntas, 416 mil toneladas, volume 18%
maior. No total, o Grupo Gerdau comercializou 12,1 milhões
de toneladas, o que representa um acréscimo de
33% em relação a 2002. Em laminados, a produção
total atingiu 9 milhões de toneladas, uma expansão
de 31%. A laminação é a etapa industrial
onde o aço é beneficiado e transformado
em produtos com maior valor agregado, como vergalhões,
barras, perfis e fio-máquina.
Como resultado desse cenário, o lucro líquido
– desconsiderados os ajustes no valor de R$ 334
milhões decorrentes da integração
operacional entre a Gerdau S.A. e a Aço Minas Gerais
S.A. (Açominas) – evoluiu 18%, alcançando
R$ 923 milhões. A integração entre
as duas companhias foi realizada em novembro, quando passaram
a operar sob o nome Gerdau Açominas.
Formar cidadãos e premiar os talentos
Os mais de 100 projetos sociais do Grupo Gerdau no Brasil
beneficiam milhares de brasileiros, desde crianças
e jovens de baixa renda até cientistas de importantes
universidades do País. Em 2003, foram investidos
mais de R$ 21 milhões em projetos comunitários,
a maioria em iniciativas que tem como meta a difusão
do conhecimento. Aí se incluem desde projetos em
escolas e universidades, até aqueles ligados à
educação para o empreendedorismo, para a
pesquisa científica, para o voluntariado e para
a qualidade total.
Além disso, o Grupo Gerdau participa de projetos
nas áreas da cultura, saúde, esportes e
de campanhas de mobilização social. Em parceria
com colaboradores, desenvolveu o Fundo Pró-Infância
dos Profissionais Gerdau, projeto de abrangência
nacional voltado para atender crianças e adolescentes
carentes, em situação de risco, dependentes
químicos ou portadores de necessidades especiais.
Os projetos apoiados pelo Fundo Pró-Infância
atenderam 13,4 mil crianças e adolescentes.
O Prêmio Jovem Cientista, criado pela Gerdau, é
reconhecido como uma das maiores premiações
da América Latina na área da inovação
e da pesquisa. Já Prêmio Gerdau Melhores
da Terra, de abrangência internacional, estimula
o desenvolvimento de novos produtos e ao aprimoramento
da qualidade de máquinas e equipamentos para a
agricultura. O Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade,
criado a partir da experiência da Gerdau, é
um dos maiores movimentos pela implantação
do gerenciamento da qualidade total no Brasil.
Reciclar para preservar o meio ambiente
Líder em reciclagem na América Latina,
a Gerdau utiliza a sucata como principal insumo, juntamente
com o ferro gusa e o ferro esponja, reaproveitando mais
de 9 milhões de toneladas por ano, no Brasil e
no exterior. Fogões e refrigeradores velhos, partes
de veículos, resíduos industriais, móveis,
latas de aço e outros objetos obsoletos para a
sociedade são matéria-prima para a empresa.
Uma tonelada de aço produzida com sucata consome
apenas um terço da energia utilizada para gerar
a mesma quantidade de aço a partir do minério
de ferro.
A Gerdau atua diretamente na compra de sucata nas indústrias,
por meio de uma estrutura especializada, com pessoal treinado
e equipamentos sofisticados. Sua área de engenharia
de sucata está preparada para avaliar, orientar
e implantar processos de captação que atendam
às necessidades de seus fornecedores.
A empresa opera com depósitos localizados em pontos
estratégicos do País e com centros de reciclagem
em todas as unidades industriais que utilizam sofisticados
equipamentos para o processamento de sucata. Um deles,
o Mega Shredder, que opera desde 1999 na Gerdau Cosigua
(RJ) é capaz de triturar 300 carros por hora.
Grupo Gerdau (1901)
Fundador: Johann Heinrich Kaspar Gerdau
Diretor-Presidente:
Jorge Gerdau Johannpeter
Diretores Vice-Presidentes:
Frederico C. Gerdau Johannpeter - Vice-Presidente Sênior:
Carlos J. Petry - Vice-Presidente Sênior:
André B. Gerdau Johannpeter
Cláudio Gerdau Johannpeter
Domingos Somma
Osvaldo B. Schirmer