O destino era a lavoura e a localidade o Campo dos Bugres,
atual Caxias do Sul. Mas o imigrante italiano Amadeo Rossi,
chegado ao Brasil em 1882, deixou claro desde o início
que sua vocação não era a enxada.
Junto com ele saíram de Treviso, Vale do Vêneto,
outros parentes, que preferiram a Argentina. À
época, a região serrana carecia de tudo.
O que serviu de estímulo para o jovem imigrante
tomar a decisão de exercer a atividade que realmente
conhecia: funilaria.
Bules, panelas e artefatos de cozinha em cobre, metal
que chegava ao Campo dos Bugres importado da Itália,
foram os primeiros produtos fabricados pela Amadeo Rossi,
empresa criada pelo imigrante em 1889, em plena época
de ocupação dos campos da região
serrana. A produção começou no coração
da atual Caxias do Sul, na avenida Júlio de Caxias,
principal via de escoamento da cidade. “Ele tinha
uma casa no local e em seguida comprou um terreno vizinho,
onde ergueu a fábrica, organizou a produção
e ampliou a oferta, passando a fabricar também
artigos de montaria”, conta Norberto Nelcy Rossi,
neto de Amadeo e presidente do conselho de administração
da empresa.
Casado com Giusepina Tibilo, Amadeo teve 13 filhos e,
em 1928, deu a grande guinada no negócio, quando
passou a produzir espoletas para as chamadas “armas
de carregar pela boca”, ainda hoje utilizadas na
caça a pequenos animais. Cerca de dez anos depois,
além da espoleta, começou a fabricar também
a espingarda “taquari”, denominação
conhecida no mercado de caça. Era o início
de uma fase de grande prosperidade e popularização
da marca Rossi como sinônimo de arma.
Em 1937, quando a região de Caxias do Sul enfrentava
grande crise energética, Amadeo resolveu aceitar
o convite da prefeitura de São Leopoldo para se
instalar na cidade. Ainda não havia estrada de
chão ligando a Serra gaúcha ao Vale do Sinos,
mas o imigrante italiano assumiu o desafio de acondicionar
os equipamentos em vagões de trem e começar
uma nova etapa industrial na colônia alemã.
Além de infra-estrutura adequada, a proximidade
com Porto Alegre favorecia os negócios. Num primeiro
momento, a fábrica foi montada na rua Doutor Flores
da Cunha e, posteriormente, na Epifânio Fogaça,
hoje denominada rua Amadeo Rossi, em homenagem ao empreendedor
falecido em 1956.
Da modesta espingarda taquari, a produção
evoluiu para armas de fogo central de 12 a 36 calibres,
um produto que no auge da demanda exigiu a montagem de
250 unidades por dia. Seguiram-se modelos de espingardas
tecnologicamente mais avançados, além de
garruchas, pistolões, winchesters e, posteriormente,
revólveres calibre 22 de sete tiros, um dos grandes
sucessos de venda, e calibre 38 para cinco tiros. A linha
de revólveres, que chegou a responder por até
65% das receitas, acabou sendo vendida para a Taurus em
1997.
Estados Unidos compram 90% da produção
Administrada pela terceira e quarta gerações,
hoje a Amadeo Rossi S.A. sofre o impacto da lei do desarmamento
e produz pouco para o mercado interno. Os Estados Unidos
absorvem praticamente 90% dos armamentos fabricados pela
empresa. Diariamente saem da linha de produção
400 espingardas, 35 winchesters (puma), 20 carabinas de
pressão e 1,1 milhão de espoletas. Além
de armas, a empresa produz algemas em aço inox
para a área da segurança e, por meio da
divisão de microfusão, presta serviços
a terceiros com a produção de peças
e componentes. Em média, são fabricadas
cerca de 10 mil peças diariamente.
Em 115 anos de história, a Amadeo Rossi passou
por momentos de extrema tensão. Durante a Revolução
Militar de 1964, ficou 45 dias impedida de produzir. Ao
tempo em que Borges de Medeiros governava o Estado, sofreu
sanções e prejuízos no período
revolucionário. A legislação brasileira
restritiva à venda de armas também influenciou
negativamente o crescimento da empresa, ao longo dos anos,
reclama o presidente Norberto Rossi. Atualmente, a Amadeo
Rossi tem 500 empregados.
Amadeo Rossi S.A. (1889)
Conselho de Administração:
Norberto Nelcy Rossi
José Ilco
Cláudio Antônio Rossi
Diretoria:
Luciano Rossi
Cláudio Antônio Rossi