Porto Alegre, Quarta-Feira, 20/8/2008

 
 
Amadeo Rossi - Tiros no tempo
 

O destino era a lavoura e a localidade o Campo dos Bugres, atual Caxias do Sul. Mas o imigrante italiano Amadeo Rossi, chegado ao Brasil em 1882, deixou claro desde o início que sua vocação não era a enxada. Junto com ele saíram de Treviso, Vale do Vêneto, outros parentes, que preferiram a Argentina. À época, a região serrana carecia de tudo. O que serviu de estímulo para o jovem imigrante tomar a decisão de exercer a atividade que realmente conhecia: funilaria.
Bules, panelas e artefatos de cozinha em cobre, metal que chegava ao Campo dos Bugres importado da Itália, foram os primeiros produtos fabricados pela Amadeo Rossi, empresa criada pelo imigrante em 1889, em plena época de ocupação dos campos da região serrana. A produção começou no coração da atual Caxias do Sul, na avenida Júlio de Caxias, principal via de escoamento da cidade. “Ele tinha uma casa no local e em seguida comprou um terreno vizinho, onde ergueu a fábrica, organizou a produção e ampliou a oferta, passando a fabricar também artigos de montaria”, conta Norberto Nelcy Rossi, neto de Amadeo e presidente do conselho de administração da empresa.
Casado com Giusepina Tibilo, Amadeo teve 13 filhos e, em 1928, deu a grande guinada no negócio, quando passou a produzir espoletas para as chamadas “armas de carregar pela boca”, ainda hoje utilizadas na caça a pequenos animais. Cerca de dez anos depois, além da espoleta, começou a fabricar também a espingarda “taquari”, denominação conhecida no mercado de caça. Era o início de uma fase de grande prosperidade e popularização da marca Rossi como sinônimo de arma.
Em 1937, quando a região de Caxias do Sul enfrentava grande crise energética, Amadeo resolveu aceitar o convite da prefeitura de São Leopoldo para se instalar na cidade. Ainda não havia estrada de chão ligando a Serra gaúcha ao Vale do Sinos, mas o imigrante italiano assumiu o desafio de acondicionar os equipamentos em vagões de trem e começar uma nova etapa industrial na colônia alemã. Além de infra-estrutura adequada, a proximidade com Porto Alegre favorecia os negócios. Num primeiro momento, a fábrica foi montada na rua Doutor Flores da Cunha e, posteriormente, na Epifânio Fogaça, hoje denominada rua Amadeo Rossi, em homenagem ao empreendedor falecido em 1956.
Da modesta espingarda taquari, a produção evoluiu para armas de fogo central de 12 a 36 calibres, um produto que no auge da demanda exigiu a montagem de 250 unidades por dia. Seguiram-se modelos de espingardas tecnologicamente mais avançados, além de garruchas, pistolões, winchesters e, posteriormente, revólveres calibre 22 de sete tiros, um dos grandes sucessos de venda, e calibre 38 para cinco tiros. A linha de revólveres, que chegou a responder por até 65% das receitas, acabou sendo vendida para a Taurus em 1997.

Estados Unidos compram 90% da produção

Administrada pela terceira e quarta gerações, hoje a Amadeo Rossi S.A. sofre o impacto da lei do desarmamento e produz pouco para o mercado interno. Os Estados Unidos absorvem praticamente 90% dos armamentos fabricados pela empresa. Diariamente saem da linha de produção 400 espingardas, 35 winchesters (puma), 20 carabinas de pressão e 1,1 milhão de espoletas. Além de armas, a empresa produz algemas em aço inox para a área da segurança e, por meio da divisão de microfusão, presta serviços a terceiros com a produção de peças e componentes. Em média, são fabricadas cerca de 10 mil peças diariamente.
Em 115 anos de história, a Amadeo Rossi passou por momentos de extrema tensão. Durante a Revolução Militar de 1964, ficou 45 dias impedida de produzir. Ao tempo em que Borges de Medeiros governava o Estado, sofreu sanções e prejuízos no período revolucionário. A legislação brasileira restritiva à venda de armas também influenciou negativamente o crescimento da empresa, ao longo dos anos, reclama o presidente Norberto Rossi. Atualmente, a Amadeo Rossi tem 500 empregados.

Amadeo Rossi S.A. (1889)

Conselho de Administração:
Norberto Nelcy Rossi
José Ilco
Cláudio Antônio Rossi

Diretoria:
Luciano Rossi
Cláudio Antônio Rossi

 
 

 
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