Porto Alegre, Quarta-Feira, 20/8/2008

 
 
AZEVEDO, BENTO, A mais antiga do Estado
 

A mais antiga empresa gaúcha ainda em operação, com quase 150 anos de atividades, foi criada em Porto Alegre em 9 de abril de 1855 numa época em que nem havia o Teatro São Pedro - fundado em 1858. A Azevedo, Bento S.A Indústria e Comércio surgiu com o nome de Macedo, Irmão & Azevedo. Na época não existia ligação telegráfica de Porto Alegre com o resto do País, o que ocorreu somente em 1867. E os primeiros telefones só surgiram em 1866. A empresa é mais antiga do que a Guerra do Paraguai, que teve início em 1870, e também é anterior ao começo da operação da primeira ferrovia no Rio Grande do Sul.
Fundada por João Baptista Ferreira de Azevedo, Antonio Macedo Freitas da Silveira e Joaquim José de Macedo Freitas da Silveira, começou a operar para suprir o mercado com importações de sal, necessárias ao crescimento da produção local porque a indústria nacional era pouco desenvolvida. O primeiro endereço do estabelecimento foi o local onde hoje está situado o Banco Real, na Praça 15 de Novembro, no centro de Porto Alegre.
Descendente de um dos fundadores, o diretor-presidente Sérgio Freytag de Azevedo Bastian conta que João Baptista Ferreira de Azevedo não se limitou à atividade de sua casa comercial. Ele também participou de inúmeras iniciativas que marcaram a história da economia gaúcha, entre as quais a fundação da Associação Comercial de Porto Alegre, em 1858. Azevedo foi também um dos diretores do Banco da Província do Rio Grande do Sul, em sua fase inicial, em 1858.
Com o decorrer dos anos, houve o desenvolvimento das vias de acesso para o interior e o crescimento industrial e, com isto, as importações foram perdendo sua importância. O sal, que desde o inicio era importado da Itália e da Espanha, foi substituído, na década de 1920, pelo produto procedente do Rio Grande do Norte, e que, até hoje, junto com o sal mineralizado, é o principal produto comercializado pela Azevedo, Bento.
A substituição das importações foi antecedida de dificuldades porque para o consumo industrial da época - basicamente voltado à fabricação do charque - as normas das indústrias exigiam que, na chegada do sal ao porto, amostras do produto fossem enviadas a Buenos Aires para análise como forma de comprovar a superioridade do sal nacional. Só depois da emissão do laudo favorável é que o sal era carregado para as indústrias brasileiras. O cumprimento dessas exigências acabou consolidando a confiança do mercado na empresa.
Bastian afirma que alguns anos mais tarde, com o declínio das charqueadas, o centro de consumo do sal foi paulatinamente transferido para um outro setor igualmente importante, o da agropecuária, que assumiu definitivamente um peso considerável no consumo global.

Vender sal é o negócio da empresa desde o início

Com filiais em Paranaguá e Campo Grande (MS), a Azevedo Bento produz anualmente cerca de 105 mil toneladas entre sal para rebanho, para uso industrial e para consumo humano. A empresa não tem salinas e, segundo o diretor-presidente, Sérgio Freytag de Azevedo Bastian, é difícil determinar a sua participação no mercado porque a produção de sal no Nordeste é pulverizada. Segundo informações divulgadas pela empresa, o consumo de sal está entre os vários índices que medem o grau de desenvolvimento de um povo. A estimativa é de que no Brasil o consumo de sal per capita esteja em torno de 40 quilos/ano, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, é bem mais elevado e chega a 200 quilos per capita/ano.
No Brasil, a utilização de sal na alimentação humana também está ligada à necessidade de ingestão complementar de iodo como forma de combater o bócio endêmico – causado pela deficiência de iodo nos alimentos e na água, principalmente nas regiões afastadas do litoral, pobres em iodo natural. Como forma de combater o bócio endêmico, legislação federal de 1974 determinou que o beneficiador do sal deveria ser o responsável pela iodatação. Em 1983, com o reconhecimento de que a endemia recrudescera, o subsídio e o controle do sal de consumo humano passaram a ser uma responsabilidade do Ministério da Saúde. Em 1999, foi estabelecido que o sal considerado para consumo humano deve conter teor igual ou superior a 40 miligramas até o limite máximo de 100 miligramas de iodo por quilograma do produto.
Na pecuária o consumo de sal garante um desfrute maior de rebanhos ao reduzir o tempo de engorda. A indústria química, principalmente os produtores de soda/cloro e celulose, também respondem por parte expressiva do consumo de sal, neste caso englobando sal marinho e salgema. Os curtumes igualmente são citados entre os grandes consumidores de sal.
A presença brasileira no mercado externo começou na década de 70, inicialmente com uma tímida participação. Avaliações do setor indicam que o comércio internacional de sal movimenta algo em torno de 20 milhões de toneladas anuais e há um bom espaço para a venda do produto brasileiro, inclusive beneficiado.


 
 

 
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