A mais antiga empresa gaúcha ainda em operação,
com quase 150 anos de atividades, foi criada em Porto
Alegre em 9 de abril de 1855 numa época em que
nem havia o Teatro São Pedro - fundado em 1858.
A Azevedo, Bento S.A Indústria e Comércio
surgiu com o nome de Macedo, Irmão & Azevedo.
Na época não existia ligação
telegráfica de Porto Alegre com o resto do País,
o que ocorreu somente em 1867. E os primeiros telefones
só surgiram em 1866. A empresa é mais antiga
do que a Guerra do Paraguai, que teve início em
1870, e também é anterior ao começo
da operação da primeira ferrovia no Rio
Grande do Sul.
Fundada por João Baptista Ferreira de Azevedo,
Antonio Macedo Freitas da Silveira e Joaquim José
de Macedo Freitas da Silveira, começou a operar
para suprir o mercado com importações de
sal, necessárias ao crescimento da produção
local porque a indústria nacional era pouco desenvolvida.
O primeiro endereço do estabelecimento foi o local
onde hoje está situado o Banco Real, na Praça
15 de Novembro, no centro de Porto Alegre.
Descendente de um dos fundadores, o diretor-presidente
Sérgio Freytag de Azevedo Bastian conta que João
Baptista Ferreira de Azevedo não se limitou à
atividade de sua casa comercial. Ele também participou
de inúmeras iniciativas que marcaram a história
da economia gaúcha, entre as quais a fundação
da Associação Comercial de Porto Alegre,
em 1858. Azevedo foi também um dos diretores do
Banco da Província do Rio Grande do Sul, em sua
fase inicial, em 1858.
Com o decorrer dos anos, houve o desenvolvimento das vias
de acesso para o interior e o crescimento industrial e,
com isto, as importações foram perdendo
sua importância. O sal, que desde o inicio era importado
da Itália e da Espanha, foi substituído,
na década de 1920, pelo produto procedente do Rio
Grande do Norte, e que, até hoje, junto com o sal
mineralizado, é o principal produto comercializado
pela Azevedo, Bento.
A substituição das importações
foi antecedida de dificuldades porque para o consumo industrial
da época - basicamente voltado à fabricação
do charque - as normas das indústrias exigiam que,
na chegada do sal ao porto, amostras do produto fossem
enviadas a Buenos Aires para análise como forma
de comprovar a superioridade do sal nacional. Só
depois da emissão do laudo favorável é
que o sal era carregado para as indústrias brasileiras.
O cumprimento dessas exigências acabou consolidando
a confiança do mercado na empresa.
Bastian afirma que alguns anos mais tarde, com o declínio
das charqueadas, o centro de consumo do sal foi paulatinamente
transferido para um outro setor igualmente importante,
o da agropecuária, que assumiu definitivamente
um peso considerável no consumo global.
Vender sal é o negócio da empresa desde
o início
Com filiais em Paranaguá e Campo Grande (MS),
a Azevedo Bento produz anualmente cerca de 105 mil toneladas
entre sal para rebanho, para uso industrial e para consumo
humano. A empresa não tem salinas e, segundo o
diretor-presidente, Sérgio Freytag de Azevedo Bastian,
é difícil determinar a sua participação
no mercado porque a produção de sal no Nordeste
é pulverizada. Segundo informações
divulgadas pela empresa, o consumo de sal está
entre os vários índices que medem o grau
de desenvolvimento de um povo. A estimativa é de
que no Brasil o consumo de sal per capita esteja em torno
de 40 quilos/ano, enquanto nos Estados Unidos, por exemplo,
é bem mais elevado e chega a 200 quilos per capita/ano.
No Brasil, a utilização de sal na alimentação
humana também está ligada à necessidade
de ingestão complementar de iodo como forma de
combater o bócio endêmico – causado
pela deficiência de iodo nos alimentos e na água,
principalmente nas regiões afastadas do litoral,
pobres em iodo natural. Como forma de combater o bócio
endêmico, legislação federal de 1974
determinou que o beneficiador do sal deveria ser o responsável
pela iodatação. Em 1983, com o reconhecimento
de que a endemia recrudescera, o subsídio e o controle
do sal de consumo humano passaram a ser uma responsabilidade
do Ministério da Saúde. Em 1999, foi estabelecido
que o sal considerado para consumo humano deve conter
teor igual ou superior a 40 miligramas até o limite
máximo de 100 miligramas de iodo por quilograma
do produto.
Na pecuária o consumo de sal garante um desfrute
maior de rebanhos ao reduzir o tempo de engorda. A indústria
química, principalmente os produtores de soda/cloro
e celulose, também respondem por parte expressiva
do consumo de sal, neste caso englobando sal marinho e
salgema. Os curtumes igualmente são citados entre
os grandes consumidores de sal.
A presença brasileira no mercado externo começou
na década de 70, inicialmente com uma tímida
participação. Avaliações do
setor indicam que o comércio internacional de sal
movimenta algo em torno de 20 milhões de toneladas
anuais e há um bom espaço para a venda do
produto brasileiro, inclusive beneficiado.