Porto Alegre, Quarta-Feira, 20/8/2008

 
 
ÓPTICA FOERNGES - Primeira no Estado a fazer lentes sob receita
 

Na rua dos Andradas, no centro de Porto Alegre, num cenário bucólico e por onde tranqüilamente caminhavam homens de chapéu e elegantes senhoras, Carlos Foernges inaugurou em primeiro de abril de 1895 a sua óptica. Transcorridos quase 109 anos, a sede Óptica Foernges ainda está no mesmo local. O prédio centenário ganhou mais um andar, serve como escritório da diretoria e abriga o laboratório que atende as sete lojas da rede.
Neto do fundador, o diretor-presidente Bruno Carlos Foernges conta que o avô nasceu em 1863, em São Leopoldo, cidade onde o bisavô Joaquim tinha instalado uma ourivesaria em 1861. A atividade foi seguida por Carlos Foernges que montou em 1883, em Montenegro, uma “firma” de ourivesaria, prataria e confecção de arreios. Posteriormente, abriu uma loja em Porto Alegre e mandou o filho mais velho, João Felipe, estudar óptica na Alemanha, ainda hoje um dos principais centros mundiais do ramo. Carlos Foernges teve três filhos - João Felipe, Bruno e Theobaldo - todos falecidos.
Depois de dois anos, João Felipe retornou a Porto Alegre trazendo equipamentos para confecção de lentes de grau, uma novidade na época. O laboratório foi inaugurado em 1909 e com isto a Foernges tornou-se a primeira óptica do Estado a fazer lentes sob receita médica. Antes, os clientes recorriam a óculos prontos, com o grau pré-estabelecido. Ainda hoje o carro-chefe da empresa são óculos de grau com receita.
No escritório da loja-matriz estão algumas relíquias, que Bruno se orgulha de mostrar. Entre elas um almanaque alemão editado em 1898 que traz um anúncio da óptica Carlos Foernges. Fotos antigas e reproduções de publicações na imprensa integram o acervo.
Bruno e o filho Guilherme contam que um dos planos é reunir todo o material e colocá-lo em exposição na loja para que as novas gerações conheçam um pouco da história da empresa e da evolução da óptica no Rio Grande do Sul. Bruno Carlos é formado em Odontologia pela Pucrs, mas só exerceu a profissão durante oito anos. “Larguei tudo para me dedicar à óptica”. Ele era o único filho e o pai morreu em 1978. Em 1996, houve um acordo familiar e ele tornou-se o dono. A continuidade da Foernges está assegurada com os filhos Guilherme, estudante de Administração de Empresas, e Fernanda, advogada. A esposa Maria Salete cuida de uma das filiais em Porto Alegre.

Óculos de grau são o carro-chefe

A centenária Óptica Foernges ainda segue a tradição do fundador acompanhando a evolução tecnológica do ramo. Visitas a feiras e exposições no exterior fazem parte da agenda do diretor-presidente Bruno Foernges. Com 70 funcionários, a empresa faz em média mil óculos de grau sob receita médica por mês.
As armações são produzidas por terceiros e 80% são importadas, principalmente da Itália e da Alemanha. A matéria-prima para as lentes é fornecida por fabricantes e à óptica cabe a delicada tarefa de fazer o óculos no grau solicitado. Se for urgente, um par de lentes pode ser feito em poucas horas pois a Foernges tem laboratório próprio.
Segundo o diretor-presidente, embora nos meses de verão ocorra um aumento da demanda por óculos de proteção contra o sol, não há sazonalidade nos óculos de grau. A maioria dos clientes tem mas de 40 anos, fase em que começam os sintomas da presbiopia, popularmente conhecida como “vista cansada” e que acaba obrigando o uso de lentes.
A Foernges tem sete lojas próprias, mas as solicitações para abrir franquias no interior já estão sendo avaliadas com bastante cautela, segundo Bruno, para manter a tradição de seriedade da empresa.

Um pouco de história

Pesquisa feita pelo Museu dos Óculos Gioconda Giannini, de São Paulo, informa que a primeira referência histórica oriental sobre a existência dos óculos aparece nos textos do filósofo chinês Confúcio, 500 anos antes de Cristo. Durante séculos serviram apenas como acessórios aos nobres chineses ou eram usados apenas como objetos para discriminar as pessoas do povo e os portadores de doenças mentais.
O conceito sobre o uso de lentes, porém, mudou na Roma dos Césares. O imperador Nero descobriu as lentes coloridas para proteger da luz do sol, por acaso, ao usar uma lâmina de vidro verde sobre os olhos numa apresentação nas arenas romanas. A óptica só apareceria por volta do sécuo IX da era cristã.
O primeiro par de ferros com aros grandes, unidos por rebite, foi descoberto na Alemanha em 1270. As primeiras peças eram pesadas e desconfortáveis. No século 15, os pince-nez, sem haste e ajustável na ponta do nariz, e os lornhons, com haste lateral para ficar seguro sobre os olhos, eram moda.
Os modelos com hastes fixas sobre as orelhas foram criados no século XVII, mas não abalaram a fama do pince-nez e do lornhon, modelos usados até a década de 20, quando foram substituídos pelo estilo numont com aros superiores ou inferiores, finos e leves.


 
 

 
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