Incorporada em setembro de 2002 pela Florestal Alimentos
S.A., a centenária Neugebauer busca resgatar nas
origens o conceito de qualidade que a fez uma das mais
importantes indústrias de chocolates do Brasil.
É no legado deixado pelos irmãos Franz,
Max e Ernest, que o diretor comercial Verno Arend busca
inspiração para recolocar a empresa entre
as grandes do setor. “Compramos não apenas
uma fábrica de chocolate; compramos uma lenda”,
diz ele, referindo-se ao valor histórico de uma
das mais antigas e tradicionais fábricas do Rio
Grande do Sul.
A Neugebauer esteve sob controle familiar até 1982,
quando foi vendida ao Grupo Fenícia. Em 1998, foi
adquirida pela Parmalat, que a vendeu à Florestal
em 2002. Várias trocas de mãos em tão
pouco tempo fez a empresa perder o rumo. Para colocá-la
novamente na dianteira, o empresário já
investiu R$ 9 milhões em equipamentos e modernização
de processos. Outros R$ 3 milhões serão
investidos até o final de 2004. “O conceito
da marca estava desgastado e o processo industrial tecnologicamente
defasado”, diz Arend. Novos recursos terão
de ser aportados ao longo dos próximos anos para
melhorar a produtividade. Só para modernizar a
produção da linha de bombons tipo “bola”,
como o Amor Carioca, um dos carro-chefe, serão
necessários perto de R$ 6 milhões.
Na Páscoa passada, a Neugebauer já entrou
com força no mercado, apresentando a nova logomarca,
cujos traços lembram a tradição centenária.
Novas formulações e embalagens também
foram apresentadas ao público, indicando que a
empresa não trocava apenas de dono, mas de estratégia
– uma estratégia de volta aos tempos em que
chocolate no Rio Grande Sul era sinônimo de Neugebauer.
Para a Páscoa de 2004, o departamento de marketing
reserva surpresas, mas Arend prefere não revelar
a estratégia a ser adotada, temendo a reação
da concorrência. Adianta que o faturamento deverá
ser melhor porque os preços das matérias-primas
estão estabilizados.
Os passos à recuperação da imagem
e ao reposicionamento da marca envolveram a reestruturação
da área comercial, hoje formada por 46 distribuidores
e um árduo trabalho de divulgação
nos pontos-de-venda, principalmente nas redes de supermercados.
A logística de distribuição da Florestal,
líder nacional no segmento de balas e pirulitos,
amplia a alavancagem comercial das linhas de chocolates,
que hoje chegam a todo o Brasil e também ao México
e à África do Sul, mercados externos-piloto.
Em breve poderão chegar aos 66 países para
os quais a Floresta já exporta.
Em mais de quatro séculos de existência,
a Neugebauer alcançou a posição de
quarta empresa brasileira do setor, com participação
de 4,5% do mercado nacional. Com 280 funcionários,
produz cerca de 40 toneladas diárias de chocolate.
Entre os mais reconhecidos pelos consumidores, destacam-se
o bombom Amor Carioca, os confeitos Bib´s e os tabletes
Stikadinho e Refeição.
A freqüente mudança de donos fez também
com que grande parte do acervo da empresa – documentos,
fotografias e máquinas do início do século
– desaparecessem. Nesse sentido, a preocupação
da Florestal, uma organização gaúcha
como a Neugebauer, é resgatar a memória
do grupo pioneiro na produção de chocolates,
através de um esforço de pesquisa e preservação
dos equipamentos antigos que ainda existem e que estão
sendo catalogados. Muitos desses objetos foram emprestados
à Rede Globo para as filmagens da novela Chocolate
com Pimenta.
Família controlou a empresa por 90 anos
A intenção de trabalhar com chocolate fazia
parte dos planos da Florestal Alimentos antes mesmo da
aquisição. A decisão de implantar
uma unidade junto à planta de Lajeado e entrar
em um mercado estimado em 337 mil toneladas ao ano já
estava tomada, quando a direção tomou conhecimento
de que a Parmalat pretendia se desfazer da Neugebauer.
As conversações começaram e meados
de 2001, mas não evoluíram. Em junho do
2002, uma nova proposta financeira encaminhou o negócio
e no início de setembro os novos donos entravam
no capital da empresa. Os valores da transação
não foram revelados. Uma cláusula contratual
proíbe a divulgação dos números
envolvidos na transação.
Hoje a Neugebauer é uma divisão de chocolates
da Florestal Alimentos, não existindo mais a razão
social corporativa que levava o sobrenome dos pioneiros
fundadores. No conjunto das atividades (balas, pirulitos,
gomas de mascar e chocolates), a empresa projeta crescimento
de 25% a 27% para 2004. A estimativa só será
contrariada se o dólar cair a níveis muito
baixos, diz o diretor comercial Verno Arend. A empresa
exporta 25% da produção para 66 países
e deve faturar algo próximo a R$ 190 milhões
este ano.
Em 2002, duas importantes ações de reposicionameto
estratégico deram nova dimensão à
Florestal: o início da produção de
chicletes sem açúcar, visando atingir um
público diferenciado e a entrada no mercado de
chocolates. Instalada em uma área de 60 mil metros
quadrados, no município de Lajeado, a 120 quilômetros
de Porto alegre, a Florestal investiu forte nos últimos
anos na compra de equipamentos e máquinas de alta
tecnologia. Hoje a capacidade diária é de
180 toneladas de balas e pirulitos, 60 mil latas de balas
diet e 3,5 toneladas de goma de mascar, além das
40 toneladas de chocolate diariamente.
Também em 2002 a empresa publicou pela primeira
vez seu Balanço Social, apresentando os investimentos
nas áreas comunitária e de bem-estar dos
colaboradores. Em 2001, os recursos disponiblizados para
programas de qualificação na área
de recursos humanos e benefícios chegaram próximo
a R$ 1,8 milhão.
A Florestal surgiu em 1936, quando Natalício Hienck
deu início a uma modesta fábrica de balas
no interior de Lajeado e vendia os produtos de bicicleta
pelas ruas da cidade. Em 1941, a garagem da casa onde
morava tornou-se pequena para abrigar a produção,
obrigando-o a transferir a fábrica para o bairro
Florestal, nome que deu origem a marca dos produtos. Em
1974, a marca chegava ao exterior com a primeira exportação
para o Paraguai.
A mais importante fase da Florestal começou em
1994, com uma nova composição acionária.
O processo de reestruturação interna permitiu
a consolidação de um novo modelo industrial,
com altos investimentos em tecnologia e recursos humanos.
Essas ações resultaram na conquista de novos
mercados, prêmios e certificações,
entre elas a ISO 9001 e a ISO 14001. Em 2002, ao comprar
a Neugebauer, agregou valor ao negócio e perto
de R$ 65 milhões às receitas previstas para
2004.
Florestal Alimentos já tinha plano de produzir
chocolate
A intenção de trabalhar com chocolate fazia
parte dos planos da Florestal Alimentos antes mesmo da
aquisição. A decisão de implantar
uma unidade junto à planta de Lajeado e entrar
em um mercado estimado em 337 mil toneladas ao ano já
estava tomada, quando a direção tomou conhecimento
de que a Parmalat pretendia se desfazer da Neugebauer.
As conversações começaram e meados
de 2001, mas não evoluíram. Em junho do
2002, uma nova proposta financeira encaminhou o negócio
e no início de setembro os novos donos entravam
no capital da empresa. Os valores da transação
não foram revelados. Uma cláusula contratual
proíbe a divulgação dos números
envolvidos na transação.
Hoje a Neugebauer é uma divisão de chocolates
da Florestal Alimentos, não existindo mais a razão
social corporativa que levava o sobrenome dos pioneiros
fundadores. No conjunto das atividades (balas, pirulitos,
gomas de mascar e chocolates), a empresa projeta crescimento
de 25% a 27% para 2004. A estimativa só será
contrariada se o dólar cair a níveis muito
baixos, diz o diretor comercial Verno Arend. A empresa
exporta 25% da produção para 66 países
e deve faturar algo próximo a R$ 190 milhões
este ano.
Em 2002, duas importantes ações de reposicionameto
estratégico deram nova dimensão à
Florestal: o início da produção de
chicletes sem açúcar, visando atingir um
público diferenciado e a entrada no mercado de
chocolates. Instalada em uma área de 60 mil metros
quadrados, no município de Lajeado, a 120 quilômetros
de Porto alegre, a Florestal investiu forte nos últimos
anos na compra de equipamentos e máquinas de alta
tecnologia. Hoje a capacidade diária é de
180 toneladas de balas e pirulitos, 60 mil latas de balas
diet e 3,5 toneladas de goma de mascar, além das
40 toneladas de chocolate diariamente.
Também em 2002 a empresa publicou pela primeira
vez seu Balanço Social, apresentando os investimentos
nas áreas comunitária e de bem-estar dos
colaboradores. Em 2001, os recursos disponiblizados para
programas de qualificação na área
de recursos humanos e benefícios chegaram próximo
a R$ 1,8 milhão.
A Florestal surgiu em 1936, quando Natalício Hienck
deu início a uma modesta fábrica de balas
no interior de Lajeado e vendia os produtos de bicicleta
pelas ruas da cidade. Em 1941, a garagem da casa onde
morava tornou-se pequena para abrigar a produção,
obrigando-o a transferir a fábrica para o bairro
Florestal, nome que deu origem a marca dos produtos. Em
1974, a marca chegava ao exterior com a primeira exportação
para o Paraguai.
A mais importante fase da Florestal começou em
1994, com uma nova composição acionária.
O processo de reestruturação interna permitiu
a consolidação de um novo modelo industrial,
com altos investimentos em tecnologia e recursos humanos.
Essas ações resultaram na conquista de novos
mercados, prêmios e certificações,
entre elas a ISO 9001 e a ISO 14001. Em 2002, ao comprar
a Neugebauer, agregou valor ao negócio e perto
de R$ 65 milhões às receitas previstas para
2004.