Porto Alegre, Quarta-Feira, 20/8/2008

 
 
NEUGEBAUER - Fôlego novo para a fábrica
 

Incorporada em setembro de 2002 pela Florestal Alimentos S.A., a centenária Neugebauer busca resgatar nas origens o conceito de qualidade que a fez uma das mais importantes indústrias de chocolates do Brasil. É no legado deixado pelos irmãos Franz, Max e Ernest, que o diretor comercial Verno Arend busca inspiração para recolocar a empresa entre as grandes do setor. “Compramos não apenas uma fábrica de chocolate; compramos uma lenda”, diz ele, referindo-se ao valor histórico de uma das mais antigas e tradicionais fábricas do Rio Grande do Sul.
A Neugebauer esteve sob controle familiar até 1982, quando foi vendida ao Grupo Fenícia. Em 1998, foi adquirida pela Parmalat, que a vendeu à Florestal em 2002. Várias trocas de mãos em tão pouco tempo fez a empresa perder o rumo. Para colocá-la novamente na dianteira, o empresário já investiu R$ 9 milhões em equipamentos e modernização de processos. Outros R$ 3 milhões serão investidos até o final de 2004. “O conceito da marca estava desgastado e o processo industrial tecnologicamente defasado”, diz Arend. Novos recursos terão de ser aportados ao longo dos próximos anos para melhorar a produtividade. Só para modernizar a produção da linha de bombons tipo “bola”, como o Amor Carioca, um dos carro-chefe, serão necessários perto de R$ 6 milhões.
Na Páscoa passada, a Neugebauer já entrou com força no mercado, apresentando a nova logomarca, cujos traços lembram a tradição centenária. Novas formulações e embalagens também foram apresentadas ao público, indicando que a empresa não trocava apenas de dono, mas de estratégia – uma estratégia de volta aos tempos em que chocolate no Rio Grande Sul era sinônimo de Neugebauer. Para a Páscoa de 2004, o departamento de marketing reserva surpresas, mas Arend prefere não revelar a estratégia a ser adotada, temendo a reação da concorrência. Adianta que o faturamento deverá ser melhor porque os preços das matérias-primas estão estabilizados.
Os passos à recuperação da imagem e ao reposicionamento da marca envolveram a reestruturação da área comercial, hoje formada por 46 distribuidores e um árduo trabalho de divulgação nos pontos-de-venda, principalmente nas redes de supermercados. A logística de distribuição da Florestal, líder nacional no segmento de balas e pirulitos, amplia a alavancagem comercial das linhas de chocolates, que hoje chegam a todo o Brasil e também ao México e à África do Sul, mercados externos-piloto. Em breve poderão chegar aos 66 países para os quais a Floresta já exporta.
Em mais de quatro séculos de existência, a Neugebauer alcançou a posição de quarta empresa brasileira do setor, com participação de 4,5% do mercado nacional. Com 280 funcionários, produz cerca de 40 toneladas diárias de chocolate. Entre os mais reconhecidos pelos consumidores, destacam-se o bombom Amor Carioca, os confeitos Bib´s e os tabletes Stikadinho e Refeição.
A freqüente mudança de donos fez também com que grande parte do acervo da empresa – documentos, fotografias e máquinas do início do século – desaparecessem. Nesse sentido, a preocupação da Florestal, uma organização gaúcha como a Neugebauer, é resgatar a memória do grupo pioneiro na produção de chocolates, através de um esforço de pesquisa e preservação dos equipamentos antigos que ainda existem e que estão sendo catalogados. Muitos desses objetos foram emprestados à Rede Globo para as filmagens da novela Chocolate com Pimenta.

Família controlou a empresa por 90 anos

A intenção de trabalhar com chocolate fazia parte dos planos da Florestal Alimentos antes mesmo da aquisição. A decisão de implantar uma unidade junto à planta de Lajeado e entrar em um mercado estimado em 337 mil toneladas ao ano já estava tomada, quando a direção tomou conhecimento de que a Parmalat pretendia se desfazer da Neugebauer.
As conversações começaram e meados de 2001, mas não evoluíram. Em junho do 2002, uma nova proposta financeira encaminhou o negócio e no início de setembro os novos donos entravam no capital da empresa. Os valores da transação não foram revelados. Uma cláusula contratual proíbe a divulgação dos números envolvidos na transação.
Hoje a Neugebauer é uma divisão de chocolates da Florestal Alimentos, não existindo mais a razão social corporativa que levava o sobrenome dos pioneiros fundadores. No conjunto das atividades (balas, pirulitos, gomas de mascar e chocolates), a empresa projeta crescimento de 25% a 27% para 2004. A estimativa só será contrariada se o dólar cair a níveis muito baixos, diz o diretor comercial Verno Arend. A empresa exporta 25% da produção para 66 países e deve faturar algo próximo a R$ 190 milhões este ano.
Em 2002, duas importantes ações de reposicionameto estratégico deram nova dimensão à Florestal: o início da produção de chicletes sem açúcar, visando atingir um público diferenciado e a entrada no mercado de chocolates. Instalada em uma área de 60 mil metros quadrados, no município de Lajeado, a 120 quilômetros de Porto alegre, a Florestal investiu forte nos últimos anos na compra de equipamentos e máquinas de alta tecnologia. Hoje a capacidade diária é de 180 toneladas de balas e pirulitos, 60 mil latas de balas diet e 3,5 toneladas de goma de mascar, além das 40 toneladas de chocolate diariamente.
Também em 2002 a empresa publicou pela primeira vez seu Balanço Social, apresentando os investimentos nas áreas comunitária e de bem-estar dos colaboradores. Em 2001, os recursos disponiblizados para programas de qualificação na área de recursos humanos e benefícios chegaram próximo a R$ 1,8 milhão.
A Florestal surgiu em 1936, quando Natalício Hienck deu início a uma modesta fábrica de balas no interior de Lajeado e vendia os produtos de bicicleta pelas ruas da cidade. Em 1941, a garagem da casa onde morava tornou-se pequena para abrigar a produção, obrigando-o a transferir a fábrica para o bairro Florestal, nome que deu origem a marca dos produtos. Em 1974, a marca chegava ao exterior com a primeira exportação para o Paraguai.
A mais importante fase da Florestal começou em 1994, com uma nova composição acionária. O processo de reestruturação interna permitiu a consolidação de um novo modelo industrial, com altos investimentos em tecnologia e recursos humanos. Essas ações resultaram na conquista de novos mercados, prêmios e certificações, entre elas a ISO 9001 e a ISO 14001. Em 2002, ao comprar a Neugebauer, agregou valor ao negócio e perto de R$ 65 milhões às receitas previstas para 2004.

Florestal Alimentos já tinha plano de produzir chocolate

A intenção de trabalhar com chocolate fazia parte dos planos da Florestal Alimentos antes mesmo da aquisição. A decisão de implantar uma unidade junto à planta de Lajeado e entrar em um mercado estimado em 337 mil toneladas ao ano já estava tomada, quando a direção tomou conhecimento de que a Parmalat pretendia se desfazer da Neugebauer.
As conversações começaram e meados de 2001, mas não evoluíram. Em junho do 2002, uma nova proposta financeira encaminhou o negócio e no início de setembro os novos donos entravam no capital da empresa. Os valores da transação não foram revelados. Uma cláusula contratual proíbe a divulgação dos números envolvidos na transação.
Hoje a Neugebauer é uma divisão de chocolates da Florestal Alimentos, não existindo mais a razão social corporativa que levava o sobrenome dos pioneiros fundadores. No conjunto das atividades (balas, pirulitos, gomas de mascar e chocolates), a empresa projeta crescimento de 25% a 27% para 2004. A estimativa só será contrariada se o dólar cair a níveis muito baixos, diz o diretor comercial Verno Arend. A empresa exporta 25% da produção para 66 países e deve faturar algo próximo a R$ 190 milhões este ano.
Em 2002, duas importantes ações de reposicionameto estratégico deram nova dimensão à Florestal: o início da produção de chicletes sem açúcar, visando atingir um público diferenciado e a entrada no mercado de chocolates. Instalada em uma área de 60 mil metros quadrados, no município de Lajeado, a 120 quilômetros de Porto alegre, a Florestal investiu forte nos últimos anos na compra de equipamentos e máquinas de alta tecnologia. Hoje a capacidade diária é de 180 toneladas de balas e pirulitos, 60 mil latas de balas diet e 3,5 toneladas de goma de mascar, além das 40 toneladas de chocolate diariamente.
Também em 2002 a empresa publicou pela primeira vez seu Balanço Social, apresentando os investimentos nas áreas comunitária e de bem-estar dos colaboradores. Em 2001, os recursos disponiblizados para programas de qualificação na área de recursos humanos e benefícios chegaram próximo a R$ 1,8 milhão.
A Florestal surgiu em 1936, quando Natalício Hienck deu início a uma modesta fábrica de balas no interior de Lajeado e vendia os produtos de bicicleta pelas ruas da cidade. Em 1941, a garagem da casa onde morava tornou-se pequena para abrigar a produção, obrigando-o a transferir a fábrica para o bairro Florestal, nome que deu origem a marca dos produtos. Em 1974, a marca chegava ao exterior com a primeira exportação para o Paraguai.
A mais importante fase da Florestal começou em 1994, com uma nova composição acionária. O processo de reestruturação interna permitiu a consolidação de um novo modelo industrial, com altos investimentos em tecnologia e recursos humanos. Essas ações resultaram na conquista de novos mercados, prêmios e certificações, entre elas a ISO 9001 e a ISO 14001. Em 2002, ao comprar a Neugebauer, agregou valor ao negócio e perto de R$ 65 milhões às receitas previstas para 2004.


 
 

 
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