Porto Alegre, Quarta-Feira, 20/8/2008

 
 
Haenssgen - O caixeiro-viajante que virou empresário
 

Produzir doces e caramelos em uma região distante dos engenhos de açúcar, no Século XIX, foi o desafio a que se impôs o imigrante alemão Frederico Germano Haenssgen. A matéria-prima, trazida do Nordeste, chegava de navio a Porto Alegre e de lá seguia pelo rio Taquari até Cruzeiro do Sul, então denominada São Gabriel da Estrela. As estradas eram precárias e a energia era produzida pela queima da madeira. O importante era manter um bom estoque. Durante a Segunda Guerra Mundial, escasseou o flandres, material utilizado para produzir as latas. A solução foi acondicionar a produção em caixas de compensado, conta Ernesto Henrique Treter, presidente do Conselho de Administração e neto do fundador.
Frederico veio da Alemanha em 1890. Inicialmente trabalhou em uma empresa atacadista de Porto Alegre, mas logo foi nomeado caixeiro-viajante para o Alto Taquari, conhecendo o rico interior do Rio Grande do Sul. Impossibilitado de trabalhar durante o movimento revolucionário que agitou o Estado, na época, hospedou-se, temporariamente, em São Gabriel da Estrela, onde conheceu Eleonora Veeck, filha do dono da pousada. Quatro anos depois se casaram e, em 2 de janeiro de 1895, já estabelecido na cidade, o imigrante coloca em prática seus conhecimentos de confeiteiro, iniciando o negócio com balas e caramelos. Era o embrião de uma indústria que, 109 anos depois, permanece sob controle familiar.
No início, o próprio Frederico vendia pessoalmente a produção no comércio de quilo em quilo. A esposa Eleonora ajudava a gerir os negócios quando a fábrica começou a prosperar. A primeira instalação, que ao mesmo tempo servia de moradia ao casal, foi erguida em 1905. Nas décadas seguintes, um novo prédio foi construído e equipamentos mais modernos foram importados. Aos poucos, os familiares foram ingressando no negócio. Em 1930, após ampliar a indústria e passar a produzir chocolates e bombons, Frederico morre, deixando a administração aos descendentes – um filho e quatro filhas e genros.
Nas décadas de 60 e 70, já sob a razão social de Haenssgen & Cia. Ltda., a importação de maquinário da Alemanha permitiu o aumento da produção de chocolates e balas de goma. Na década de 80, começa a expansão para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No final da década de 90, a empresa adquiriu uma máquina que multiplicou por sete a produção de balas de goma.
Em 2000, a empresa passou a ser uma sociedade anônima, denominando-se Haenssgen S/A - Indústria e Comércio. Hoje, produz balas de goma, bombons, tabletes, wafers, e coberturas industriais. Atende o mercado nacional e países das três Américas, África, Oriente Médio e Ásia.

Haenssgen S/A - Indústria e Comércio (1895)

Fundador: Frederico Germano Haenssgen

Conselho de Administração:
Ernesto Henrique Treter (presidente)
Luís Carlos Haenssgen
Renato Becker
Ardvit Froeming

Diretores:
Ricardo Augusto Haenssgen
Luís Carlos Haenssgen

Investimentos de R$ 2 milhões garantem o aumento da produção

Do longínquo ano de 1895, quando foi fundada por Frederico Germano Haenssgen, a pequena indústria de balas e caramelos instalada em São Gabriel da Estrela, atual Cruzeiro do Sul, sobreviveu aos reveses da Revolução Constitucionalista e da Segunda Guerra Mundial. Hoje, administrada pela quarta geração, a Haenssgen é um orgulho para a pequena cidade do Vale do Taquari.
O diretor Luís Carlos Haenssgen, bisneto do fundador, planeja com cuidado o crescimento da empresa que consagrou a marca Natal no seu segmento. Nos últimos quatro anos, foram investidos R$ 2 milhões para aumentar a produção de balas de goma, de 60 mil toneladas/mês para 400 mil toneladas/mês, e em outros itens do processo industrial. A linha de wafers ganhou equipamentos novos no valor de R$ 150 mil, entre eles, uma moderna embaladora de onde sairá o primeiro produto com a marca Haenssgen, um tablete de 160 gramas à base de chocolate, em homenagem ao fundador.
Instalada em 100 hectares e 10 mil metros quadrados de área construída, a Haenssgen é uma das maiores empregadoras de Cruzeiro do Sul, com 260 funcionários. Do faturamento de R$ 20 milhões em 2003, cerca de 20% vieram da exportação para 25 países. Em 2004, a previsão de faturamento é de R$ 24 milhões. Para atingir esse crescimento, Luís Carlos projeta aumentar em 50% as exportações e em 10% as vendas internas.
No campo da ação social, a Haenssgen desenvolve dois programas comunitários em datas festivas, dentro do Projeto Criança Natal. Na semana da Páscoa, em combinação com as secretarias municipais de educação da região do Vale do Taquari, organiza caravanas de crianças carentes para visitas guiadas à fábrica, degustação de chocolate e distribuição de ninhos. No Dia da Criança é a vez do evento Criança Feliz, voltado para carentes de Cruzeiro do Sul.

 
 

 
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