Produzir doces e caramelos em uma região distante
dos engenhos de açúcar, no Século
XIX, foi o desafio a que se impôs o imigrante alemão
Frederico Germano Haenssgen. A matéria-prima, trazida
do Nordeste, chegava de navio a Porto Alegre e de lá
seguia pelo rio Taquari até Cruzeiro do Sul, então
denominada São Gabriel da Estrela. As estradas
eram precárias e a energia era produzida pela queima
da madeira. O importante era manter um bom estoque. Durante
a Segunda Guerra Mundial, escasseou o flandres, material
utilizado para produzir as latas. A solução
foi acondicionar a produção em caixas de
compensado, conta Ernesto Henrique Treter, presidente
do Conselho de Administração e neto do fundador.
Frederico veio da Alemanha em 1890. Inicialmente trabalhou
em uma empresa atacadista de Porto Alegre, mas logo foi
nomeado caixeiro-viajante para o Alto Taquari, conhecendo
o rico interior do Rio Grande do Sul. Impossibilitado
de trabalhar durante o movimento revolucionário
que agitou o Estado, na época, hospedou-se, temporariamente,
em São Gabriel da Estrela, onde conheceu Eleonora
Veeck, filha do dono da pousada. Quatro anos depois se
casaram e, em 2 de janeiro de 1895, já estabelecido
na cidade, o imigrante coloca em prática seus conhecimentos
de confeiteiro, iniciando o negócio com balas e
caramelos. Era o embrião de uma indústria
que, 109 anos depois, permanece sob controle familiar.
No início, o próprio Frederico vendia pessoalmente
a produção no comércio de quilo em
quilo. A esposa Eleonora ajudava a gerir os negócios
quando a fábrica começou a prosperar. A
primeira instalação, que ao mesmo tempo
servia de moradia ao casal, foi erguida em 1905. Nas décadas
seguintes, um novo prédio foi construído
e equipamentos mais modernos foram importados. Aos poucos,
os familiares foram ingressando no negócio. Em
1930, após ampliar a indústria e passar
a produzir chocolates e bombons, Frederico morre, deixando
a administração aos descendentes –
um filho e quatro filhas e genros.
Nas décadas de 60 e 70, já sob a razão
social de Haenssgen & Cia. Ltda., a importação
de maquinário da Alemanha permitiu o aumento da
produção de chocolates e balas de goma.
Na década de 80, começa a expansão
para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
No final da década de 90, a empresa adquiriu uma
máquina que multiplicou por sete a produção
de balas de goma.
Em 2000, a empresa passou a ser uma sociedade anônima,
denominando-se Haenssgen S/A - Indústria e Comércio.
Hoje, produz balas de goma, bombons, tabletes, wafers,
e coberturas industriais. Atende o mercado nacional e
países das três Américas, África,
Oriente Médio e Ásia.
Haenssgen S/A - Indústria e Comércio (1895)
Fundador: Frederico Germano Haenssgen
Conselho de Administração:
Ernesto Henrique Treter (presidente)
Luís Carlos Haenssgen
Renato Becker
Ardvit Froeming
Diretores:
Ricardo Augusto Haenssgen
Luís Carlos Haenssgen
Investimentos de R$ 2 milhões garantem o aumento
da produção
Do longínquo ano de 1895, quando foi fundada por
Frederico Germano Haenssgen, a pequena indústria
de balas e caramelos instalada em São Gabriel da
Estrela, atual Cruzeiro do Sul, sobreviveu aos reveses
da Revolução Constitucionalista e da Segunda
Guerra Mundial. Hoje, administrada pela quarta geração,
a Haenssgen é um orgulho para a pequena cidade
do Vale do Taquari.
O diretor Luís Carlos Haenssgen, bisneto do fundador,
planeja com cuidado o crescimento da empresa que consagrou
a marca Natal no seu segmento. Nos últimos quatro
anos, foram investidos R$ 2 milhões para aumentar
a produção de balas de goma, de 60 mil toneladas/mês
para 400 mil toneladas/mês, e em outros itens do
processo industrial. A linha de wafers ganhou equipamentos
novos no valor de R$ 150 mil, entre eles, uma moderna
embaladora de onde sairá o primeiro produto com
a marca Haenssgen, um tablete de 160 gramas à base
de chocolate, em homenagem ao fundador.
Instalada em 100 hectares e 10 mil metros quadrados de
área construída, a Haenssgen é uma
das maiores empregadoras de Cruzeiro do Sul, com 260 funcionários.
Do faturamento de R$ 20 milhões em 2003, cerca
de 20% vieram da exportação para 25 países.
Em 2004, a previsão de faturamento é de
R$ 24 milhões. Para atingir esse crescimento, Luís
Carlos projeta aumentar em 50% as exportações
e em 10% as vendas internas.
No campo da ação social, a Haenssgen desenvolve
dois programas comunitários em datas festivas,
dentro do Projeto Criança Natal. Na semana da Páscoa,
em combinação com as secretarias municipais
de educação da região do Vale do
Taquari, organiza caravanas de crianças carentes
para visitas guiadas à fábrica, degustação
de chocolate e distribuição de ninhos. No
Dia da Criança é a vez do evento Criança
Feliz, voltado para carentes de Cruzeiro do Sul.