Registrada em 1893 como marca de alimento de origem animal,
a Excelsior atravessou 110 anos, sendo os últimos
63 em poder da família Baumhardt. O negócio
começou em Santa Cruz do Sul com o beneficiamento
de banha de porco e evoluiu para embutidos de suínos
e, recentemente, também para produtos a base de
frango e peru, distribuídos no Rio Grande do Sul,
Santa Catarina e Paraná. Das acanhadas instalações
no centro da cidade, no início, a empresa ocupa
hoje vasta área no bairro Arroio Grande, onde emprega
200 funcionários.
Até 1999 a Excelsior Alimentos S.A. (denominação
adotada em 2003) mantinha uma estrutura verticalizada
e pesada, que incluía abate de suínos e
logística própria de distribuição
com 16 caminhões. A partir de 2000, os sócios
reavaliaram a vantagem de continuar com a granja de suínos
e com a frota de veículos e partiram para um programa
de redução de ativos e de reposicionamento
no mercado. “Chegamos à conclusão
de que o negócio da Excelsior é produzir
alimentos e não criar animais para abate ou administrar
transporte”, afirma o diretor João Fernando
Baumhardt, da terceira geração familiar.
A partir dessa decisão, a empresa se desfez da
granja e da frota, passando a focar seu negócio
exclusivamente na produção de embutidos.
Hoje, compra carnes para beneficiamento no mercado e contrata
frete para distribuição. O período
coincidiu também com a opção por
uma gestão profissionalizada e com a contratação
de especialistas em mercado, em substituição
a antigos acionistas que passaram para o Conselho de Administração.
A estratégia trouxe resultados positivos e animou
o investimento em novas praças. A partir de março,
os produtos Excelsior entram em São Paulo, inicialmente
pelo sul, na divisa com o Paraná, devendo chegar
paulatinamente ao resto do estado. O lançamento
de produtos à base de frango e peru é outra
novidade no portfolio de 55 itens da empresa. Com essa
nova estratégia, a empresa projeta aumentar as
receitas de R$ 39 milhões em 2003, para R$ 50 milhões
em 2004, um salto de 28%.
Outra decisão tomada pelos acionistas refere-se
ao aproveitamento da força da marca em produtos
fabricados por terceiros, a exemplo do que fazem outras
empresas do setor. A vantagem principal é a utilização
da rede de distribuição, formada por 43
mil pontos de vendas. A estratégia já foi
tentada em 1999, em parceria com uma empresa paulista
que produz feijoada pronta, mas o negócio não
vingou por falhas na estratégia de comunicação
com o consumidor.
A conquista do mercado externo também está
nos planos da empresa, mas, para tanto, será necessário
um novo processo de adequação. “O
mercado internacional é exigente e pressupõe
a adoção de uma série de medidas
que, ao final, acabarão por beneficiar nossa atuação
no mercado interno”, analisa Baumhardt.
De acordo com o dirigente, a empresa nunca contratou uma
pesquisa para medir sua participação no
mercado. Ele acredita, no entanto, que, no autoserviço,
a marca detenha perto de 30% das vendas de salsichas,
mortadelas e fiambres, no Rio Grande do Sul. A produção
total é de 1,2 mil toneladas de alimentos a base
de carnes por mês.
A Excelsior é uma empresa de capital aberto desde
1968, mas só a partir de 1980 começou a
negociar ações em bolsa de valores. Operou
com prejuízo de R$ 1,9 milhão em 2002, e
a tendência é de registrar lucro e 2003.
Até setembro do ano passado, de acordo com as demonstrações
financeiras encaminhadas à CVM, a empresa estava
fora do vermelho, com R$ 191 mil de lucro.
O terceiro trimestre de 2003 foi pródigo em resultados.
De julho a setembro, o lucro era de R$ 932 mil, contra
um prejuízo de R$ 457 mil em igual período
de 2002. No período houve aumento de 71,2% nas
vendas líquidas, comparadas com igual período
do ano anterior, em razão da política de
abertura de novos mercados nos estados de Santa Catarina
e Paraná e consolidação de sua posição
no Rio Grande do Sul. A margem bruta aumentou na ordem
de 9,3 pontos percentuais. As despesas administrativas
caíram 4% e as despesas financeiras foram reduzidas
em 3,7%. Esses números já refletem a reestruturação
implementada na empresa.
Três empresas controlaram a marca desde a fundação
Juiz de paz em 1877, vereador em 1881, coronel da guarda
nacional, dono de farmácia e de uma indústria
de bebidas destiladas, Abraão Tatsch era um dos
22 sócios que, em março de 1893, fundaram
uma refinaria de banha em Santa Cruz do Sul. Por seu prestígio,
embora com cotas minoritárias, Abrão emprestou
o nome à sociedade. A nova empresa A. Tatsch e
Cia. registrou no mesmo ano a marca Excelsior, uma das
mais conceituadas do setor de embutidos do Rio Grande
do Sul, hoje controlada pela família Baumhardt.
A gestão do descendente de imigrantes alemães,
no entanto, duraria pouco. No mesmo ano em que ajudou
a fundar a empresa, Abrão morreu e, em seu lugar,
entrou como gestor o imigrante alemão Adolpho Evers,
concunhado e sócio do empresário na farmácia.
A razão social da refinaria passa então
para A. Evers e Cia. Ltda. Em 1925, morre também
Adolpho e João Baumhardt passa a gerir os negócios,
mas só em 1940, a Baumhardt Irmãos, empresa
de comércio e representação comandada
por João e seu irmão Carlos, assume o controle
da operação industrial da A. Evers e Cia
– o Frigorífico Excelsior.
O frigorífico havia sido criado por exigência
do Ministério da Agricultura, que, em 1930, determinou
que as empresas processadoras de alimentos de origem animal
só poderiam permanecer no mercado se incorporassem
abatedouros ao negócio. ”A partir da aquisição
dos ativos da antiga sociedade, em1940, desaparece a razão
social A.Evers e Cia Ltda. e todo o negócio passa
ao controle da Baumhardt Irmãos”, conta o
presidente do Conselho de Administração,
Clóvis Baumhardt. A razão social permaneceu
até o ano passado, quando os acionistas decidiram
usar a força da marca e mudaram o nome da empresa
para Excelsior Alimentos S.A.
A exigência do Ministério da Agricultura
acabou por alavancar os negócios da empresa. A
estrutura frigorífica montada no bairro Arroio
Grande, em Santa do Sul, permitiu à família
Baumhardt diversificar a produção. Com o
surgimento dos óleos comestíveis de origem
animal à base de soja, nos anos 50, a banha deixou
de ser um negócio rentável. Veio então
o investimento em embutidos de suínos, produtos
de maior valor agregado. Hoje, a Excelsior S.A. participa
do mercada da Região Sul, com ampla linha de produtos
a base de suínos e outras carnes.
Ao longo de sua trajetória, a empresa sempre procurou
adequar-se às conjunturas econômicas. Assim,
em determinado momento, tornou-se oportuna a verticalização
operacional, com a empresa mantendo abatedouro, frigorífico
e estrutura logística de distribuição
própria para garantir maior economia de escala.
Recentemente, em função do processo de globalização
econômica, a estrutura da empresa foi readequada
a um novo momento mercadológico, onde a agilidade
na detecção e aproveitamento de novos nichos
de mercado passou a ser fator determinante no sucesso
do negócio. Desta forma, passou a focar sua atuação
no mercado de alimentos, abrindo mão do abate,
da logística de distribuição e do
varejo. Assim, pôde concentrar-se em pesquisa e
no desenvolvimento de soluções de mercado
mais adequadas.
Novos produtos garantem crescimento
A Excelsior Alimentos inicia o ano com o lançamento
de produtos light à base de peru, planejando aumento
da participação no mercado. Os resultados
positivos esperados decorrem dos lançamentos realizados
ao longo de 2003 e 2004, entre eles as mortadelas com
sabores especiais e o patê de frango com ervas finas.
O novo patê de peru Excelsior é o primeiro
patê light do Brasil e pode ser encontrado em embalagens
de 100 gramas como os demais produtos da linha. A Excelsior
tem hoje a liderança no mercado de patês
da Região Sul e pretende ampliar sua boa performance
neste segmento com o lançamento do novo produto.
No caso da mortadela de peru, disponível em embalagens
de 500 gramas, a estratégia também é
a de oferecer um produto diferenciado, que complementa
a linha de mortadelas especiais lançada no último
ano. Neste produto, a empresa também pretende buscar
a liderança na região sul do Brasil. Os
dois produtos atendem às sugestões encaminhadas
pelos clientes através do SAC Excelsior. Outro
produto que está sendo lançado nesta temporada
é a salsicha “doguinho” de frango,
voltada ao consumidor infantil.
O importante crescimento se deve também ao programa
comemorativo aos 110 anos da marca, premiado com o Carrinho
de Ouro Agas de melhor promoção. A campanha
“Sabor Premiado - 110 prêmios para você”
teve duração de quatro meses, envolvendo
diferentes mídias, material de ponto-de-venda,
incentivo à equipe de vendedores dos três
estados da Região Sul.
O sucesso da promoção é resultado
do trabalho de equipe da Excelsior com seus parceiros,
em um planejamento voltado para resultados. A campanha
também não foi uma ação isolada,
pois fez parte de um projeto maior, que marcou as comemorações
pelos 110 anos da marca Excelsior e incluiu o patrocínio
de concursos de beleza. “O ano de 2003, consolidou
o processo de profissionalização da Excelsior
e agora colhemos os frutos”, disse o diretor comercial,
Hélio Lazzari.
Excelsior Alimentos S.A. (1893)
Fundadores: 22 sócios reunidos na A. Tatsch e
Cia.
Conselho de Administração
Presidente: Clóvis Luis Baumhardt
Conselheiros: Telmo Schoeler e Renato Jackisch
Diretoria
Diretor Industrial: João Fernando Baumhardt
Diretor Comercial: Hélio Lazzari