A Livraria Evangélica W. Rotermund começou
a operar em 1877 com material remanescente de uma cooperativa
de pastores evangélicos que importava livros da
Alemanha para serem vendidos no Rio Grande do Sul e que
tinha encerrado as atividades. Por volta de 1879-1880
o pastor e imigrante alemão Wilhelm Rotermund comprou
máquinas tipográficas de um antigo jornal
e surgiu a Typografia Wilhelm Rotermund. Posteriormente,
a razão social foi alterada para Livraria W. Rotermund
e depois para Rotermund & Co. Nessa época foram
editadas as duas obras mais disputadas pela comunidade
alemã do sul do Brasil: o jornal “Deutsche
Post” (Correio Alemão) e o “Almanaque
para Alemães no Brasil”. Em 1923 é
editado o primeiro exemplar da Agenda do Professor, o
que de acordo com a empresa, dá à Rotermund
o título de pioneira na fabricação
de agendas. De acordo com a bisneta do fundador e diretora
da empresa, Renata Rotermund, o patriarca foi também
um dos pioneiros do material didático bilíngüe
(português e alemão) e da literatura de expressão
alemã no Brasil.
Wilhelm Rotermund chegou ao Rio Grande do Sul quatro semanas
após o massacre do movimento Mucker, em 1874, acompanhado
da esposa Maria. Nascido no Reino de Hannover, estudou
Teologia em Erlangen e Göttingen. Doutorou-se pela
Universidade de Jena. Anos mais tarde, recebeu da Universidade
de Göttingen o título de Doutor Honoris Causa.
Em São Leopoldo, tornou-se pastor do grupo minoritário
luterano, jornalista, escritor, autor de livros escolares
e proprietário de casa editora que leva seu nome
e que, em alemão significa boca vermelha. Rotermund
tinha sete filhos - seis homens e uma mulher. Depois da
morte do fundador, em 5 de abril de 1925, assumiram os
filhos Fritz e Ernst Rotermund, juntamente com um sócio
alemão, Erich Uttpot.
Em 1877, publicou o primeiro livro didático, a
Fibel (Cartilha) que, em sucessivas reedições,
teve uma tiragem superior a 100 mil exemplares. Outros
30 livros escolares foram editados, entre os quais Gramática
da Língua Portuguesa, livros de História
do Brasil, Geografia, Matemática, e livro para
a Escola Complementar. Dez destes livros são de
autoria de Wilhelm Rotermund. Um dos mais importantes
é Vollständige Grammatik der Portugiesischen
Sprache, por muito tempo mencionado por gramáticos
brasileiros e utilizada também na Europa Central.
Outra publicação, o Kalender für die
Deutschen in Brasilien, também conhecido como Rotermundkalender,
alcançou até 1941 tiragem anual de 30 mil
exemplares, o que faz dele talvez o livro com a mais alta
tiragem em língua alemã no Brasil. Na coleção
Südamerikanische Literatur, Rotermund reuniu contos
de sua autoria e deu espaço para autores teuto-brasileiros
publicarem prosa e verso. Foram mais de trinta os volumes
e durante a campanha da Nacionalização,
o regime de Getúlio Vargas confiscou toda a produção
e o estoque de livros em língua alemã existente
na Rotermund.
Os pesquisadores lembram, porém, que a obra de
Wilhelm Rotermund não se restringe à Firma
Rotermund & Co. Antes de se tornar pastor luterano
em São Leopoldo, Rotermund foi secretário
de Friedrich Fabri, presidente do Comitê para os
Alemães Protestantes no Sul do Brasil, que tratava
de conseguir obreiros e meios para manter o trabalho pastoral
entre os imigrantes alemães luteranos no Rio Grande
do Sul.
Mudança cultural
A Rotermund S/A Indústria e Comércio é
conhecida pela produção de agendas. Há
15 anos na empresa a bisneta do fundador, Renata Rotermund
explica que a empresa é dividida nos ramos gráfico
e artefatos plásticos e em dois segmentos: varejo
(destinado a papelarias e revendas) e personalizados (sob
encomenda). Atua no mercado nacional e tem um distribuidor
no Uruguai para onde desenvolve produtos específicos
em espanhol.
A empresa faz um intenso trabalho com a equipe de vendas
visando uma mudança cultural para superar a sazonalidade
das vendas. “Se agenda é Rotermund; Rotermund
não é só agenda”, diz Renata.
Entre as ações de curto prazo estão
parcerias com empresas sinérgicas e, a longo prazo,
o desenvolvimento de um novo produto não-sazonal.
A empresa também racionalizou a produção,
cortou atividades que não agregam valor e investiu
na informatização para reduzir as despesas.
A maior dificuldade enfrentada foi durante a Segunda Guerra
Mundial, quando editava livros didáticos em alemão
e português. No Estado Novo, com a proibição
do uso da língua alemã, teve o estoque confiscado
e foi proibida de comprar matérias-primas. A Rotermund
aproveitou a adversidade para entrar mais forte no mercado
de agendas. Outro momento difícil foi a quebra
do Sulbrasileiro, porque praticamente a totalidade das
operações financeiras estava concentrada
no banco.