Fundada em 6 de agosto de 1891 por Manoel Py, a Companhia
Fiação e Tecidos Porto Alegrense - Fiateci
é um marco na história de Porto Alegre.
Hoje, o parque fabril ocupa 18 mil metros quadrados em
um terreno de mais de 30 mil metros quadrados, na rua
Voluntários da Pátria. Além de sua
contribuição para o desenvolvimento da indústria
têxtil nacional, a Fiateci foi importante no crescimento
urbano. Após definir o local de instalação
da fábrica, a empresa planejou o arruamento de
toda a área entre o então Caminho Novo -
hoje Voluntários da Pátria - e a avenida
Bahia, dando origem às avenidas São Paulo,
Minas Gerais, Pernambuco, Farrapos e adjacências.
Os nomes foram escolhidos porque na época já
eram Estados que ganhavam projeção como
centros industriais. Quatro anos depois, centenas de casas
de alvenaria haviam sido construídas para os funcionários
da fábrica, formando o núcleo inicial do
4O Distrito da Capital que logo cresceu com a chegada
de uma linha de bondes elétricos. A evolução
da Fiateci está ligada à visão empreendedora
de Manoel Py. Nascido em 1849 na cidade de Melo, no Uruguai,
ele foi batizado em Bagé porque a família
queria que os filhos fossem brasileiros - naquela época
o batismo equivalia ao registro civil. Com a morte do
pai, a família foi para Pelotas. Com 12 anos, Manoel
já estava em Porto Alegre trabalhando na firma
Chaves e Almeida e estudando à noite. Mais tarde
abriu o próprio negócio: uma pequena loja
de tecidos que logo tornou-se um grande estabelecimento
comercial. Em 6 de agosto de 1891, uma assembléia
realizada no Banco da Província do Rio Grande do
Sul selou a constituição da Fiateci, com
capital inicial de mil e seiscentos contos de réis.
O parque fabril iniciou com dois prédios, um para
tecelagem, meiaria e fiação e outro para
depósito, tinturaria, casa de caldeira, armazém
e escritórios. Da Alemanha foi importado o motor
G. Luther e a caldeira. “Esses elementos constituem
o coração que começou a pulsar naquele
distante 1892, em ritmo acelerado e crescente, movimentando
teares e tecendo a história da Fiateci”,
registram os arquivos da empresa. Manoel Py comandou os
negócios até setembro de 1893 quando, por
recomendação médica, afastou-se.
Retornou à presidência em 1901, mas teve
que se afastar de novo em 1911. Viajou à Europa,
onde visitou centros industriais e adquiriu equipamentos
para a fábrica. Reassumiu a direção
em 1913 até sua morte em 10 de julho de 1923. No
seu lugar assumiu o genro Possidônio Mâncio
da Cunha Júnior. Além da Fiateci, Manoel
Py ajudou a fundar a Companhia Fiação e
Tecidos São Carlos (SP), Companhia Predial e Agrícola
(1897), Companhia de Força e Luz Porto-alegrense,
que trouxe os bondes elétricos à Capital,
Companhia Telefônica Riograndense (1908), Companhia
Previdência do Sul (1906), Sociedade Colonizadora
Catarinense e Banco Comercial Franco-Brasileiro.
Experiência aliada a capacidade de inovação
A Fiateci atualmente é administrada pela quinta
geração, representada pelos irmãos
Oswaldo Sérgio Beck, diretor-presidente, e Annibal
di Primio Beck Neto, diretor. Embora continue uma empresa
familiar, adota uma gestão profissional. Tem uma
capacidade instalada de produção de 1,2
milhão de metros/ano e emprega 160 funcionários.
A Fiateci atua com três linhas: tecidos para vestuário,
tecidos para revestimento de móveis destinados
a áreas comerciais e de entretenimento (cinema,
teatro) e cobertores e mantas. Para o primeiro semestre
de 2004 a estimativa é de que 15% da produção
sejam exportados para o Mercosul e a América do
Norte. No segmento de tecidos para revestimentos institucionais,
a empresa está entre as três maiores do Brasil
e na parte de tecidos de lã cardados é considerada
a principal fabricante brasileira. A atuação
focada em nichos de mercado e a versatilidade para atendimento
das demandas dos clientes estão entre os principais
fatores de competitividade da Fiateci. Além disto,
o processo industrial é bastante verticalizado.
“Podemos trabalhar com todas as fibras naturais
e sintéticas e estamos habilitados a atender diversos
mercados”, diz Beck. A Fiateci vende seus tecidos
para 80% das principais confecções brasileiras.
O executivo acredita que o grande desafio para a indústria
têxtil na próxima década é
ser competitivo em relação à Ásia,
oferecendo diferencial em design, produto, qualidade e
logística. Acrescenta que inovação
é a palavra-chave para quem quer ser player mundial.
A Fiateci tem uma rede de representantes nos principais
Estados e também no Uruguai, Argentina e América
do Norte.