Porto Alegre, Quarta-Feira, 20/8/2008

 
 
Fiateci – Pioneirismo na indústria têxtil gaúcha
 

Fundada em 6 de agosto de 1891 por Manoel Py, a Companhia Fiação e Tecidos Porto Alegrense - Fiateci é um marco na história de Porto Alegre. Hoje, o parque fabril ocupa 18 mil metros quadrados em um terreno de mais de 30 mil metros quadrados, na rua Voluntários da Pátria. Além de sua contribuição para o desenvolvimento da indústria têxtil nacional, a Fiateci foi importante no crescimento urbano. Após definir o local de instalação da fábrica, a empresa planejou o arruamento de toda a área entre o então Caminho Novo - hoje Voluntários da Pátria - e a avenida Bahia, dando origem às avenidas São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Farrapos e adjacências. Os nomes foram escolhidos porque na época já eram Estados que ganhavam projeção como centros industriais. Quatro anos depois, centenas de casas de alvenaria haviam sido construídas para os funcionários da fábrica, formando o núcleo inicial do 4O Distrito da Capital que logo cresceu com a chegada de uma linha de bondes elétricos. A evolução da Fiateci está ligada à visão empreendedora de Manoel Py. Nascido em 1849 na cidade de Melo, no Uruguai, ele foi batizado em Bagé porque a família queria que os filhos fossem brasileiros - naquela época o batismo equivalia ao registro civil. Com a morte do pai, a família foi para Pelotas. Com 12 anos, Manoel já estava em Porto Alegre trabalhando na firma Chaves e Almeida e estudando à noite. Mais tarde abriu o próprio negócio: uma pequena loja de tecidos que logo tornou-se um grande estabelecimento comercial. Em 6 de agosto de 1891, uma assembléia realizada no Banco da Província do Rio Grande do Sul selou a constituição da Fiateci, com capital inicial de mil e seiscentos contos de réis. O parque fabril iniciou com dois prédios, um para tecelagem, meiaria e fiação e outro para depósito, tinturaria, casa de caldeira, armazém e escritórios. Da Alemanha foi importado o motor G. Luther e a caldeira. “Esses elementos constituem o coração que começou a pulsar naquele distante 1892, em ritmo acelerado e crescente, movimentando teares e tecendo a história da Fiateci”, registram os arquivos da empresa. Manoel Py comandou os negócios até setembro de 1893 quando, por recomendação médica, afastou-se. Retornou à presidência em 1901, mas teve que se afastar de novo em 1911. Viajou à Europa, onde visitou centros industriais e adquiriu equipamentos para a fábrica. Reassumiu a direção em 1913 até sua morte em 10 de julho de 1923. No seu lugar assumiu o genro Possidônio Mâncio da Cunha Júnior. Além da Fiateci, Manoel Py ajudou a fundar a Companhia Fiação e Tecidos São Carlos (SP), Companhia Predial e Agrícola (1897), Companhia de Força e Luz Porto-alegrense, que trouxe os bondes elétricos à Capital, Companhia Telefônica Riograndense (1908), Companhia Previdência do Sul (1906), Sociedade Colonizadora Catarinense e Banco Comercial Franco-Brasileiro.

Experiência aliada a capacidade de inovação

A Fiateci atualmente é administrada pela quinta geração, representada pelos irmãos Oswaldo Sérgio Beck, diretor-presidente, e Annibal di Primio Beck Neto, diretor. Embora continue uma empresa familiar, adota uma gestão profissional. Tem uma capacidade instalada de produção de 1,2 milhão de metros/ano e emprega 160 funcionários. A Fiateci atua com três linhas: tecidos para vestuário, tecidos para revestimento de móveis destinados a áreas comerciais e de entretenimento (cinema, teatro) e cobertores e mantas. Para o primeiro semestre de 2004 a estimativa é de que 15% da produção sejam exportados para o Mercosul e a América do Norte. No segmento de tecidos para revestimentos institucionais, a empresa está entre as três maiores do Brasil e na parte de tecidos de lã cardados é considerada a principal fabricante brasileira. A atuação focada em nichos de mercado e a versatilidade para atendimento das demandas dos clientes estão entre os principais fatores de competitividade da Fiateci. Além disto, o processo industrial é bastante verticalizado. “Podemos trabalhar com todas as fibras naturais e sintéticas e estamos habilitados a atender diversos mercados”, diz Beck. A Fiateci vende seus tecidos para 80% das principais confecções brasileiras. O executivo acredita que o grande desafio para a indústria têxtil na próxima década é ser competitivo em relação à Ásia, oferecendo diferencial em design, produto, qualidade e logística. Acrescenta que inovação é a palavra-chave para quem quer ser player mundial. A Fiateci tem uma rede de representantes nos principais Estados e também no Uruguai, Argentina e América do Norte.

 
 

 
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