Montados em jumentos e levando apólices de seguros
junto com amostras de tecidos que também vendiam
nos lugares mais distantes do Rio Grande do Sul, Gustav
e Paulo Livonius e Erich Brandt foram pioneiros ao criar
em 1888, em Porto Alegre, a Heineck & Livonius. A
empresa não pertence mais à família
dos fundadores, mas o nome foi mantido e a Livonius Administração
e Corretagem de Seguros Ltda é hoje a mais antiga
corretora de seguros ainda em atividade no Brasil, com
uma carteira de cerca de 5 mil clientes e mais de 300
corretores cadastrados.
Antônio Eduardo de Moura Delfim, um dos diretores,
conta que a família Livonius veio da Alemanha entre
1877 e 1887 e começou seus negócios como
representante comercial de tecidos. Como os irmãos
Gustav e Paulo conheciam seguradoras alemãs, resolveram
aproveitar as viagens pelo interior do Estado para incluir
na bagagem a venda de seguros, transformando-se em agentes
das companhias estrangeiras. “Naquela época,
vender seguro era comovender escova de dentes para índio”,
diz Delfim. Mas os caixeiros-viajantes conseguiram prosperar
e com o tempo decidiram ficar apenas com a venda de apólices.
Uma das seguradoras representadas era a Manheimer, cujos
sócios eram Erich Brandt e Leo Donet Livonius (filho
de Paulo).
Mais tarde, a Companhia de Seguros Manheimer passou a
chamar-se Companhia Internacional de Seguros por causa
da II Guerra Mundial e da perseguição aos
povos de língua germânica. Seguro contra
fogo e seguro de acidentes de trabalho eram os principais
produtos da Livonius que entre outros endereços
na capital gaúcha esteve localizada em um sobrado
na esquina da Rua dos Andradas com Rua da Ladeira e nos
altos do Mercado Público, na Galeria Municipal,
onde funcionou de 1917 a 1961 já com o nome de
Livonius e Cia Ltda. Uma placa metálica do lado
de fora do prédio do Mercado Público, na
direção da Praça XV, identificava
o funcionamento da empresa e chamava a atenção
de todos quepassavam por ali.
A Livonius foi o maior agente geral do Rio Grande do Sul
e chegou a ter 65 funcionários e uma operação
em Blumenau, Santa Catarina. A seriedade da empresa é
lembrada até hoje com um fato que aconteceu em
Erechim, onde vários prédios de uma mesma
rua foram atingidos por um incêndio. Como tinham
seguro, um dos donos da Livonius foi até lá
pessoalmente para levar os cheques com os respectivos
pagamentos e honrar o compromisso assumido. O local ficou
conhecido como “Rua Livonius”.
Entre as seguradoras estrangeiras representadas pela corretora
estavam a norte-americana Legal e General e a inglesa
Caledoniam. Grandes empresas da indústria e do
comércio do Estado figuraram como clientes da Livonius,
entre as quais a Cervejaria Brahma, Adubos Trevo, Lojas
Bromberg, Metalúrgica Steigleder e Panitz Farmácia.
Em seus registros consta que um dos grandes incêndios
de segurado da corretora foi o da Bromberg.
Foco no setor de transportes
Na década de 60, a Companhia Internacional de Seguros
comprou a maioria das cotas de capital da Livonius Administração
e Corretagem de Seguros Ltda, mas a família (Léo
Livonius e o filho Paulo) ainda ficou com uma pequena
participação. A partir de 1981, porém,
eles saíram do ramo de seguros e a empresa passou
a ser integralmente controlada por Delfim, Vilmar José
Menin e Nelson Darci Mayer, os novos sócios.
Seguro de transporte de mercadorias e seguro de responsabilidade
civil de passageiros de ônibus são hoje os
principais produtos da Livonius. “Só trabalhamos
com corretores, em parceria com eles e dando respaldo
à sua atuação”, afirma Delfim.
São cerca de 300 corretores cadastrados e, destes,
90% atuam na Região Sul e os demais em outras praças.
A empresa opera com seguros parapequenas e médias
transportadoras e para ampliar a carteira faz parceria
com corretoras de fora da Região Sul. Atualmente
a diretoria estuda uma nova parceria com uma empresa de
Minas Gerais.
De acordo com Delfim, a Livonius acompanha acompanha o
desempenho das seguradoras para evitar surpresas desagradáveis.
Delfim informa que até o final do ano passado havia
115 seguradoras em operação no País
com um total de R$ 23,5 bilhões em prêmios.
No entanto, 31 estavam no vermelho no combinado receita
financeira e operacional e 79 apresentavam prejuízo
operacional. Delfim considera que o futuro do mercado
segurador é o seguro de pessoas, nas modalidades
de vida e previdência. “Tanto que as grandes
companhias já desmembraram ramos elementares de
vida e previdência”.