Porto Alegre, Quarta-Feira, 20/8/2008

 
 
Livonius - A mais antiga corretora de seguros do País
 

Montados em jumentos e levando apólices de seguros junto com amostras de tecidos que também vendiam nos lugares mais distantes do Rio Grande do Sul, Gustav e Paulo Livonius e Erich Brandt foram pioneiros ao criar em 1888, em Porto Alegre, a Heineck & Livonius. A empresa não pertence mais à família dos fundadores, mas o nome foi mantido e a Livonius Administração e Corretagem de Seguros Ltda é hoje a mais antiga corretora de seguros ainda em atividade no Brasil, com uma carteira de cerca de 5 mil clientes e mais de 300 corretores cadastrados.
Antônio Eduardo de Moura Delfim, um dos diretores, conta que a família Livonius veio da Alemanha entre 1877 e 1887 e começou seus negócios como representante comercial de tecidos. Como os irmãos Gustav e Paulo conheciam seguradoras alemãs, resolveram aproveitar as viagens pelo interior do Estado para incluir na bagagem a venda de seguros, transformando-se em agentes das companhias estrangeiras. “Naquela época, vender seguro era comovender escova de dentes para índio”, diz Delfim. Mas os caixeiros-viajantes conseguiram prosperar e com o tempo decidiram ficar apenas com a venda de apólices. Uma das seguradoras representadas era a Manheimer, cujos sócios eram Erich Brandt e Leo Donet Livonius (filho de Paulo).
Mais tarde, a Companhia de Seguros Manheimer passou a chamar-se Companhia Internacional de Seguros por causa da II Guerra Mundial e da perseguição aos povos de língua germânica. Seguro contra fogo e seguro de acidentes de trabalho eram os principais produtos da Livonius que entre outros endereços na capital gaúcha esteve localizada em um sobrado na esquina da Rua dos Andradas com Rua da Ladeira e nos altos do Mercado Público, na Galeria Municipal, onde funcionou de 1917 a 1961 já com o nome de Livonius e Cia Ltda. Uma placa metálica do lado de fora do prédio do Mercado Público, na direção da Praça XV, identificava o funcionamento da empresa e chamava a atenção de todos quepassavam por ali.
A Livonius foi o maior agente geral do Rio Grande do Sul e chegou a ter 65 funcionários e uma operação em Blumenau, Santa Catarina. A seriedade da empresa é lembrada até hoje com um fato que aconteceu em Erechim, onde vários prédios de uma mesma rua foram atingidos por um incêndio. Como tinham seguro, um dos donos da Livonius foi até lá pessoalmente para levar os cheques com os respectivos pagamentos e honrar o compromisso assumido. O local ficou conhecido como “Rua Livonius”.
Entre as seguradoras estrangeiras representadas pela corretora estavam a norte-americana Legal e General e a inglesa Caledoniam. Grandes empresas da indústria e do comércio do Estado figuraram como clientes da Livonius, entre as quais a Cervejaria Brahma, Adubos Trevo, Lojas Bromberg, Metalúrgica Steigleder e Panitz Farmácia. Em seus registros consta que um dos grandes incêndios de segurado da corretora foi o da Bromberg.
Foco no setor de transportes
Na década de 60, a Companhia Internacional de Seguros comprou a maioria das cotas de capital da Livonius Administração e Corretagem de Seguros Ltda, mas a família (Léo Livonius e o filho Paulo) ainda ficou com uma pequena participação. A partir de 1981, porém, eles saíram do ramo de seguros e a empresa passou a ser integralmente controlada por Delfim, Vilmar José Menin e Nelson Darci Mayer, os novos sócios.
Seguro de transporte de mercadorias e seguro de responsabilidade civil de passageiros de ônibus são hoje os principais produtos da Livonius. “Só trabalhamos com corretores, em parceria com eles e dando respaldo à sua atuação”, afirma Delfim. São cerca de 300 corretores cadastrados e, destes, 90% atuam na Região Sul e os demais em outras praças. A empresa opera com seguros parapequenas e médias transportadoras e para ampliar a carteira faz parceria com corretoras de fora da Região Sul. Atualmente a diretoria estuda uma nova parceria com uma empresa de Minas Gerais.
De acordo com Delfim, a Livonius acompanha acompanha o desempenho das seguradoras para evitar surpresas desagradáveis. Delfim informa que até o final do ano passado havia 115 seguradoras em operação no País com um total de R$ 23,5 bilhões em prêmios. No entanto, 31 estavam no vermelho no combinado receita financeira e operacional e 79 apresentavam prejuízo operacional. Delfim considera que o futuro do mercado segurador é o seguro de pessoas, nas modalidades de vida e previdência. “Tanto que as grandes companhias já desmembraram ramos elementares de vida e previdência”.

 
 

 
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