Luciano Alabarse

Diretor e Coordenador do Em Cena

"20 dias, 20 anos, 200...A ausência de Caio me ensinou uma coisa: amor não tem prazo, a memória guarda no presente do indicativo aqueles seres amados que partiram antes. Nesse tempo, o mais notável é a constatação de que sua obra não perdeu fôlego. Pelo contrário. A legião de admiradores, notadamente de gerações que sequer conviveram com ele, aumentou consideravelmente. São leitores ávidos que desfrutam cada palavra, cada frase e livro do Caio. Ele, que tinha paciência total com aqueles que se debruçavam sobre suas palavras, fez por merecer: sua obra é visceral, urgente, busca a felicidade humana sem pudores ou mentiras. Esse é o grande mérito de tudo o que o Caio escreveu. Ninguém pense que era fruto de inspiração o que ele editava: muito trabalho, muito rascunho, muita transpiração envolvia suas palavras, sua vontade de marcar a literatura com uma obra de refinado gosto. Conseguiu e é uma felicidade ver sua obra circulando pelos quatro cantos do Brasil, recolhendo e ampliando admiradores. O Caio, que partiu, nos deixou um legado vivo, vibrante, importante e cheio de méritos. Caio era e continua sendo o máximo!"

Grace Gianoukas

Atriz, diretora e produtora

"Quando o Caio me conheceu em Porto Alegre, ficamos amigos e, algum tempo depois, dividíamos uma casinha em São Paulo. Ele me adotou como aprendiz e me acolheu numa São Paulo dos anos 1980, num Brasil da abertura cheio de possibilidades. Teve uma forte influência na minha formação. Fez isso por mim e por muitos artistas. Ele ofertava bússolas que apontam para coragem. Era uma pessoa de personalidade forte, sensual, inteligente, ferino, engraçadíssimo, tranquilo, às vezes intransigente, de um romantismo sem piedade, com uma capacidade inacreditável de traduzir suas observações em palavras exatas. A presença do Caio está impregnada na minha consciência - é energia em expansão. Duas por três, passo por ruas onde não existem mais os cinemas, os teatros, os bares que frequentávamos e gargalhávamos, a lanchonete onde ele, generoso, dividia comigo um X filet de frango/creme de milho nos tempos de dureza. E isso era um extraordinário jantar. Nesses vinte anos de sua ausência física, a cidade se São Paulo mudou um pouco, está mais desumana, as pessoas estão mais histéricas, mais caretas, mais fúteis, os publicitários tomaram o poder, as pequenas livrarias se transformaram em megastores. Mas sempre há um fio de luz, as minorias estão organizadas, a sociedade está de pé e tem também gente aprendendo a 'plantar e saborear morangos' e, talvez, os strawberry fields voltem a florescer e frutificar como os girassóis e as roseiras abençoadas pela energia de Caio Fernando Abreu".

Marcelo Francisco Santos da Silva

Ator, Recife (PE)

Mariange Cantini

Recifense, que reside em Empoli (Itália)

Guilherme Passamani

Professor universitário, Campo Grande (MS)

Jorge Luiz Sant’Anna dos Santos

Pesquisador, Bagé (RS)

Márcia Veronique da Rocha Lahude

Servidora pública, Porto Alegre (RS)

Álbum de Família

Fotos inéditas revelam Caio F. desde a infância, na juventude e em momentos com a família e nas visitas a Porto Alegre. Cartões postais enviados pelo escritor, quando residiu na Europa, narram a vida longe de casa ao irmão Luiz Felipe, na década de 1970.

1957 - Caio (e) com irmãos caçulas Luiz Felipe (c) e José Cláudio (d), em Santiago (RS). Crédito: Álbum de Família.

Caio aos 15, 20 e 30 anos.

1973 - Postal enviado de Paris ao irmão Luiz Felipe. Hospedou-se na casa de músico hindu e assistiu "O último tango em Paris".

1974 - Postal enviado de Londres para aniversário do irmão Luiz Felipe.

1980 - Caio.

1993 - Caio com o irmão Luiz Felipe, frente Márcia e cunhado Clésio.

1993 - Natal em família, Porto Alegre. No colo, o sobrinho Luis Felipe Abreu.

1994 - Caio em frente à casa dos pais no bairro Menino Deus, em Porto Alegre

1995 - Caio, em férias em Tramandaí. No colo, o sobrinho Luis Felipe Abreu.