A Lojas Renner e a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) anunciaram nesta quinta-feira um investimento de R$ 1 milhão no bairro Bom Jesus, através de Lei de Solidariedade da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social. Até o dia 30 de novembro, as entidades poderão enviar projetos sociais para candidatarem-se aos recursos, através do site instituto@lojasrenner.com.br. As propostas selecionadas serão anunciadas em janeiro de 2010. A Renner investirá R$ 700 mil no projeto e a contrapartida da CEEE será de R$ 300 mil.
O diretor financeiro da CEEE, Caio Rocha, disse que os projetos devem promover a inserção da comunidade no mercado de trabalho através de capacitação profissional. "A proposta é viabilizar a integração de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social em programas que proporcionem a melhora da qualidade de vida", destaca. Segundo Rocha, 21 organizações de moradores do bairro Bom Jesus foram cadastradas e estão capacitadas a participar da iniciativa.
O diretor-presidente da Lojas Renner, José Galló, informou que a empresa investiu este ano R$ 2,3 milhões em 60 projetos em oito estados. De acordo com Galló, é um momento especial porque duas empresas se uniram em favor de uma região em situação de vulnerabilidade social como a do Bom Jesus. "Com a parceria, além de apoiar projetos que irão fomentar a economia do bairro, a empresa pretende estimular o diálogo sobre questões locais com representantes de vários setores da comunidade", comenta.
No bairro Bom Jesus vivem mais de 30 mil moradores, dos quais grande parte tem seu sustento no recolhimento, na separação e na comercialização do lixo. Crianças e adolescentes acompanham seus pais nas carroças e carrinhos de coleta de resíduos. Segundo o secretário da Justiça e do Desenvolvimento Social, Fernando Schüler, o fato de as crianças acompanharem os pais ocasiona uma baixa no rendimento escolar e, muitas vezes, a evasão escolar.
Um levantamento da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), realizado em março de 2006, mostrou que 80% dos jovens infratores (oito a 18 anos) recolhidos no Centro da Capital eram moradores da região da Grande Mato Sampaio, onde se localiza o bairro Bom Jesus. Os fatores responsáveis por essa estatística envolvem deficiência da estrutura familiar, fragilidade da relação escola e comunidade e insuficiência de programas locais para a formação de crianças e adolescentes.