Na estrada há quase quatro décadas, Simone segue se reinventando. Com álbum novo, músicas inéditas e parcerias diferentes, a cantora desembarca em Porto Alegre para apresentar o seu mais recente trabalho, o show Em Boa Companhia, hoje às 21h, no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8787).
A cantora conta que o título do espetáculo se refere ao bom momento que ela está passando. “Esse show é pra cima, trata do amor feliz e do desejo. Sem uma boa companhia, isso é impossível. E também brinca com a minha relação com o público, que é sempre uma boa companhia”, revela ela, que em dezembro completa 60 anos de idade.
O espetáculo traz ao palco todas as canções do disco Na Veia e outras que Simone não cantava há muito tempo, como Tô que Tô, Paixão, Face a Face, Ai, Ai, Ai, e também composições de outros intérpretes como Perigosa (Rita Lee, Nelson Motta e Roberto de Carvalho) e Certas Coisas (Lulu Santos).
Na Veia é o primeiro disco de músicas inéditas da intérprete em cinco anos – o último foi Baiana da Gema, de 2004, no qual homenageou Ivan Lins. O resultado é completamente distinto de seus trabalhos anteriores, mas com a cara de Simone. O amor, um dos assuntos mais constantes na discografia da intérprete, também predomina neste novo show, mas desta vez sob um enfoque mais amplo. “Trata da alegria. Talvez pela primeira vez eu tenha focado a escolha do repertório nisso. E o viés que escolhi pra abordar essa alegria foi o amor, que eu sempre cantei. Mas, acima de tudo, é um disco sobre o amor feliz, bem resolvido, que dialoga com o meu momento atual, como vejo as coisas e como quero comunicá-las sem, contudo, deixar minha trajetória de lado”, afirma.
A prova disso é a presença de compositores recorrentes da carreira da artista, como Gonzaguinha, Abel Silva e Martinho da Vila, a quem a baiana de Salvador já dedicou um disco inteiro na década de 90. O sambista faz a música título do disco, Na Veia (com Zé Catimba). Entre as parcerias inéditas estão duas canções cedidas por Adriana Calcanhoto: Definição de Moça (sobre um texto do poeta Ferreira Gullar) e Certas Noites (com Dé Palmeira). Erasmo Carlos também comparece com duas: seja na densa Migalhas, ou na terna Hóstia (com Marcos Valle). “Eu já tinha gravado o Erasmo meninão. Ele mandou duas músicas, não tive dúvidas, gravei as duas”. Ela também abre espaço para Paulo Padilha, um novo compositor da cena paulistana alternativa, ainda pouco conhecido do grande público, que inclui Love. “Até eu me atrevi a cantar uma composição minha, de 1976, com o Hermínio Bello de Carvalho, que permaneceu inédita até agora”, revela Simone.
Ela explica que o fator determinante para esses compositores estarem presentes no disco foram as músicas que eles mandaram, que se encaixavam exatamente na proposta que a artista desejava. “Quando eu comecei a pensar neste disco, liguei pra alguns compositores. Eu já tinha toda a ideia do CD muito bem delineada na minha cabeça e passei isso pra eles. Todos entenderam meu desejo, o espírito deste trabalho, e foram muito exatos nas canções”, enfatiza.
Desde Seda Pura (2001), Simone não gravava um disco com inéditas de diversos autores. E em termos de sonoridade, o público vai poder prestigiar um dos trabalhos mais contemporâneos da carreira da artista. “Quero que as pessoas saiam leves e felizes do espetáculo”, diz ela. O show, que teve sua estreia nacional no dia 18 de setembro, no Rio de Janeiro, sob direção de José Possi Neto, já passou por seis cidades, e depois da Capital gaúcha segue para Curitiba, Brasília e Belo Horizonte, onde encerra a turnê nacional.
Show Em boa Companhia, no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8787), hoje, às 21h. Os ingressos, entre R$ 60,00 e R$ 100,00, estão à venda na Bellenzier Pneus (av. Dom Pedro II, 1168) e pela tele-entrega no telefone 51 3231.4142.