O governo federal decidiu adiar para a próxima semana a votação do ingresso da Venezuela no Mercosul. Os integrantes da base aliada avaliaram que seria arriscado colocar o assunto na pauta de hoje, pois há muita resistência da oposição e a aprovação dependeria da presença efetiva de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado.
O protocolo foi aprovado na semana passada pela Comissão de Relações Exteriores por 12 votos a 5, mas precisa passar pelo plenário do Senado.
Os governistas rejeitaram o parecer do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que se posicionou contrariamente à entrada da Venezuela no Mercosul. Tasso criticou principalmente a falta de democracia do governo de Hugo Chávez.
O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), já havia admitido que era preciso negociar a votação em plenário com a oposição. Ele foi autor do voto em separado na comissão, instrumento legislativo usado para derrubar o parecer de Tasso.
Ontem, o vice-líder do governo no Senado, Gim Argello (PTB-DF), afirmou que a votação no plenário deverá ocorrer na quarta-feira da próxima semana. "Hoje (ontem) o quorum já está abaixo, com apenas 51 senadores. Nós esperávamos pelo menos 60", disse.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou à reportagem que irá colocar o assunto em votação apenas depois de ouvir os líderes dos partidos.
Até mesmo os oposicionistas contavam com a votação só na semana que vem. "Queremos adiar porque, até a votação, Chávez deverá cometer alguma bobagem", projetou Tasso.
A expectativa na oposição é de que Chávez envie ao Senado pedido formal de desculpas por ter chamado os senadores de "papagaios" do Congresso americano, numa crítica à demora na votação.
O PSDB irá votar contra a adesão, mas o DEM tem defecções. O líder do partido, Agripino Maia (RN), disse que irá reunir a bancada para tentar fechar uma posição.
Se o protocolo de ingresso da Venezuela no Mercosul for aprovado, o Paraguai será o único país do bloco econômico que ainda não terá concluído a análise do caso.
A Argentina e o Uruguai já aprovaram o protocolo de adesão, mas caberá ao Paraguai definir, uma vez que os quatro países-membros do Mercosul têm que avalizar o ingresso da Venezuela para que o país possa efetivamente integrar o bloco econômico.