Há cerca de onze anos, Carlos Eduardo, mais conhecido como Zed Alves, esperava pela noite de hoje. Ele é vocalista da Zombie Eaters, banda cover da americana Faith no More, que se apresenta hoje, a partir das 21h30min no Pepsi on Stage (Severo Dullius, 1995), aqui em Porto Alegre. São onze anos de espera porque esse é o tempo que os integrantes da Faith no More levaram para se reunir novamente, a fim de realizar novas turnês, já que a banda havia chegado ao fim em 1998. Zed gosta de acreditar que, de alguma forma, contribuiu para o retorno deles: “a gente formou nosso tributo no segundo semestre de 2008, e logo no início de 2009 eles voltaram, foi muita coincidência”, brinca.
Possivelmente a primeira banda da Capital gaúcha a se dedicar exclusivamente a apresentar canções do Faith No More, a Zombie Eaters é composta por gente que avalia a década de noventa como uma das melhores para o cenário do rock. “Nós tínhamos um projeto cover de Alice in Chains (outro conjunto clássico dos anos 90) em 2007, e eu e o guitarrista tivemos a ideia de montar um de Faith no More”. Zed, até então baterista, assumiu os vocais em uma aposta que considerou arriscada, uma vez que Mike Patton, vocalista oficial da Faith, apresenta uma das melhores vozes dentro do seu estilo. “Meu amigo ficou meio encucado, mas logo nos primeiros ensaios todos, inclusive eu, acabaram se surpreendendo, nunca achei que iria tão bem”, diz Zed.
E foi justamente quando a Faith No More encontrou a voz de Mike Patton, no final da década de oitenta, que a banda alcançou sucesso de público e crítica. Em 1989, eles gravaram o álbum clássico The Real Thing, um verdadeiro divisor de águas na carreira do grupo. A música responsável pela popularização foi Epic, que misturava um vocal hip-hop, com guitarras pesadas e refrão grudento. Após anos tocando juntos e uma sequência de álbuns, alguns aclamados como Angel Dust e outros com irregular qualidade, a relação entre os integrantes foi se desgastando, até que em 1998, o baixista Billy Gould anunciou o fim do grupo após uma turnê na Europa.
No Brasil, o sucesso da banda sempre foi grande. E a MTV foi uma das principais responsáveis pela popularização. No início da década de 90, quando a emissora recém começava a dar seus primeiros passos, rodava o videoclipe de Epic frequentemente. No ano seguinte, o grupo tocou para o Maracanã lotado durante o Rock In Rio 2, iniciando um verdadeiro culto à banda nas terras brasileiras. O sucesso foi tanto que eles retornaram no decorrer daquele ano para uma mini-turnê nacional. Naquela época, Zed, então um adolescente já admirador fervoroso da banda, não conseguiu ir ao show, “eu vivenciei os anos noventa de verdade, mas não pude ir ao concerto, porque não tinha as condições financeiras, nem como conseguir”, explica. Porém, dessa vez, ele não perderá a oportunidade. Ao contrário, estará bem perto da banda: trabalhará no backstage, como ajudante de palco da banda de abertura. “Sou amigo há anos do pessoal da Véspera e eles me chamaram para monitorar os equipamentos, arrumar os áudios, e tal”, explica.
Como Zed estará muito perto de Patton e companhia, provavelmente não perderá a chance de tentar conversar, ou, quem sabe, até cantar com seu ídolo. “É quase obrigatório para mim fazer isso acontecer, já estou me movimentando, tentando descobrir a agenda dos caras”, explica. E há muitas músicas para Zed escolher para um possível dueto com Patton. A banda deve desfilar vários hits na noite de hoje, como Falling to Pieces, Epic, Small Victory e Easy. Essa última, um cover da banda americana The Commodores. Aliás, é uma característica da Faith no More fazer versões de músicas inusitadas em seus shows. Algumas até acabaram entrando em seus álbuns, como é o caso de Easy e I started a Joke dos Bee Gees. Mas não é uma regravação que é a música favorita do vocalista que toca covers do Faith No More. Para ele e a banda, a melhor canção é Everything’s Ruined, “a gente tem certa preferência, até porque é uma das nossas melhores execuções. Ela fica muito fiel à original, foi uma coisa que nos surpreendeu muito”.
A reunião da Faith No More pegou boa parte dos seus fãs de surpresa, mas foi uma surpresa muito agradável. “No dia que a gente descobriu do show, não acreditamos. Pensamos: ‘ah, está certo, vão tocar no Brasil, mas não vão vir para cá’. E quando foi anunciado o show aqui em Porto Alegre, parecia que estavam pregando uma peça na gente”, explica Zed. Foi em fevereiro de desse ano, que todos os membros se reencontraram pela primeira vez e anunciaram o retorno do Faith No More. Por enquanto, ninguém sabe se há alguma ideia para um novo álbum, ou novas músicas. Então, é melhor aproveitar essa chance única de ver o grupo reunido na formação clássica ainda hoje. Os ingressos ainda podem ser adquiridos, variando de R$ 100,00 a R$ 140,00.