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Notícia da edição impressa de 30/10/2009

Ritmos para todos

Michele Rolim

A dança beneficia o organismo e pode ser praticada por diversas idades Gilmar Luís/JC

A dança beneficia o organismo e pode ser praticada por diversas idades Foto: Gilmar Luís/JC

Carolina e Luciano estão ansiosos por este sábado. Eles vão se casar. Tudo está devidamente planejado. Desde a cerimônia até a recepção dos convidados. Os noivos vão abrir a festa dançando Zouk, variação moderna da lambada. Não poderia ser diferente. Os dois se conheceram na Casa de Dança do Três Figueiras Tênis Clube. Luciano compôs uma música exclusiva para esse momento, intitulada Seu Par. Os padrinhos são os donos do estúdio de dança. “Se a gente parar de fazer aula de dança, nos separamos”, brinca o publicitário Luciano Provedel Kunzler, 33 anos.

Apaixonado pelos ritmos, o casal não está sozinho. A reportagem do Viver visitou algumas academias e estúdios para descobrir quem são esses dançarinos amadores. A prática da dança foi intensificada após a vinda da família real para o Brasil, que trouxe a cultura da corte. Nos últimos tempos, os ritmos de salão vêm tomando um lugar de destaque como uma atividade física que proporciona bem-estar e melhoria na qualidade de vida.

Os benefícios são muitos. E o interessante é que a dança pode ser praticada por diversas faixas etárias. Tanto que personagems como Gabi, Pedro, Leonardo, Laura, Bruna e Felipe, todos com idades entre sete e doze anos, são adeptos do arrasta-pé. O grupo, que faz aulas no Paulo Pinheiro Studio de Dança, se diverte. O prazer de dançar já faz parte da rotina dos pequenos, que querem se profissionalizar na vida adulta.

A professora Milena Vasconcellos explica que as crianças ficaram empolgados ao assistir ao quadro Dança dos Famosos no Domingão do Faustão, da Rede Globo, e começaram a pedir aos pais para dançar. Os ritmos desenvolvem, conforme a professora, a disciplina, a paciência e o trabalho em grupo. “Eles estão praticando uma atividade física, não ficam somente no computador.” No mesmo local estão duas irmãs, Ruth e Rejane, que integram o grupo de dança para senhoras na terceira idade. A maioria das mulheres que pratica a aula sofria de dores corporais e buscou a dança por indicação médica. “É muito bom eu saber que pelo menos um dia na semana eu venho me exercitar”, diz a aposentada Rejane Barneche, 64 anos. Confira alguns personagens:

O casamento

Carolina Tavares Lopes, 31 anos, arquiteta.
Ritmo predileto: Zouk
Luciano Provedel Kunzler, 33 anos  publicitário.
Ritmo predileto: Zouk

O casal que se conheceu na dança de salão, prepara uma coreografia de Zouk para abrir a festa de casamento.

“Quando saímos para a noite, olhamos, abordamos, conversamos, até chegar ao contato físico. A dança permite uma aproximação às avessas. O abraço e o toque são imediatos. E neste processo você já começa a mostrar quem você é como pessoa disposta a dar carinho, a ser educada, gentil e a compreender o tempo do outro. Se não fosse a dança talvez a gente se encontrasse em uma mesa de bar trocasse meia dúzia de palavras chatas e nunca teria acontecido nada”, diz Luciano.

Sozinho no salão

Charles Berthier Brasil, 58 anos agropecuarista
Ritmo predileto: bolero e samba

Apesar de ser casado, Charles frequenta as aulas de dança de salão sem a esposa há cerca de dois anos e meio.

“Eu trabalhei muito tempo no interior, quando vim para a Capital procurei alguma coisa que me desse prazer e encontrei na dança. A minha mulher no início me acompanhou nas aulas, mas por falta de disciplina abandonou a prática. Mas nos bailes e nas festas, eu sempre vou com ela”, enfatiza Charles.

As irmãs dançarinas

Rejane Barneche, 64 anos, aposentada
Ritmo predileto: bolero e samba 
Ruth Mary Barneche, 65 anos, aposentada
Ritmo predileto: bolero

As duas irmãs encontraram na dança o equilíbrio para o corpo e a mente. As dores desapareceram e deram lugar a disposição e a curiosidade a tudo que diz respeito à dança.

“Aqui a gente se solta, relaxa e esquece as preocupações. E o mais legal é que desenvolvemos a capacidade de estabelecer uma relação entre o que aprendemos e o que vamos ver. Depois que começamos a praticar frequentamos outros lugares e gostamos de assistir aos espetáculos. Também estamos planejando fazer uma apresentação em um aniversário da família, já que agora me sinto muito mais segura”, diz entusiasmada Ruth.

Brincadeira e coreografia

Gabriela Reis Guerra, 8 anos, estudante
Ritmo predileto: Zouk
Pedro Lucas Pires Cardoso, 7 anos, estudante
Ritmo predileto: Zouk

Com o figurino impecável, a dupla Pedro e Gabi fazem a abertura da apresentação de Tango da turma dos adultos. Mas gostam mesmo é de praticar a dança na aula dos pequenos.

“Eu e os meus colegas ensaiamos durante a semana as coreografias. Dançar é muito legal. Quando eu vou para o colégio, eu fico praticando a dança no recreio, e os meus amigos ficam pedindo para que eu os ensine a dançar tango”, ri Pedro.

Depois dos 40

Eni Garcia, 66 anos, aposentado
Ritmo predileto: bolero
Maria Helena Garcia, 59 anos, aposentada
Ritmo predileto: bolero

Com 40 anos de casamento, o casal aposentado resolveu encarar a timidez e começar a dançar.

“A resistência maior era minha, eu tinha medo de não aprender. Agora eu me arrependo de não ter vindo antes. Em casa treinamos e dançamos nos aniversários de família. Os familiares estão surpresos e satisfeitos. Dançar me preenche e me dá uma satisfação pessoal muito grande”, revela Eni.

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